Quinta-feira, 24 de Fevereiro de 2011

Não é um jogo, embora algumas pessoas o joguem

JOGO

Eu, sabendo que te amo,
e como as coisas do amor são difíceis,
preparo em silêncio a mesa
do jogo, estendo as peças
sobre o tabuleiro, disponho os lugares
necessários para que tudo
comece: as cadeiras
uma em frente da outra, embora saiba
que as mãos não se podem tocar,
e que para além das dificuldades,
hesitações, recuos
ou avanços possíveis, só os olhos
transportam, talvez, uma hipótese
de entendimento. É então que chegas,
e como se um vento do norte
entrasse por uma janela aberta,
o jogo inteiro voa pelos ares,
o frio enche-te os olhos de lágrimas,
e empurras-me para dentro, onde
o fogo consome o que resta
do nosso quebra-cabeças.

Nuno Júdice

Via

Aplicação da PORDATA para iPhone

De acordo com uma informação da Fundação Francisco Manuel dos Santos, «a PORDATA acaba de lançar uma aplicação gratuita para iPhone.  Através desta aplicação, pode-se navegar de forma rápida e intuitiva pela informação estatística de Portugal e Europa, ao longo dos temas apresentados na pordata.pt. (…) Disponível em Português e Inglês, depois de seleccionar Portugal ou Europa, pode percorrer os temas e indicadores associados, sendo apresentada a informação referente ao último ano disponível assim como a tendência do indicador, sob a forma de gráfico. Pode ainda aceder a um ano específico e, no caso da Europa, pode analisar os países em ranking, para cada indicador.»

Eis um vídeo demonstrativo:

Segunda-feira, 21 de Fevereiro de 2011

O princípio do dano

Alguns comportamentos desviantes, mesmo que sejam considerados crimes, podem (como se mostra aqui e aqui) ter consequências positivas. Alguns e não todos!

Há comportamentos desviantes completamente negativos e reprováveis. Outros são simplesmente excêntricos. Vejamos dois exemplos.

Howard hughes barbaHoward hughes«O milionário americano Howard Hughes construiu a sua imensa fortuna através de uma combinação entre trabalho árduo, ideias imaginativas e decisões astutas. Em termos de desejo de sucesso individual, as suas actividades empresariais conformaram-se com alguns valores-chave das sociedades ocidentais – valores que acentuam o desejo de recompensa material e o êxito individual. Por outro lado, em certos aspectos, o seu comportamento desviou-se profundamente das normas ortodoxas. Viveu os últimos anos da sua vida praticamente isolado do mundo exterior, raras vezes saindo da suite de hotel onde morava. Deixou crescer o cabelo e uma longa barba que faziam com que parecesse mais um profeta bíblico do que um homem de negócios de sucesso. Hughes foi, ao mesmo tempo, muito bem sucedido e altamente desviante quanto ao seu comportamento. (…)

Serial killer Ted bundy O modo de vida de Ted Bundy, na aparência, conformava-se com as normas de comportamento de um bom cidadão. Mantinha, à primeira vista, o que parecia ser não apenas uma vida normal, mas mesmo meritória. Tinha, por exemplo, um papel activo nos Samaritanos, uma associação que prestava um serviço telefónico de 24 horas para apoio a pessoas sob tensão ou com intuitos suicidas. Não obstante, Bundy cometeu uma série de homicídios horrendos. Antes de o sentenciar à morte, o juiz que presidiu ao seu julgamento elogiou Bundy pela sua habilidade (tinha preparado a sua própria defesa), mas acabou por sublinhar o desperdício que havia sido a sua vida. A vida de Bundy demonstra que uma pessoa pode parecer perfeitamente normal e envolver-se secretamente em actos de desvio extremo.»

Anthony Giddens, Sociologia, 3ª edição, F. C. Gulbenkian, 2002, Lisboa, pág. 216.

Como distinguir entre os comportamentos desviantes que devem ser tolerados (por respeito à autonomia das pessoas e porque podem ser comportamentos promotores de mudanças positivas) e os comportamentos desviantes que não devem ser tolerados?

Um critério possível, e de facto muito usado nas sociedades democráticas, é o chamado “princípio do dano”, do filósofo Stuart Mill, segundo o qual o Estado e a sociedade só devem interferir nas acções de uma pessoa se elas prejudicarem outras pessoas (caso prejudiquem apenas a própria não deve haver interferência).

Sexta-feira, 18 de Fevereiro de 2011

Mecanismos de controlo social

Indique o mecanismo ou mecanismos de controlo social presentes em cada exemplo.

1) Manuela Fernanda Baptista desde pequena que se habituou à ideia de que mentir é feio e, por isso, mesmo nas situações em que uma mentira daria muito jeito, ela diz a verdade. Mesmo quando percebe que ninguém lhe poderia descobrir a mentira ela opta por dizer a verdade.

2) Manuela Fernanda Baptista sabe que tirar macacos do nariz é pouco higiénico. Mas se não estiver ninguém a olhar por vezes não resiste. Quando sabe que pode ser vista opta sempre pelo lenço.

3) Manuela Fernanda Baptista não gosta de conduzir devagar. Mas ouviu dizer que os polícias andam mais atentos do que é costume e que têm passado imensas multas. Por isso, apesar de não haver nenhum polícia à vista, ela opta por não ultrapassar o limite de velocidade.

4) Manuela Fernanda Baptista atrasou-se uma vez a pagar os impostos e pagou uma multa. Desde essa altura que procura nunca se atrasar. E conta o sucedido aos conhecidos, para lhes servir de exemplo.

5) Manuela Fernanda Baptista observou uma pessoa ser muito elogiada devido ao facto de ter ajudado outra num momento difícil. Isso fê-la dizer para os seus botões: “Quando algum conhecido ou amigo precisar de ajuda não vou dizer que não.”

6) Manuela Fernanda Baptista detesta cerejas, mas quando lhe ofereceram um cesto delas não recusou com receio de parecer mal-agradecida às pessoas presentes.

Quarta-feira, 16 de Fevereiro de 2011

O que não se pode comprar

Conversa na fila da padaria:

- Sonhei que amanhã acharei 12,5 cêntimos: primeiro 7,5 e depois 5. Não é estranho?

- Estranho não sei, mas é certamente pouco… Ainda se fossem euros! 12,5 euros já seria alguma coisa.

- Naaah! Continuaria a ser uma ninharia! Com esta crise, eu precisava era de achar uns quantos milhares.

- Também me daria jeito, mas precisar, precisar mesmo… eu precisava é que alguém gostasse de mim a sério!

- Pois! Mas isso não se comp… Ah, é a nossa vez… Quero um pão alentejano grande e uma dúzia de papo-secos, se faz favor.

Terça-feira, 15 de Fevereiro de 2011

Entreajuda

Para explicar a diferença entre o que sucede nesta história e o que sucedeu nos casos descritos aqui bastará invocar os mecanismos de controlo social (socialização, pressão social e sanções) ou será necessário ter em conta outro factor?  Caso seja necessário, qual pode ser?

Domingo, 13 de Fevereiro de 2011

Agitação nos espelhos

feelings on off

Uma vez que o Dia dos Namorados está à porta, eis um poema de amor. Suponho que agradará mais aos amantes da poesia do que aos amantes do amor – pois  é um poema muito pouco óbvio, contrariamente ao que sucede quase sempre com o amor.

OS MENSAGEIROS

A palavra de um caracol em folha a servir de prato?
Não é minha. Não a aceitem.

Ácido asséptico em frasco selado?
Não o aceitem. Não é genuíno.

Um anel de oiro com o sol lá dentro?
Mentiras. Mentiras e dor.

Gelo numa folha, o caldeirão
Imaculado, que fala e crepita

Sozinho, no cimo de cada um
Dos nove Alpes negros.

Uma agitação nos espelhos,
O mar despedaça o mar cinzento -

Amor, amor, o meu tempo.

Sylvia Plath

Poema: aqui. Imagem: aqui.

Quinta-feira, 10 de Fevereiro de 2011

Divulgação de blogues

blogues Blogar à beira da piscina A proliferação de blogues é um fenómeno social recente, mas  perfeitamente merecedor de um estudo sociológico.

Muitos alunos do Ensino Secundário têm blogues. Alguns fazem parte do trabalho de Área de Projecto. Outros são projectos pessoais.

Não pretendo fazer um estudo sociológico sobre eles, mas talvez tenha interesse divulgá-los. Gostaria por isso de fazer um post acerca dos blogues dos meus alunos ou mesmo de outros alunos da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa.

Os interessados nessa divulgação deverão deixar na caixa de comentários deste post o nome do seu blogue, o endereço e uma curta descrição do mesmo. Não esquecer também o nome do autor ou autores.

Quarta-feira, 9 de Fevereiro de 2011

Links para o 3º terceiro teste de Sociologia

MATERIAIS OBRIGATÓRIOS

Agentes de socialização:

Agentes de socialização: alguns exemplos em vídeo

Agentes de socialização: Ruca e Gabriela
Agentes de socialização: amigos, falsos amigos e malta da mesma idade
A dose diária de televisão em Portugal
Jornal ou TV?
Mais Internet
Internet: tão perto e tão longe!
Novo e diferente, mas pouco
TPC
Internet: expectativas e receios
Internet: entusiasmo e pessimismo
A Internet em números
As crianças fazem o que vêem
Diversidade cultural e socialização

Porque é que sou quem sou?

 

Estatuto e Papel:
Ficha de trabalho: estatuto e papel social
O estatuto de doente
Os papéis sociais
Exemplos de multiplicidade e conjunto de papéis
As sete idades do Homem

 

Interacção social:

Interacção social: À espera que chegue a minha vez
Interacção social e expectativas recíprocas
Interacção social e expectativas desencontradas
Formas de cumprimentar
Exemplos visuais de interacção social
Comunicação não verbal: a expressão facial da emoção
Rostos eloquentes
Sinais gestuais para todos os gostos
O género do olhar
Espaço pessoal e género

 

Agrupamentos sociais:

Ficha de Trabalho: grupos e outros agrupamentos sociais
As categorias sociais
Os agregados sociais
Assistências
Grupos sociais primários e secundários

 

MATERIAIS ACONSELHADOS

 

A história da Internet

Internet de banda larga nas escolas fez as notas baixarem?

Espanhóis preferem a Internet ao sexo

Apareço na Comunicação Social, logo existo
Os novos tempos e os problemas de sempre…
Novas formas de socialização primária ou socialização secundária muito precoce?
Namoro virtual, mas os velhos problemas de sempre
O que é uma prova de amor?

Múltiplas influências

Uma fila finlandesa

Cadáver de idosa esteve 9 anos num apartamento


"Só nove anos após ter sido dado o primeiro alerta para o desaparecimento é que o corpo de uma idosa que vivia sozinha num apartamento na Rinchoa, concelho de Sintra, foi encontrado. O achado (...) foi feito pela nova proprietária da casa."
 Notícia do Público. Clique para ler mais.

Dá que pensar.

Segunda-feira, 7 de Fevereiro de 2011

Porque é que quase ninguém gosta de poesia? - 4

CHEGA-SE A ESTE PONTO…

Chega-se a este ponto em que se fica à espera
Em que apetece um ombro o pano de um teatro
um passeio de noite a sós de bicicleta
...o riso que ninguém reteve num retrato

Folheia-se num bar o horário da Morte
Encomenda-se um gin enquanto ela não chega
Loucura foi não ter incendiado o bosque
Já não sei em que mês se deu aquela cena

Chega-se a este ponto Arrepiar caminho
Soletrar no passado a imagem do futuro
Abrir uma janela Acender o cachimbo
para deixar no mundo uma herança de fumo

Rola mais um trovão Chega-se a este ponto
em que apetece um ombro e nos pedem um sabre
Em que a rota do Sol é a roda do sono
Chega-se a este ponto em que a gente não sabe

David Mourão-Ferreira

via

Domingo, 6 de Fevereiro de 2011

Assistências

Todos estes vídeos nos mostram pessoas a assistir a concertos musicais. Mas o comportamento dessas assistências é bastante diversificado. Será que a caracterização aqui feita das assistências  se aplica a todas as assistências?

Nos vídeos:

A Flauta Mágica (a Abertura), de Mozart, filmada por Ingmar Bergman.

With or without you, U2.

Next Is The E, Moby.

Cenas de Mosh.

Sábado, 5 de Fevereiro de 2011

Futuro sombrio

O sombrio futuro da educação em Portugal.

Cerveja gratis a cada golo de portugal valores rascas

+ de 200 000

O Caderno de Sociologia ultrapassou as 200 000 visitas. Terá isso algum significado? Muitas coisas diferente sugerem que não. Vou continuar a trabalhar porque – como talvez pareça óbvio – não faço mais nada que a minha obrigação.

image

Sexta-feira, 4 de Fevereiro de 2011

Ficha de Trabalho: grupos e outros agrupamentos sociais

Ficha de Trabalho Grupos e Outros Agrupamentos Sociais - Categorias e Agregados Sociais

Grupos sociais primários e secundários

grupo de amigos          fábrica chinesa

«Os grupos sociais podem ser muito diversos. Quatro amigos que vão regularmente jogar ténis ao domingo, uma família, os estudantes de um seminário, os empregados de um estabelecimento da FIAT. Todos estes conjuntos de pessoas podem ser descritos como grupos, mas enquanto os amigos e a família constituem grupos primários, os empregados da FIAT são um grupo secundário e o grupo de estudantes pode pertencer a ambas as tipologias [consoante o tipo de interacção que estabelecerem entre si].

A expressão ‘grupo primário’ foi criada por Charles Cooley para definir um grupo constituído por um número limitado de pessoas que interagem imediatamente e de modo directo e pessoal (contacto face-a-face).

Enquanto um grupo primário é constituído por um número reduzido de indivíduos, que mediante uma relação interpessoal de tipo de tipo afectivo desenvolvem um forte sentimento de identificação colectiva, o grupo secundário é habitualmente composto por um maior número de membros, cujas relações interpessoais são quase sempre afectivamente neutras; além disso, neste tipo de grupo as relações entre o indivíduo e os outros membros do grupo são de tipo instrumental, isto é, funcionais para a consecução de um objectivo.»

Adaptado a partir de: Lúcia Demartis, Compêndio de Sociologia, Edições 70, Lisboa, 2006, pág. 79-80.

Além disso, nos grupos secundários existem muitos mais normas formais do que nos grupos primários. A hierarquia é também mais explícita e formal que nestes. Nos grupos secundárias é frequente existirem interacções indirectas (carta, telefone, fax, email, etc.), o que não sucede nos primários.

Os agregados sociais

observando acidente ajuntamento                 Publico espectáculo assistência

Os agregados sociais são conjuntos de indivíduos caracterizados pela proximidade física. Não há distribuição de funções nem qualquer nem qualquer outra forma de estruturação. A comunicação é nula ou escassa e pontual.

“As pessoas que compõem o agregado permanecem estranhas umas às outras, de tal modo que no agregado não existe o sentido do ‘outro’ como pessoa, mas apenas como indivíduo indiferenciado. As relações sociais no seio do agregado são, portanto, muito limitadas e de carácter provisório. Os indivíduos podem entrar e sair de um agregado sem que tal modifique o seu estilo de vida e a sua posição social.”

Lúcia Demartis, Compêndio de Sociologia, Edições 70, Lisboa, 2006, pág. 78.

Nos agregados podem distinguir-se os ajuntamentos e as assistências.

Ocorre um ajuntamento quando as pessoas se aproximam devido a um qualquer estímulo esporádico e imprevisto e permanecem próximas durante um período geralmente curto mas indeterminado. Por exemplo: os mirones que se aproximam da porta do tribunal para espreitar a entrada de um preso algemado.

Chama-se assistência a conjunto de pessoas que se reúnem num local para observar um acontecimento previamente marcado e com uma duração mais ou menos determinada. Por exemplo: as pessoas que assistem a um espectáculo de fogo de artificio na Passagem de Ano ou a um concerto musical.

assistência concertoOs jovens que que assistem a um concerto de Rock são uma assistência, mas muito mais interactiva e comunicativa que outras assistências. Porque será?

Bibliografia:

Jorge Pité, Dicionário Breve de Sociologia, Editorial Presença, Lisboa, 1997.

José Vargas, Sociologia, Porto Editora, Porto, 2002.

Lúcia Demartis, Compêndio de Sociologia, Edições 70, Lisboa, 2006.

Quarta-feira, 2 de Fevereiro de 2011

O que há de novo na Net e arredores?

Ontem um jornalista fez-me esta pergunta, por email:

Há alguma tendência recente (principalmente na área das novas tecnologias, como as redes sociais por exemplo) entre os jovens portugueses que seja digna de interesse e mereça ser pesquisada?

Se algum dos caros leitores, aluno ou não, tiver sugestões agradeço que as deixe na caixa de comentários. Obrigado!

Terça-feira, 1 de Fevereiro de 2011

Toc-toc… Posso ler?

                                                          1.                                     2.

                                          Batendo à porta  Marilyn Monroe Reads

Para algumas pessoas abrir um livro e lê-lo é uma experiência tão intimidante como bater à porta do Inferno. Para outras é apenas uma experiência enfadonha. Nem umas nem outras insistem o suficiente para perceber que pode ser, afinal, uma experiência muito interessante – caso o livro seja bom. Caso não seja, vale a pena mesmo assim lê-lo – pois é uma ocasião para treinar a capacidade crítica e arranjar termos de comparação que ajudarão a valorizar os bons livros.

Seja como for, abrir um livro e lê-lo é um pouco como bater à porta do Paraíso. E para lá entrar nem é preciso ser boa pessoa!

Para falar verdade, pode nem ser necessário abri-lo e folheá-lo, pois actualmente existem livros em vários formatos, para além do clássico papel. Há, portanto, muitas formas de bater à porta de um livro. Basta querer.

Música a condizer: KNOCKIN' ON HEAVEN'S DOOR, de Bob Dylan.