Segunda-feira, 31 de Janeiro de 2011

Resposta pronta para filhos contestatários

Esta história circula por email.  Vale pelo menos um sorriso. Mas talvez mereça também alguma reflexão.

MÃE: VAI JÁ ARRUMAR O TEU QUARTO!
FILHO: Não vou!
MÃE: Tens de ir! Eu estou a mandar!
FILHO: E porque é que tenho de fazer o que tu dizes?
MÃE: Porque no Artigo 128 do Código Civil Português diz que deves.

(ARTIGO 128.º do Código Civil Português – Dever de obediência:
Em tudo o quanto não seja ilícito ou imoral, devem os menores não emancipados obedecer a seus pais ou tutor e cumprir os seus preceitos.)

Domingo, 30 de Janeiro de 2011

Uma fila finlandesa

finnish-at-a-bus-stop finlandeses na paragem de autocarro

Finlandeses na paragem de autocarro.

Um leitor (infelizmente anónimo) deixou o link desta fotografia num comentário ao post Espaço pessoal e género.

Os comentários anónimos são uma irritante, embora talvez sociologicamente interessante, forma de interacção social. Seja como for, a fotografia é uma boa ilustração da ideia de que a gestão do espaço pessoal varia consoante a cultura. Em Portugal, e noutros países latinos, as pessoas estariam certamente um pouco mais próximas umas das outras.

Sábado, 29 de Janeiro de 2011

Matriz do 3º mini teste de Sociologia

O mini teste será realizado na quarta-feira, dia 2 de Fevereiro de 2011. Bom trabalho!

Matriz do 3º mini teste Sociologia - Socialização Papel Estatuto Interacção Social

Espaço pessoal e género

«Existem diferenças culturais na definição do que é o espaço pessoal. Na cultura Ocidental, a maior parte das vezes as pessoas mantêm uma distância de pelo menos um metro quando se envolvem numa interacção focada com outros. Quando se encontram lado a lado, podem permanecer um pouco mais próximas umas das outras. No Médio Oriente, as pessoas geralmente permanecem mais próximas do que é aceitável no Ocidente. Os ocidentais que visitam essa parte do mundo sentem-se provavelmente desconcertados com esta inesperada proximidade física.

Edward T. Hall, que trabalhou extensivamente sobre formas não verbais de comunicação, distingue quatro zonas de espaço privado. A distância íntima (até cerca de meio metro) é reservada a muitos poucos contactos sociais. Somente os envolvidos em relações que permitam o contacto regular com o corpo – como pais e filhos ou amantes – operam nesta zona de espaço privado. A distância pessoal (de cerca de meio metro até metro e meio) é a distância normal em encontros com amigos e conhecidos. É permitida alguma intimidade de contacto, mas tende a ser estritamente limitada. A distância social (de cerca de metro e meio até três metros e meio) é a zona normalmente estipulada para contextos formais de interacção, como entrevistas. A quarta zona é a distância pública (para além dos três metros e meio) preservada por aqueles que actuam perante uma assistência.

(…) As zonas mais sensíveis são as das distâncias íntima e pessoal. Se estas zonas forem invadidas, as pessoas tentam readquirir o seu espaço. Por vezes olhamos para alguém como quem diz ‘saia daqui!’ ou empurramo-lo. Nos casos em que as pessoas são forçadas a uma proximidade maior do que a considerada desejável, pode ser estabelecido um certo tipo de fronteira física, como quando um leitor, numa mesa de biblioteca apinhada, demarca fisicamente o espaço privado, empilhando livros a delimitar o seu espaço.

É preciso notar que as questões de género desempenham aqui um papel, mais ou menos à semelhança do que se passa com outras formas de comunicação não verbal. Os homens gozam tradicionalmente de maior liberdade em relação às mulheres no que diz respeito ao uso do espaço – por exemplo, movimentos no espaço pessoal de mulheres de que podem não ser necessariamente íntimos. Um homem que leva uma mulher pelo braço quando passeiam lado a lado, ou que coloca a mão na cintura da mulher quando a acompanha até à porta, pode ter estes gestos como sinal de cortesia ou boa educação. No entanto, o fenómeno contrário – uma mulher que invade o espaço pessoal de um homem – é muitas vezes visto como um engate ou insinuação sexual.»

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pp. 97-99.

No vídeo pode-se ver “O que tu queres sei eu”, um conhecido sketch dos Gato Fedorento , que ilustra humoristicamente a ideia de que as mulheres têm menos liberdade que os homens na gestão do espaço pessoal.

O género do olhar

«Existirá uma dimensão de género na interacção social quotidiana? Há razões para acreditar que sim. Em virtude de as interacções serem moldadas pelo contexto social mais amplo, é natural que tanto a comunicação verbal como a comunicação não verbal possam ser percebidas e transmitidas de maneira diferente por homens e mulheres. (…)

Tome-se, como exemplo, uma das expressões não verbais mais comuns – o contacto visual. (…) Uma forma específica de contacto visual – olhar fixamente – ilustra o contraste que pode haver no ‘significado’ de formas idênticas de comunicação não verbal [consoante se trate de homens ou mulheres]. Um homem que ‘olha’ desta forma para uma mulher pode ser interpretado como estando a comportar-se de forma ‘natural’ ou ‘inocente’ [a interpretação do seu olhar como uma tentativa de ‘engate’ é uma possibilidade, mas não é automática]. Se a mulher se sentir desconfortável pode fugir a esse olhar, desviando os olhos ou optando por não manter a interacção. Por outro lado, uma mulher que olha fixamente para um homem é muitas vezes considerada como estando a comportar-se de forma sexualmente provocante ou insinuante.”

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pág. 86

homem olhar mulher que cruza as pernas

Quarta-feira, 26 de Janeiro de 2011

A inesgotável gatunice

«- Colbert: Para encontrar dinheiro, há um momento em que enganar [o contribuinte] já não é possível. Eu gostaria, Senhor Superintendente, que me explicasse como é que é possível continuar a gastar quando já se está endividado até ao pescoço…

- Mazarino: Se se é um simples mortal, claro está, quando se está coberto de dívidas, vai-se parar à prisão. Mas o Estado… o Estado, esse, é diferente!!! Não se pode mandar o Estado para a prisão. Então, ele continua a endividar-se… Todos os Estados o fazem!

- Colbert: Ah sim? O Senhor acha isso mesmo? Contudo, precisamos de dinheiro. E como é que havemos de o obter se já criámos todos os impostos imagináveis?

- Mazarino: Criam-se outros.

- Colbert: Mas já não podemos lançar mais impostos sobre os pobres.

- Mazarino: Sim, é impossível.

- Colbert: E então os ricos?

- Mazarino: Os ricos também não. Eles não gastariam mais. Um rico que gasta faz viver centenas de pobres.

- Colbert: Então como havemos de fazer?

- Mazarino: Colbert! Tu pensas como um queijo, como um penico de um doente! Há uma quantidade enorme de gente entre os ricos e os pobres: os que trabalham sonhando em vir a enriquecer e temendo ficarem pobres. É a esses que devemos lançar mais impostos, cada vez mais, sempre mais! Esses, quanto mais lhes tirarmos mais eles trabalharão para compensarem o que lhes tirámos. É um reservatório inesgotável.»

Antoine Rault, Le Diable Rouge.

Le Diable Rouge é uma peça de teatro cuja acção se passa no reinado de Luís XIV de França. Encontrei este excerto no blogue De Rerum Natura, num post intitulado Ataque à Classe Média.

 

Sinais gestuais para todos os gostos

A expressão facial de algumas emoções é, provavelmente, inata e universal. (Ver a esse respeito o post Comunicação não verbal: a expressão facial da emoção.) Contudo, isso não sucede com outras formas de comunicação não verbal, como os gestos e as posturas corporais. Vejamos alguns exemplos.

image Richard Schaefer, op.cit., pág. 63.

«Há algum tempo na sessão de abertura do parlamento de Bangladesh, os legisladores reagiram com fúria a um gesto do ministro dos Transportes, Abdur Rob. “Isso é uma desonra, não só para o parlamento, mas para a nação”, declarou o vice-líder do Partido Nacionalista de Bangladesh,  Badruddoza Chowdhury. O que Rob fez para provocar tal ira? O velho sinal do polegar voltado para cima. Nos Estados Unidos (como no Brasil), o gesto significa “tudo bem!”, mas no Bangladesh e em outros países islâmicos [tal como na Austrália] é uma afronta: equivale ao que o dedo médio levantado representa para nós.» (Via)

Júlia Roberts comendo com a mão esquerda

Na foto vemos uma mulher a comer com a mão esquerda. Num país como Portugal isso não é digno de reparo, mas o mesmo não sucede num país muçulmano. A higiene corporal dos muçulmanos realiza-se com a mão esquerda, pelo que utilizá-la para comer é considerado nojento.

 gesto de aprovação ou desprezo

A imagem exibe um gesto que para diversos povos, como por exemplo os portugueses e os norte-americanos, exprime aprovação e deleite. Em França, contudo, é uma forma simbólica de dizer a alguém que não vale nada, que é um “zero à esquerda”. Para os alemães simboliza o recto, pelo que a sua utilização em muitos contextos pode ser considerada insultuosa.

Obama saudação

Em muitos países, nomeadamente da Europa, o gesto da imagem significa “alto aí”,  “não, obrigado” ou uma saudação. Contudo, na África Ocidental quem o fizer estará a dizer “tens cinco pais”, ou seja, “és um bastardo”.

gesto italiano

Colocar o dedo indicador da mão direita na bochecha e depois rodá-lo é habitual nalgumas regiões italianas. Esse gesto exprime aprovação e não é usado em nenhum outro lugar do mundo.

soldados egípcios de mãos dadas

Na Índia e em países muçulmanos, como por exemplo a Arábia Saudita e o Egipto, é habitual os homens andarem de mão dada. Tal comportamento é socialmente relacionado com amizade e companheirismo e não com homossexualidade.

Bibliografia:

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa.

Richard T. Schaefer, Sociologia, 6ª edição, McGraw-Hill, 2006, São Paulo.

Luís Rodrigues, Filosofia – volume 1, 10 º ano, Plátano Editora, 2007, Lisboa.

Segunda-feira, 24 de Janeiro de 2011

Rostos eloquentes

Ao expressar as emoções que sentimos comunicamos com as outras pessoas, mesmo que não pronunciemos nenhuma palavra. O nosso rosto fala por nós.

mulher soldado no Afeganistão   

menino triste      lula irritado

expressão facial de nojo          psico medo

charlot apaixonado chaplin

Comunicação não verbal: a expressão facial da emoção

A comunicação não verbal, por vezes chamada linguagem corporal, é o envio de mensagens através de expressões faciais, gestos, movimentos corporais e até tons de voz.

Nalguns casos esses sinais não verbais complementam e reforçam o que é dito pelas palavras: por exemplo, quando dizemos “não” e simultaneamente abanamos a cabeça. Noutros casos os sinais não verbais contrariam o que é dito pelas palavras: por exemplo, quando uma pessoa diz a outra “amo-te” mas não a consegue fitar nos olhos e desvia repetidamente o olhar.

Um dos aspectos mais relevantes da comunicação não verbal é a expressão de emoções através de expressões faciais.

«É evidente que temos um vasto reportório de expressões emocionais, sendo a maior parte delas transmitida pela face. Sorrimos, rimos, choramos, ficamos carrancudos, arreganhamos e rangemos os dentes. Serão alguns destes padrões expressivos inatos e comuns a todas as pessoas?

Num estudo realizado por Paul Ekman, fotografaram-se actores americanos exprimindo emoções como o medo, a raiva e a alegria. Essas fotografias foram mostradas a membros de diferentes culturas, tanto letradas (suecos, japoneses e quenianos) como pré-letradas (membros de uma tribo isolada da Nova Guiné que se encontram pouco mais avançados do que as culturas da Idade da Pedra. Quando se lhes pediu que identificassem as emoções representadas nas fotografias, todos os grupos emitiram juízos muito semelhantes.

Os resultados foram idênticos quando se inverteu o processo. Pediu-se aos neoguineenses que representassem facialmente as emoções adequadas a várias situações simples – como a alegria causada pelo regresso de um amigo, o desgosto pela morte de um filho e a raiva no início de uma luta. Mostraram-se fotografias destas representações a estudantes universitários americanos, que rapidamente interpretaram as emoções que os neoguineenses tentaram transmitir.

Ekman estudo facial-expression homem da nova guiné

Estes resultados levam a pensar que algumas expressões emocionais podem ser comuns a toda a espécie humana.

Tal hipótese está de acordo com observações realizadas em crianças cegas de nascença. Essas crianças choram, riem e sorriem em resposta a condições essencialmente iguais àquelas que desencadeiam essas reacções em crianças normais. Na realidade, o mesmo é verdade até em relação a crianças cegas e surdas de nascença. Seria difícil sustentar a ideia de que estas crianças aprenderam as expressões emocionais, uma vez que as suas vias sensoriais (visual e auditiva) nunca estiveram operacionais. (…)

sorriso em crianças cegas de nascença

Essas expressões emocionais têm o papel de sinais sociais através dos quais comunicamos aos outros os nossos estados interiores – uma forma de transmitir informação sobre aquilo que é provável que façamos a seguir.

Estes resultados não implicam que o sorriso e outras expressões emocionais não sejam afectados pelas convenções sociais. Segundo certos relatos, os chefes melanésios encaram-se muito carrancudamente quando se encontram em ocasiões festivas e diz-se que as mães dos samurais sorriam ao saber que os filhos tinham morrido em combate. Mas estes factos não infirmam a hipótese de que [pelo menos algumas] expressões faciais são sinais sociais inatos; mostram apenas que esses sinais podem ser disfarçados a posteriori e artificialmente alterados. A criança japonesa é ensinada a manter um sorriso de boa educação, independentemente do que possa sentir. Pelo menos em parte, passou a estar sob controlo voluntário: pode ser voluntariamente apresentado ou suprimido. As condições particulares em que esse artifício entra em jogo dependem da cultura.

Alguns dados empíricos apoiando este ponto de vista provêm de um estudo de Paul Ekman em que se apresentou a sujeitos experimentais japoneses e norte-americanos um filme documental impressionante (com imagens chocantes) sobre um rito de puberdade primitivo, sendo as suas expressões faciais registadas por uma câmara escondida. Os resultados mostraram que, quando viam o filme sozinhos, as reacções faciais dos sujeitos experimentais japoneses e norte-americanos eram essencialmente idênticas. Mas os resultados traduziam a existência de grandes diferenças entre os dois grupos quando os sujeitos viam o filme na companhia de um experimentador de bata branca. Nesta condição experimental, os japoneses mostraram-se mais educados e sorriam mais que os norte-americanos.»

Estudo de Ekman e Friesen expressão facial

estudo de Ekman

Texto e 2ª e 3ª imagens  retirados de:

Henry Gleitman, Psicologia, Gulbenkian, 1993, Lisboa, pp. 458-460.

Sábado, 22 de Janeiro de 2011

Os grupos sociais e a interacção social

Os grupos sociais diferem uns dos outros devido a vários factores, nomeadamente os objectivos que pretendem alcançar e a natureza das interacções sociais que ocorrem no seu seio.

professores do liceu de Faro em 1955

Esplanada do Café Aliança em Faro

Doca e saveiros

estafeta passando o testemunho passar o testemunho estafeta

 pontapé sorrateiro

Quinta-feira, 20 de Janeiro de 2011

Uma insensatez muito sensata

Canção: “Insensatez”, de Tom Jobim, cantada por Fernanda Takai.

Quarta-feira, 19 de Janeiro de 2011

Desinteressados e interessados

1950 rebeldes curdos fuzilados em 1979 em Sanadajno Irão

«Durante milénios o mundo foi semelhante a essas pinturas italianas da Renascença onde, sobre as lajes frias, são torturados homens enquanto outros olham para outro lado na distracção mais perfeita. O número dos «desinteressados» era vertiginoso em comparação com o dos interessados. O que caracterizava a história era a quantidade de pessoas que não se interessavam pela desgraça dos outros. Algumas vezes os desinteressados também se tornavam vítimas. Mas passava-se tudo no meio da distracção geral e uma coisa compensava a outra. Hoje toda a gente faz menção de se interessar. Nas salas do palácio as testemunhas voltam-se de súbito para o flagelado.»

Albert Camus, em 1996, nos Cadernos III (lido aqui).

tortura no Iraque tropas dos EUA

Legenda das fotografias: segregação racial nos EUA, em 1950; fuzilamento de rebeldes curdos no Irão, em 1979; e tortura de um prisioneiro iraquiano praticada por soldados americanos.

Exemplos visuais de interacção social

As imagens a seguir apresentadas ilustram diferentes situações de interacção social.

Para compreender o conceito de interacção social veja os seguintes posts:

Interacção social: À espera que chegue a minha vez
Interacção social e expectativas recíprocas
Interacção social e expectativas desencontradas

Hopper summer evening noite de verão.sized

Noite de Verão: Quadro do pintor americano Edward Hopper.

criança com deficiência física com os seus colegas de classe           alunos cegos

Criança com deficiência física acompanhado dos colegas de classe e alunos cegos na escola.

Army Patrol, Northen Ireland. c. 1971.

Irlanda do Norte, 1971.

Rosa Parks on the bus

Rosa Parks num autocarro em Montgomery, em 1956.

arriving for nassers funeral cairo 30 sept 1970

Comboio apinhado de egípcios que vão assistir ao funeral de Nasser, em 1970.

Mais fotografias belas e interessantes aqui.

Terça-feira, 18 de Janeiro de 2011

A Internet em números

Sabe quantos sites existem actualmente na Internet? E quantos emails foram enviados em 2010?

Aqui pode encontrar a resposta a essas perguntas e vários outros dados numéricos interessantes (e impressionantes) sobre a Internet.

(Agradeço ao aluno Pedro Cardoso, do 12º F, a informação sobre o sítio referido.)

Segunda-feira, 17 de Janeiro de 2011

Não desistas!

Ia apressado e não vi bem a cara da mulher, mas a voz dela a falar com alguém ao telemóvel ainda era audível alguns metros depois:
- Estás a dizer-me para não desistir? Estás a pedir para eu não desistir?





Canção: Don't Give Up, de Peter Gabriel, cantada pelo próprio e por Kate Bush.

Ficha de trabalho: estatuto e papel social

1. Analise os exemplos a seguir apresentados e identifique os estatutos: adquiridos ou atribuídos? Se algum dos exemplos poder ser interpretado de modo diferente consoante as circunstâncias, indique.

A. Criança;

B. Rei;

C. Ministro das Finanças;

D. Nobre;

E. Filho;

F. “Professor que se esforçou para terminar um curso superior a fim de executar a sua função”;

G. Brâmane (casta da Índia);

H. Presidente da República;

I. Negro;

J. Príncipe herdeiro;

K. “Actor de teatro que teve uma excelente representação em palco e que, para tal, trabalhou bastante o papel que lhe foi destinado”;

L. Drogado;

M. Médico;

N. “Arrumador” de automóveis;

O. Avô;

P. Deputado;

Q. Mulher;

R. Dalai Lama;

S. Capitão da equipa de futebol do Real Madrid;

T. “Nascer rico”;

U. Candidato à Presidência da República.

2. Identifique se nas situações seguintes existe multiplicidade de papéis, conjunto de papéis ou conflito de papéis. No caso de existir conflito de papéis diga qual é.

A. A Laurinda é a crítica cinematográfica do jornal da escola. Planeava ir ver, num certo sábado, o filme “O Milagre segundo Salomé” de modo a escrever um artigo, mas a sua amiga Júlia telefonou-lhe pedindo ajuda para fazer uns trabalhos de casa inadiáveis – o que ocupou a tarde toda. Depois telefonou-lhe o namorado com uma crise de ciúmes e de agudas angústias juvenis. As horas passaram e a Laurinda não conseguiu ir ver o filme.

B. O Yuri é um futebolista português a actuar num clube espanhol e que defronta nas competições europeias um clube português de que é adepto.

C. O Manuel é director da empresa e controla todos os sectores. Tem dois assessores: o Bruno para a área das vendas e a Filomena para a contabilidade. A Júlia é a secretária.

D. O Zé é poeta (talvez um pouco amador), aluno do 12º ano, membro do clube de teatro da escola e – nas suas próprias palavras – “carrega o fardo da adolescência”.

E. A Vera é uma mãe que, perante uma asneira muito grave do filho, quer por um lado apoiá-lo mas por outro lado considera que deve censurá-lo e responsabilizá-lo.

Exemplos de multiplicidade e conjunto de papéis

image

Nota: no esquema, onde se lê “crença religiosa” deve ler-se “crente religioso”.

Peter Worsley, Introdução à Sociologia, 5ª edição, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1983, pág. 291.

Os papéis sociais

Um papel social é aquilo que se espera de alguém que tem um certo estatuto social. É o conjunto de deveres ou funções que a pessoa tem. Por exemplo: espera-se que um professor explique as matérias, que avalie os alunos, etc.

O que compete a um certo papel social pode estar formalmente definido num regulamento ou estabelecido de modo informal nas tradições de uma sociedade.

Cada pessoa desempenha vários papéis. Uma mesma pessoa pode ser mulher, mãe, esposa, filha, amiga, professora, sindicalista, etc. Quando a diversidade de papéis diz respeito aos vários papéis que uma mesma pessoa desempenha costuma designar-se multiplicidade de papéis.

Quando a diversidade de papéis diz respeito a papéis relacionados entre si, mas desempenhados por pessoas diferentes, costuma designar-se conjunto de papéis. Por exemplo: avô, avó, pai, mãe, filho.

Num conjunto de papéis podem existir conflitos. Por exemplo: os desentendimentos entre pais e filhos relativamente à duração do estudo e às horas para regressar a casa.

Numa multiplicidade de papéis também podem existir conflitos: por vezes os diferentes papéis envolvem exigências difíceis de compatibilizar umas com as outras. Por exemplo: o papel de professor pode ser difícil de compatibilizar com o papel de pai, se a pessoa em causa não tiver condições de trabalho.

Podem também ocorrer conflitos entre as diferentes exigências de um mesmo papel. Nesse caso, é um conflito intrapapel. Por exemplo: em certas circunstâncias um professor pode hesitar entre penalizar um erro do aluno ou valorizar o facto de ele ter tentado responder.

Bibliografia:

Peter Worsley, Introdução à Sociologia, 5ª edição, Publicações Dom Quixote, Lisboa, 1983, pp. 287-291.

Domingo, 16 de Janeiro de 2011

Desistir de Portugal?

manifestação imigrantes em Portugal «Nos últimos três anos, quadruplicaram os pedidos de imigrantes residentes em Portugal para regressar aos seus países de origem, referem dados do Centro Nacional de Apoio ao Imigrante (CNAI) de Lisboa. (…) O desemprego e a dificuldade em obter vínculos sociais estáveis, estão entre os principais motivos que levam os imigrantes a desistir de Portugal».

Notícia do jornal Público. Clique para ler mais.

A notícia não fala disso, mas há também cada vez mais portugueses com vontade de ir embora. Suponho até que o seu número tenha aumentado muito nos últimos meses, devido ao espectáculo  triste e desesperante que os políticos portugueses têm dado perante a crise económica e durante a campanha eleitoral para as eleições presidenciais. A evidência de que não vale a pena ter esperança nem no governo nem na oposição talvez não seja suficiente para um português desistir de Portugal, mas é uma boa razão para querer emigrar.

Sábado, 15 de Janeiro de 2011

A história da Internet

“History of the Internet” é um filme Melih Bilgil.

Olhar ruidoso

Helena Almeida Ouve-me Política? Negócios? Trabalho? Educação? Filosofia? Ciência? Amizade? Amor?

Fotografia de Helena Almeida, encontrada não sei onde.

Quinta-feira, 13 de Janeiro de 2011

Internet: entusiasmo e pessimismo

Segundo Anthony Giddens (ver o post Internet: expectativas e receios), relativamente à Internet existem duas categorias principais de opiniões: as entusiásticas e as pessimistas.

O vídeo seguinte (cujo narrador é o escritor de ficção científica Philip K. Dick, autor da novela Do Androids Dream of Electric Sheep?, que deu origem ao filme Blade Runner) pertencem manifestamente à primeira categoria. (Agradeço à Victoria Zoriy, do 12º E, a sugestão do vídeo.)

Já os cartoons seguintes são bastante mais pessimistas.

2009-04-11-conversation.hallmark

Face book cyberdog

controlo internet

Internet: expectativas e receios

«A difusão da Internet por todo o mundo suscitou questões importantes aos sociólogos. A Internet está a transformar os contornos do quotidiano, esbatendo as fronteiras entre o global e o local, apresentando novos canais para comunicação e interacção, e permitindo cada vez mais a execução de tarefas quotidianas online. Porém, ao mesmo tempo que fornece novas e excitantes oportunidades para explorar o mundo social, a Internet também ameaça minar as relações humanas e as comunidades. Embora a “era da informação” ainda esteja a dar os primeiros passos, muitos sociólogos debatem as complexas implicações da Internet para as sociedades (…).

As opiniões sobre os efeitos da Internet na interacção social dividem-se em duas grandes categorias.

Por um lado, encontram-se aqueles que vêem o mundo online como espaço de criação de novas formas de relacionamento electrónico que realçam ou complementam interacções face-a-face existentes. Enquanto viajam ou trabalham fora do país, os indivíduos podem utilizar a Internet para comunicar regularmente com amigos e parentes em casa. A distância e a separação tornam-se mais toleráveis. A Internet também permite a formação de novos tipos de relacionamento: utilizadores online “anónimos” podem encontrar-se em salas de chat e discutir tópicos de interesse mútuo. Estes cibercontactos às vezes evoluem para o estabelecimento de amizades exclusivamente online, ou resultam mesmo em encontros face-a-face. Muitos utilizadores da Internet tornaram-se parte de comunidades online, comunidades qualitativamente diferentes daquelas que habitam no mundo físico. Os académicos que vêem a Internet como um complemento positivo à interacção humana, argumentam que esta expande e enriquece as redes sociais das pessoas.

No entanto, nem todos os académicos têm uma posição tão entusiástica. À medida que as pessoas despendem cada vez mais tempo a comunicar online e a realizar as suas tarefas diárias no ciberespaço, é provável que passem menos tempo a interagir uns com os outros no mundo físico. Alguns sociólogos receiam que a expansão da Internet conduza a um aumento do isolamento social e da atomização, argumentando que, como efeito do acesso crescente à Internet nos lares, as pessoas despendem menos “tempo de qualidade” com as suas famílias e amigos. A Internet está a usurpar a vida doméstica, já que são pouco claras as fronteiras entre o trabalho e a casa: muitos empregados continuam a trabalhar em casa a altas horas – consultando o correio electrónico ou terminando tarefas que não conseguiram terminar durante o dia. O contacto humano reduz-se, os relacionamentos pessoais ressentem-se, formas tradicionais de entretenimento, como o teatro ou os livros, são marginalizadas, e o tecido social vai-se fragilizando.

Como podemos avaliar estas posições contrastantes? Existem certamente elementos de verdade em ambos os lados do debate. A Internet está, sem dúvida, a alargar os nossos horizontes, e apresenta oportunidades sem precedentes para estabelecer contacto com outros. No entanto, o ritmo frenético da sua expansão também representa desafios e ameaças a formas tradicionais de interacção humana. Irá a Internet transformar radicalmente a sociedade num domínio fragmentado e impessoal onde os seres humanos raramente se aventuram fora das suas casas, perdendo a capacidade de comunicar? Parece improvável. Há cerca de cinquenta anos atrás, expressaram-se receios muito semelhantes face ao aparecimento da televisão no cenário dos media. Na sua obra Multidão Solitária (1961), uma influente análise sociológica da sociedade americana nos anos 50, David Reisman e os seus colegas preocuparam-se com os efeitos da TV sobre a família e a vida comunitária. Embora alguns dos seus receios tivessem sentido, também é verdade que a televisão e os mass media têm enriquecido o mundo social.

Tal como aconteceu antes com a televisão, a Internet tem suscitado tanto expectativas como receios. Será que vamos perder as nossas identidades no ciberespaço? Iremos ser dominados pela tecnologia dos computadores em vez de sermos nós a dominá-los? Irão os seres humanos refugiar-se num mundo online anti-social? A resposta a estas perguntas é quase de certeza “não”.»

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pág. 475-476.

Internet de banda larga nas escolas fez as notas baixarem?

jovens alunos na internetNotícia do Jornal de Negócios, lida aqui:

«A introdução de banda larga nas escolas - uma das bandeiras dos executivos de José Sócrates na política de educação - teve um impacto negativo generalizado nas notas dos exames nacionais de português e matemática do 9.° e 12.° anos, com maior impacto nos rapazes do que nas raparigas. Esta é a principal conclusão de um artigo recente assinado por Rodrigo Belo, Pedro Ferreira e Rahul Telang da Carnegie Mellon University e das universidades Técnica e Católica.
No estudo "Impact of Broadband in Schools: Evidence from Portugal" - que será submetido em breve para publicação na revista "Review of Economics and Statistics" e que foi apresentado na semana passada no ISEG -, os autores escrevem que "em média, as notas baixaram cerca de 7,7% entre 2005 e 2008 e cerca de 6,3% entre 2005 e 2009 devido ao uso de banda larga".
A explicação é simples: "o nosso argumento central para um declínio no desempenho dos estudantes é o de que a banda larga cria distracções", escrevem. Este efeito é mais sentido entre rapazes do que entre raparigas,o que vai ao encontro "de um inquérito que indica que é mais provável os rapazes dedicarem-se a actividades que os distraiam do que as raparigas"

O estudo sugere que a introdução da banda larga nas escolas teve um impacto negativo no aproveitamento dos alunos. Talvez… Mas qual terá sido o impacto no aproveitamento escolar da introdução da banda larga nos agregados familiares? No caso de alguns alunos meus conhecidos esse impacto foi muito negativo, mas não quero generalizar, pois a amostra é pequena e pouco representativa.

Domingo, 9 de Janeiro de 2011

Mais Internet

internet globalSegundo a Pordata, no ano de 2002, em 26,8% dos agregados domésticos portugueses havia computador, e em 15,1% deles havia ligação à Internet. Em 2010 as percentagens eram, respectivamente, de 59,5% e 53,7%.

Muitas pessoas, nomeadamente jovens, já passam mais tempo na Internet do que a ver televisão. Um estudo recente efectuado nos EUA mostra que, entre os jovens (de 18-30 anos) norte-americanos, a Internet ultrapassou a televisão como fonte de notícias; noutras idades a televisão continua a ser o meio mais procurado, mas o número de pessoas que procura a Internet para se informar tem aumentado. 

Como é óbvio, a Internet tem muitas outras funções além dessa, que está longe de ser a principal razão que leva as pessoas a navegarem na rede. A música, os filmes e séries, os jogos e as redes sociais são razões muito mais populares. Mas, por isso mesmo, é significativo que até a procura de notícias tenha aumentado.

Não conheço dados relativamente  a Portugal, mas é plausível que a tendência descrita também cá ocorra.

O crescimento da Internet faz, naturalmente, aumentar a sua influência como agente de socialização. Mas que tipo de influência é essa? Como pode ser descrita? O que é dito aqui, aqui, aqui, aqui e aqui,  será exagero?

Jornal ou TV?

mulher lendo o jornal Segundo a Pordata, em 2005, 98,8% dos agregados familiares portugueses tinham televisão (hoje em dia a percentagem é provavelmente maior), embora só 79,9% tivesse aspirador, 92,1% máquina de lavar roupa e  34,7% máquina de lavar loiça.

Para se perceber a influência da televisão como agente de socialização é útil comparar esses números (e os dados do post A dose diária de televisão em Portugal, sobre o consumo diário de televisão em Portugal) com o baixo número de jornais vendidos em Portugal. Por exemplo: nos primeiros dez meses do ano de 2010 O Correio da Manhã vendeu, em média, 126 719 jornais por dia, e o Público 33 923. (Mais informações aqui.)

A dose diária de televisão em Portugal

televisão antiga

“Durante o primeiro semestre de 2010, cada português viu, em média, por dia, em sua casa, 3 horas, 27 minutos e 58 segundos de televisão.  (…)

Os maiores consumidores deste meio são, por região, os residentes no Sul, com 3h41m18s (mais 6.4%  do que a média do universo); por classe social, os indivíduos da classe baixa, com 4h15m40s (mais 22.9% do que a média do universo); por sexo, as mulheres, com 3h44m57s (mais 8.2% do que a média do universo); por idade, os indivíduos com mais de 64 anos, com 5h04m13s (mais 46.3% do que a média) e, por situação no lar, as donas de casa, com 4h11m55s (mais 21.1% do que a média).

Pelo contrário, as crianças e os jovens até aos 34 anos e os indivíduos das classes sociais alta e média alta são os que apresentam os índices de audiência de televisão mais baixos.”

Mais informações aqui, no site da Marktest.

Uma curiosidade, tendo em conta a idade dos alunos do 12º ano: os indivíduos entre os 15 e os 24 anos viram  em média, por dia, 2 horas, 38 minutos e 59 segundos de televisão.

Quinta-feira, 6 de Janeiro de 2011

Testes de Sociologia sobre o objecto de estudo, as metodologias e a Cultura

Eis os testes de avaliação que apliquei no primeiro período, no presente ano lectivo. As respectivas matrizes podem ser encontradas aqui e aqui. Espero que possam ser úteis a alguns leitores. Recordo que as sugestões e as críticas são bem-vindas.

1º teste Sociologia objecto de estudo e método 2010

 

2º teste de sociologia metodologias e cultura 2010

Quarta-feira, 5 de Janeiro de 2011

Porque é que quase ninguém gosta de poesia? - 3

Amar o perdido
deixa confundido
este coração.

Não pode o olvido
contra o sem sentido
apelo do Não.

As coisas tangíveis
tornam-se insensíveis
à palma da mão.

Mas as coisas findas,
muito mais que lindas,
essas ficarão.

Carlos Drummond de Andrade

via

Terça-feira, 4 de Janeiro de 2011

Lutar ou desistir

slogan da celula comunista do banco inglês  Via

O difícil é lutar quando o desistir é fácil… Ideologias aparte, é um excelente conselho! Mas… e quando desistir é ainda mais difícil do que lutar? E quando desistir é melhor do que lutar?

Segunda-feira, 3 de Janeiro de 2011

Agentes de socialização: amigos, falsos amigos e malta da mesma idade

Os grupos de pares são agentes de socialização muito influentes.

Após ver os vídeos faça duas listas com exemplos ilustrativos dessa influência.

Excerto do filme Aniki Bóbó, realizado por Manoel de Oliveira, em 1942.

 

Trailer do filme Christiane F (Wir Kinder vom Bahnhof Zoo), realizado por Ulrich Edel, em 1981.

Agentes de socialização: Ruca e Gabriela

Os meios de comunicação social, nomeadamente a televisão, são agentes de socialização muito influentes.

Após ver os vídeos faça duas listas com exemplos ilustrativos dessa influência.

O Ruca Varre as Folha é um episódio da série de TV infantil Ruca (Caillou, no original). 

 

Excerto da telenovela brasileira Gabriela (baseada no romance homónimo de Jorge Amado, e exibida com muito sucesso no Brasil, em 1975, e em  Portugal, em 1977).

gabriela sónia braga  A actriz Sónia Braga, no papel de Gabriela, na telenovela referida.

Sábado, 1 de Janeiro de 2011