Segundo o DN, esta “conversa” é “um sucesso no YouTube, com mais de cinco milhões de visualizações”.
Claro que não se trata realmente de uma conversa, uma vez que os bebés ainda não falam uma língua, mas sem dúvida que há interacção e muita comunicação!
«Os números sobre a emigração de portugueses, neste período, são impressionantes. Entre 1958 e 1974, as estatísticas oficiais registam que 1,5 milhões de indivíduos tenham abandonado Portugal. [Cerca de 1 milhão para a França. Muitos desses emigrantes saíram ilegalmente do país - “a salto”.] Nos anos oitenta e noventa a emigração continua, sobretudo para a Alemanha e a Suíça [e Luxemburgo].» Carlos Fontes
“Ei-los Que Partem – A história da emigração portuguesa” é um programa em 5 episódios transmitido na RTP em 2006. No primeiro vídeo foca-se a emigração para França, principalmente a partir de 1960. No segundo vídeo fala-se da emigração para o Luxemburgo, principalmente a partir a partir de 1980.
A canção “La Valise en Carton”, também conhecida por “Le Portugais”, de Linda de Suza.
Embora os portugueses continuem a sair de Portugal, o nosso país tornou-se entretanto um país de destino para imigrantes vindos de diversos países, nomeadamente do Brasil, países africanos de língua portuguesa e diversos países do Leste da Europa. Como se pode ver em “Nós e os outros: uma sociedade plural” – episódio do documentário “Portugal, um retrato social”, da autoria do sociólogo António Barreto e realizado por Joana Pontes. A música é da autoria de Rodrigo Leão.
Em 1960 a esperança média de vida à nascença era de 60,7 para os homens e 66,4 para as mulheres. Em 1970 era de 64,0 para os homens e 70,3 para as mulheres. Em 2008 era de 75,8 para os homens e 81,8 para as mulheres. (Dados da Pordata.)
Em 1960, a taxa de mortalidade infantil (número de crianças mortas até um ano de idade por cada mil nascimentos) era de 77,5. Em 1970 era 55,5. Em 2002 era 5,0. Em 2009 era de 3,6. (Dados da Pordata e do INE.)
Em 1950 a taxa de analfabetismo da população (com 10 e mais anos de idade) era de 41,77% (dados do INE). No início da década de 70 era cerca de 26%. Em 1991 era 11%. Em 2001 era 9%. Apesar da evolução, 9 analfabetos em cada 100 portugueses é um número elevado. O que revelará o Censos 2011?
MEU CORPO, QUE MAIS RECEIAS?
-Meu corpo, que mais receias?
-Receio quem não escolhi.
-Na treva que as mãos repelem
os corpos crescem trementes.
Ao toque leve e ligeiro
O corpo torna-se inteiro,
Todos os outros ausentes.
Os olhos no vago
Das luzes brandas e alheias;
Joelhos, dentes e dedos
Se cravam por sobre os medos...
Meu corpo, que mais receias?
-Receio quem não escolhi,
quem pela escolha afastei.
De longe, os corpos que vi
Me lembram quantos perdi
Por este outro que terei.
Jorge de Sena
Pode ouvir aqui uma entrevista a Jorge de Sena. Garanto que vale a pena.
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No filme filme “Água”, de Deepa Mehta, que vimos nas aulas, a certa altura fala-se do Festival das Cores, que se realiza no princípio da Primavera. Contudo, ao ver o filme não imaginei que as celebrações fossem tão radicais.
No Festival das Cores, ou Holi, as pessoas atiram tintas umas às outras. Também existe música, dança e comida e bebida.
Uma das formas de tentar combater a reprodução social dos preconceitos e das desigualdades é o chamado “politicamente correcto”.
O politicamente correcto é uma política que defende que não se devem usar palavras ou expressões que possam ser discriminadoras e ofensivas para certas pessoas ou grupos sociais, como por exemplo: as mulheres, minorias étnicas, deficientes, etc. Uma vez que as diversas línguas incorporaram palavras e expressos carregadas de racismo, sexismo e outros preconceitos, pretende-se substitui-las por outras que sejam neutras e não preconceituosas. O objectivo é evitar que a utilização quotidiana da linguagem promova a reprodução social dos preconceitos e contribuir para uma sociedade mais inclusiva e igualitária. (1)
Por exemplo: não dizer "Tribunal Europeu dos Direitos do Homem" mas sim "Tribunal Europeu dos Direitos Humanos"; não dizer “deficiente” mas sim “pessoa portadora de deficiência”; não dizer “cego” mas sim “invisual”; não dizer “negro” mas sim “pessoa de cor” ou “afro-americano” (nos EUA); etc.
A política do politicamente correcto tem levado a algumas acções controversas e que os críticos apelidam de “censura”. Recentemente, a editora norte-americana NewSouth Books lançou uma nova edição dos livros As Aventuras de Tom Sawyer e As Aventuras de Huckleberry Finn de Mark Twain, em que as palavras "nigger" (preto) e "injun" (índio) foram substituídas por outras ("nigger", que aparece dezenas de vezes, foi substituída por “slave” (escravo)).
O escritor brasileiro Monteiro Lobato foi acusado de racismo pelo Conselho Nacional de Educação, que sugeriu o livro Caçadas de Pedrinho, fosse ou reescrito nalgumas passagens ou banido das escolas públicas. Incomodou, entre outras coisas, a personagem Tia Nastácia ser chamada de negra.
Em 2006 foi publicada na Alemanha uma nova versão da Bíblia, intitulada A Bíblia numa Linguagem Mais Justa. Os tradutores tentaram evitar a utilização de expressões sexistas e, por isso, Jesus não se refere a Deus como “Pai”, mas como “nossa Mãe e Pai que estão no céu”. (Curiosamente, o diabo continua a ser referido sempre através de pronomes masculinos.) (2)
Outra manifestação do politicamente correcto é a modificação de histórias e canções infantis. Por exemplo: nas versões mais recentes da canção infantil “As pombinhas da Catrina” costuma excluir-se os seguintes versos:
- Ó minha mãe não me bata Que eu ainda sou pequenina! - Ó minha mãe não me bata, Que eu ainda sou pequenina!
- Não te bato porque achaste As pombinhas da Catrina, - Não te bato porque achaste As pombinhas da Catrina.
Contudo, o politicamente correcto presta-se a várias objecções. Quais poderão ser?
Uma das formas de tentar combater a reprodução social das desigualdades é a discriminação positiva.
“A discriminação positiva significa recrutar activamente pessoas de grupos previamente em situação de desvantagem. Por outras palavras, a discriminação positiva trata deliberadamente os candidatos de forma desigual, favorecendo pessoas de grupos que tenham sido vítimas habituais de discriminação. O objectivo de tratar as pessoas desta forma desigual é acelerar o processo de tornar a sociedade mais igualitária, acabando não apenas com desequilíbrios existentes em certas profissões, mas proporcionando também modelos que possam ser seguidos e respeitados pelos jovens dos grupos tradicionalmente menos respeitados. (…)
A discriminação positiva é apenas uma medida temporária, até que a percentagem de membros do grupo tradicionalmente excluído reflicta mais ou menos a percentagem de membros deste grupo na população em geral. Em alguns países é ilegal; noutros, é obrigatória.”
Nigel Warbuton, Elementos Básicos de Filosofia, 2ª edição, Gradiva, 2007, Lisboa, pp. 121-122.
Exemplos de discriminação positiva:
Alguns países, como os EUA, reservam uma determinada quantidade de vagas nas universidades públicas para alunos de minorias étnicas. No Brasil, a Constituição determina que uma certa percentagem de vagas de cargos públicos seja para deficientes físicos.
Há muitas objecções à discriminação positiva. Duas delas são:
A discriminação positiva pode prejudicar pessoas com mérito. Estas, devido à quota de lugares reservados, podem ser ultrapassadas por pessoas com menos mérito e não conseguir alcançar aquilo que pretendiam. A discriminação positiva é, portanto, injusta.
A discriminação positiva faz com que existam suspeitas relativamente ao mérito de pessoas pertencentes aos grupos por ela visados, mesmo que essas pessoas não tenham recorrido a ela.
Os defensores da desobediência civil consideram que, quando existem leis injustas e não se consegue alterá-las “através os meios legais, como as campanhas, a redacção de cartas, etc.”, existe justificação moral para desobedecer à lei.
“A ocasião para a desobediência civil emerge quando as pessoas descobrem que lhes é pedido que obedeçam a leis ou políticas governamentais que consideram injustas.
A desobediência civil trouxe mudanças importantes no direito e na governação. (…)
A desobediência civil corresponde a uma tradição de violação não violenta e pública da lei, concebida para chamar a atenção para leis ou políticas injustas. Os que agem nesta tradição de desobediência civil não violam a lei para seu benefício pessoal; fazem-no para chamar a atenção para uma lei injusta ou uma política moralmente objectável e para publicitar ao máximo a sua causa. (…) Os que agem na tradição da desobediência civil evitam geralmente todos os tipos de violência”.
Nigel Warbuton, Elementos Básicos de Filosofia, 2ª edição, Gradiva, 2007, Lisboa, pp. 142-144.
Nigel Warbuton dá diversos exemplos de desobediência civil: o movimento das sufragistas britânicas, que militou pelo direito ao voto das mulheres; Mahatma Gandi; Martin Luther King; e os americanos que recusaram participar na Guerra do Vietname.
Mas há muito outros exemplos de desobediência civil. Eis um exemplo recente e português , descrito aqui e aqui.
Os diversos agentes de socialização, consciente ou inconscientemente, promovem a reprodução social. Eis três exemplos.
Exemplo I
“Era uma vez um urso pai, uma ursa mãe e um urso bebé. Viviam os três numa pequena cabana no meio do bosque.
Todas as manhãs a Ursa Mãe fazia papas de aveia para o pequeno-almoço. Uma manhã, as papas estavam quentes de mais.
“Vamos dar um passeio pelo bosque enquanto as papas arrefecem” – disse o Urso Pai.
A Ursa Mãe pôs a touca e lá foram eles apanhar sol.”
“Cabelinhos de Ouro e os Três Ursos”, in As mais belas histórias para crianças, adaptação de Lucy Kincaid, Edições Asa, 8ª edição, 1996, Porto, pág. 142.
Exemplo II
Summertime, And the livin' is easy Fish are jumpin' And the cotton is high
Your daddy's rich And your mamma's good lookin' So hush little baby Don't you cry
One of these mornings You're going to rise up singing Then you'll spread your wings And you'll take to the sky
But till that morning There's a'nothing can harm you With daddy and mamma standing by
Summertime, And the livin' is easy Fish are jumpin' And the cotton is high
Your daddy's rich And your mamma's good lookin' So hush little baby Don't you cry
Summertime, de George Gershwin – cantada por Ella Fitzgerald and Louis Armstrong.
Exemplo III
Compare a letra original desta canção infantil com uma versão mais recente. Qual é a diferença?
AS POMBINHAS DA CATRINA
As pombinhas da Catrina Andaram de mão em mão, As pombinhas da Catrina Andaram de mão em mão.
Foram ter à Quinta Nova Ao Pombal de São João, Foram ter à Quinta Nova Ao Pombal de São João.
Ao Pombal de São João À Quinta da Roseirinha, Ao Pombal de São João À Quinta da Roseirinha.
Minha mãe mandou-me à fonte E eu parti a cantarinha, Minha mãe mandou-me à fonte E eu parti a cantarinha.
- Ó minha mãe não me bata Que eu ainda sou pequenina! - Ó minha mãe não me bata, Que eu ainda sou pequenina!
- Não te bato porque achaste As pombinhas da Catrina, - Não te bato porque achaste As pombinhas da Catrina.
No Haiti, após o terramoto ocorrido a 12 de Janeiro de 2010, verificaram-se inúmeras pilhagens, agressões e outros actos de vandalismo. Durante meses as autoridades foram incapazes de fazer respeitar as leis e de gerir o país. Os observadores nacionais e internacionais para descreverem a situação falavam de caos e desordem. Viveu-se, portanto, um período prolongado de anomia.
Quando os comportamentos desviantes têm efeitos positivos e promovem a mudança social (ver exemplos aqui e aqui) o desvio não é generalizado: afecta apenas alguns aspectos da vida da comunidade.
Quando, pelo contrário, numa sociedade ou num grupo específico os comportamentos desviantes predominam isso costuma levar à desagregação dessa sociedade ou grupo. A vida social não parece ser possível se não existirem regras comuns respeitadas pela maioria. O sociólogo Peter Worseley e o antropólogo Mischa Titiev explicam porquê.
«É através da existência de regras comuns, reforçadas por sanções, que surgem e são mantidas formas estáveis de interacção social. O facto de as regras que condicionam o comportamento dos elementos da sociedade serem comuns permite atingir a previsibilidade das suas actuações e, simultaneamente, a possibilidade de coordenação das suas actividades.”
Peter Worsley, Introdução à Sociologia, 5ª edição, Publicações Dom Quixote, 1983,Lisboa, pág. 491.
«Suponhamos que um indivíduo rico mas excêntrico (…) desejava um pequeno-almoço de sopa de beterraba, ostras cruas e chá de casca de sassafrás: em que restaurante o podia obter? (…) Que possibilidades de sucesso teria um dono de restaurante nos Estados Unidos que recolhesse provisões para fazer face a desejos inesperados das pessoas que quisessem tomar ao pequeno-almoço sopa de beterraba, ostras cruas e chá de casca de sassafrás, mas que deixasse de se abastecer com sumos de frutas, ovos, flocos, flocos de aveia, pão torrado e café?
Para quem tenha de lidar com aquilo que se chama ‘o público’ a existência de um comportamento padronizado é de um grande auxílio. Não só os comerciantes mas também os agentes da polícia se encontrariam numa situação difícil se todos os residentes de uma cidade abandonassem subitamente os seus padrões habituais de conduta para seguirem ditames puramente individuais. A vida em sociedade seria praticamente impossível se não fosse a existência de regras comuns e formas de comportamento padronizadas e portanto previsíveis [mesmo que depois exista alguma variação individual em certos aspectos].»
Mischa Titiev, Introdução à Antropologia Cultural, 7ªedição, F.C. Gulbenkian, 1992, Lisboa, pp. 195-196.
O facto de as sociedades e os grupos não conseguirem subsistir se a maioria dos membros desobedecer às regras, não significa (como mostra o sociólogo Guy Rocher na obra Sociologia Geral, Editorial Presença) que todas as sociedades e grupos exijam o mesmo grau de conformidade aos seus membros. Por exemplo: um grupo de amigos pode sobreviver com um grau de desobediência muito maior que um grupo musical e este que um batalhão do Exército.
«Quando se começa a estudar o comportamento desviante, é necessário ter em conta as regras que as pessoas respeitam e aquelas que desobedecem. Ninguém quebra todas as regras. Mesmo indivíduos que estão totalmente à margem da sociedade respeitável, como os assaltantes de bancos, seguem provavelmente as regras dos grupos a que pertencem. Certos grupos violentos em particular, como os ‘gangs’ de motards têm códigos estritos de conduta que devem ser seguidos pelos seus membros; aqueles que não o fazem sofrem punições ou são expulsos.” (…)
O desvio pode ser definido como uma inconformidade em relação a determinado conjunto de normas aceite por um conjunto significativo de pessoas de uma comunidade ou sociedade.
Nenhuma sociedade pode ser dividida de um modo linear entre os que se desviam das normas e aqueles que estão em conformidade com elas. A maior parte das pessoas transgride, em certas ocasiões, regras de comportamento geralmente aceites. Quase toda a gente, por exemplo, em determinada altura já cometeu actos menores de roubo, como levar alguma coisa de uma loja sem pagar ou apropriar-se de pequenos objectos do emprego – como papel de correspondência – e dar-lhe um uso privado.” Anthony Giddens, Sociologia, 3ª edição, F.C. Gulbenkian, Lisboa, 2002, pág. 255.
Para uma pessoa que goste muito de correr perder uma perna é perder uma razão para viver. Para uma pessoa que goste muito de pintar perder as mãos é perder uma razão para viver.
Sei que parece não ter relação, mas foi disso que me lembrei ao ver algumas imagens das manifestações de ontem da “Geração à rasca”, em que pessoas com pernas e braços diziam ao Estado e à sociedade “Quero ser feliz”.
Talvez faça sentido dizer isso à pessoa que se ama, tendo em conta que o contributo dela é indispensável, mas pedir felicidade ao Estado é manifestamente absurdo.
E segurança e estabilidade no emprego – será isso coisa que se peça ao Estado? Faço esta pergunta devido ao facto de o alvo principal da “Geração à rasca” ser a precariedade e não a falta de oportunidades.
Misturado com algumas considerações acerca do teste intermédio de Filosofia efectuado no passado dia 22 de Fevereiro, encontra AQUI um elogio dos exames e da exigência que vale a pena ler.
Pode ver aqui um vídeo muito belo acerca dos seres humanos. Entre outras coisas, mostra que somos todos diferentes mas parecidos em aspectos importantes.
O objectivo deste blogue é partilhar ideias e materiais úteis para o estudo e para o ensino da Sociologia no ensino secundário.
O blogue constitui também um instrumento de trabalho que o autor e os seus alunos utilizam, em casa e nas aulas, como complemento do Manual adoptado na escola.
Críticas e sugestões são bem-vindas.
Autor: Carlos Pires
Professor da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa, de Faro, Portugal -