Um balanço em três partes do actual modelo de avaliação do professores, hoje que se anuncia a apresentação de um novo modelo. Melhor que o actual, espero.
Sexta-feira, 29 de Julho de 2011
O tempo, esse grande escultor…
O fotógrafo Nicholas Nixon passou 36 anos fotografando quatro irmãs.
“As mesmas coisas
acontecendo uma e outra vez.
Os mesmos momentos chegam e partem.”
Vídeo via
Quarta-feira, 27 de Julho de 2011
Pedra na cabeça
“Perguntas-me o que deves fazer com a pedra que te puseram em cima da cabeça? Não penses no que fazer com. Cuida no que fazer da.
É provável que te sintas logo muito melhor.
Sai, então, de baixo da pedra.”
Alexandre O'Neill
Quarta-feira, 20 de Julho de 2011
Inesperadamente?
Sonhos, de Caetano Veloso.
Outra versão:
Tudo era apenas uma brincadeira
E foi crescendo, crescendo, me absorvendo
E de repente eu me vi assim completamente seuVi a minha força amarrada no seu passo
Vi que sem você não há caminho, eu não me acho
Vi um grande amor gritar dentro de mim
Como eu sonhei um diaQuando o meu mundo era mais mundo
E todo mundo admitia
Uma mudança muito estranha
Mais pureza, mais carinho mais calma, mais alegria
No meu jeito de me darQuando a canção se fez mais clara e mais sentida
Quando a poesia realmente fez folia em minha vida
Você veio me falar dessa paixão inesperada
Por outra pessoaMas não tem revolta não
Eu só quero que você se encontre
Saudade até que é bom
É melhor que caminhar vazio
A esperança é um dom
Que eu tenho em mim, eu tenho sim
Não tem desespero não
Você me ensinou milhões de coisas
Tenho um sonho em minhas mãos
Amanhã será um novo dia
Certamente eu vou ser mais feliz
Sábado, 16 de Julho de 2011
Quanto se pode gostar de uma pessoa?
Eis duas outras boas respostas à pergunta da pequena lebre:
O vídeo Adivinha Quanto Eu Gosto de Ti apresenta uma pequena animação baseada na história infantil com o mesmo nome, escrita por Sam McBratney e ilustrada por Anita Jeram, publicada pela Editorial Caminho.
(O outro vídeo é um bocadinho piroso, mas não encontrei nenhum melhor com aquela versão de Always - a mais bela das muitas existentes, cantadas ou não por Frank Sinatra.)
Quinta-feira, 14 de Julho de 2011
A cultura do facilitismo
A propósito dos resultados de alguns exames:
“Actualmente nas escolas portuguesas predomina uma cultura do laxismo.”
Terça-feira, 12 de Julho de 2011
3 canções
A terceira canção fica ao criterioso gosto do caro leitor.
(Fotografia encontrada no blogue Restos de Colecção, onde de resto se podem encontrar muitas outras belas fotografias antigas.)
Prender a alma
A parte de soltar a alma muitas vezes é incompatível com as outras afirmações, mas pronto... Não é suposto a poesia ser rigorosa.
(Imagens encontradas no Facebook de alguém, que me lembre sem referência aos fotógrafos.)
Domingo, 10 de Julho de 2011
39% dos idosos portugueses sofre maus tratos
"Numa lista de 53 países europeus, da OMS, Portugal está no grupo dos cinco piores no tratamento aos mais velhos: 39% dos nossos idosos são vítimas de violência."
Leia mais no DN.
E também no Público.
A pobreza extrema e a pobreza relativa
«O Banco Mundial define a pobreza extrema como não ter rendimento suficiente para satisfazer as necessidades humanas mais básicas, de alimentação adequada, água, abrigo, vestuário, saneamento, cuidados de saúde e educação. Muitos estão familiarizados com os dados estatísticos segundo os quais 1000 milhões de pessoas vivem com menos de um dólar por dia. Esse era o limiar de pobreza segundo o Banco Mundial até 2008, quando surgiram melhores dados comparativos de preços internacionais que permitiram calcular, com maior precisão, a quantia de que as pessoas precisam para satisfazer as suas necessidades básicas. Apoiando-se nesse cálculo, o Banco Mundial estabeleceu o limiar de pobreza em 1,25 dólares por dia. O número de pessoas cujo rendimento as põe abaixo deste limiar não é de 1000 milhões, mas de 1400 milhões. É evidentemente mau haver mais pessoas do que pensávamos a viver na pobreza extrema, mas nem tudo são más notícias. Com base na mesma informação, em 1891 havia 1900 milhões de pessoas a viver na pobreza extrema. Isso correspondia a cerca de quatro em cada dez pessoas no planeta, ao passo que agora há menos de uma em cada quatro extremamente pobre. (…)
Nas sociedades ricas, a maior parte da pobreza é relativa. As pessoas sentem-se pobres porque muitas das coisas boas cuja publicidade vêem na televisão estão para além do seu orçamento - mas têm televisão. Nos Estados Unidos, 97 por cento dos classificados como pobres pelo Gabinete de Recenseamento são proprietários de um televisor a cores. Três quartos são proprietários de um carro. Três quartos têm um leitor de VHS ou DVD. Todos têm acesso a cuidados de saúde.
Não estou a citar estes números para negar que os pobres nos Estados Unidos enfrentam dificuldades genuínas. Não obstante, para a maioria, essas dificuldades, são de uma ordem diferente das das pessoas mais pobres do mundo. Os 1400 milhões de pessoas que vivem em pobreza extrema são pobres segundo um critério absoluto, ligado às necessidades humanas mais básicas. É provável que passem fome pelo menos uma parte de todos os anos. Mesmo que consigam alimento suficiente para encher os estômagos, é provável que sofram de desnutrição, porque lhes faltam nutrientes essenciais. Nas crianças, a desnutrição impede o crescimento e pode causar danos cerebrais permanentes. Os pobres podem não conseguir pôr os seus filhos na escola. Mesmo os serviços de saúde mínimos estão normalmente para além dos seus meios.
Esse tipo de pobreza mata. A esperança de vida nos países ricos atinge em média os 78 anos; nos mais pobres, os oficialmente classificados como “menos desenvolvidos”, é inferior a 50 anos. Nos países ricos, menos de uma em cem crianças morre antes dos cinco anos de idade; nos países mais pobres, morre uma em cada cinco. Aos números apresentados pela UNICEF, segundo a qual quase 10 milhões de crianças muito jovens morrem todos os anos por causas evitáveis relacionadas com a pobreza, temos de acrescentar pelo menos 8 milhões de crianças mais velhas e adultos.»
Peter Singer, A Vida Que Podemos Salvar, tradução de Vítor Guerreiro, Lisboa, Gradiva, 2011, pp.21-23.
Mais informações sobre o livro:
'A vida que podemos salvar': o dever de ajudar as pessoas muito pobres
Um livro de Filosofia com muito interesse sociológico
Entro no amor como em casa
AMOR COMO EM CASA
Regresso devagar ao teu
sorriso como quem volta a casa. Faço de conta que
não é nada comigo. Distraído percorro
o caminho familiar da saudade,
pequeninas coisas me prendem,
uma tarde num café, um livro. Devagar
te amo e às vezes depressa,
meu amor, e às vezes faço coisas que não devo,
regresso devagar a tua casa,
compro um livro, entro no
amor como em casa.
Manuel António Pina
Fotografia de Henri Cartier-Bresson
Quinta-feira, 7 de Julho de 2011
Um livro de Filosofia com muito interesse sociológico
A Vida Que Podemos Salvar, de Peter Singer, tradução de Vítor Guerreiro, Lisboa, Gradiva, 2011.
Neste livro Peter Singer defende que todos nós, mesmo não sendo ricos, deveríamos doar uma parte do nosso dinheiro para ajudar a combater a pobreza extrema. Tenta mostrar que isso não afectaria a nossa qualidade de vida, quanto muito levar-nos-ia a não comprar algumas das muitas coisas desnecessárias que compramos. Essa ajuda é, portanto, um dever moral e ao gastarmos dinheiro em roupas caras em vez de ajudarmos quem está a morrer de fome estamos a agir de modo moralmente incorrecto.
Clique e leia o prefácio. e outras informações sobre o livro.
Excerto da sinopse:
"No presente livro, o filósofo Peter Singer, considerado pela revista Time uma das cem pessoas mais influentes do mundo, apresenta argumentos éticos, experiências mentais estimulantes, exemplos eloquentes e estudos de casos para demonstrar que a nossa resposta actual à pobreza mundial é não só insuficiente como eticamente indefensável. A Vida que pode Salvar é um livro que apela à acção, dando voz à esperança e à compaixão sem descurar a investigação rigorosa e o raciocínio cuidado que transparecem em todas as obras deste autor. Uma obra duplamente pertinente, numa altura em que as dificuldades económicas afectam até pessoas bem próximas de todos nós."
Domingo, 3 de Julho de 2011
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades
Seja na política seja na vida pessoal, seja no emprego seja na amizade ou mesmo no amor, não deve haver nenhum verso que venha mais à cabeça de quem gosta de poesia do que o "mudam-se os tempos, mudam-se as vontades" de Luís de Camões.
É assim a vida: quase, quase tudo muda. Por vezes, nem é preciso que os tempos mudem muito para que algumas outras coisas mudem bastante. A vontade, por exemplo, pode mudar do dia para a noite. Sem aviso prévio.
Escusado será dizer que isto nada tem a ver com actualidade política portuguesa.
Dado o seu interesse sociológico, mas não só, eis o poema para ler e ouvir, cantado por José Mário Branco.
Mudam-se os tempos, mudam-se as vontades,
muda-se o ser, muda-se a confiança;
todo o Mundo é composto de mudança,
tomando sempre novas qualidades.
Continuamente vemos novidades,
diferentes em tudo da esperança;
do mal ficam as mágoas na lembrança,
e do bem (se algum houve), as saudades.O tempo cobre o chão de verde manto,
que já coberto foi de neve fria,
e, enfim, converte em choro o doce canto.E, afora este mudar-se cada dia,
outra mudança faz de mor espanto,
que não se muda já como soía.Luís de Camões
Sábado, 2 de Julho de 2011
A falta de amor-próprio
Quem não tem amor-próprio e não gosta de si mesmo não deve esperar que as outras pessoas gostem.











