A comunicação não verbal, por vezes chamada linguagem corporal, é o envio de mensagens através de expressões faciais, gestos, movimentos corporais e até tons de voz.
Nalguns casos esses sinais não verbais complementam e reforçam o que é dito pelas palavras: por exemplo, quando dizemos “não” e simultaneamente abanamos a cabeça. Noutros casos os sinais não verbais contrariam o que é dito pelas palavras: por exemplo, quando uma pessoa diz a outra “amo-te” mas não a consegue fitar nos olhos e desvia repetidamente o olhar.
Um dos aspectos mais relevantes da comunicação não verbal é a expressão de emoções através de expressões faciais.
«É evidente que temos um vasto reportório de expressões emocionais, sendo a maior parte delas transmitida pela face. Sorrimos, rimos, choramos, ficamos carrancudos, arreganhamos e rangemos os dentes. Serão alguns destes padrões expressivos inatos e comuns a todas as pessoas?
Num estudo realizado por Paul Ekman, fotografaram-se actores americanos exprimindo emoções como o medo, a raiva e a alegria. Essas fotografias foram mostradas a membros de diferentes culturas, tanto letradas (suecos, japoneses e quenianos) como pré-letradas (membros de uma tribo isolada da Nova Guiné que se encontram pouco mais avançados do que as culturas da Idade da Pedra. Quando se lhes pediu que identificassem as emoções representadas nas fotografias, todos os grupos emitiram juízos muito semelhantes.
Os resultados foram idênticos quando se inverteu o processo. Pediu-se aos neoguineenses que representassem facialmente as emoções adequadas a várias situações simples – como a alegria causada pelo regresso de um amigo, o desgosto pela morte de um filho e a raiva no início de uma luta. Mostraram-se fotografias destas representações a estudantes universitários americanos, que rapidamente interpretaram as emoções que os neoguineenses tentaram transmitir.
Estes resultados levam a pensar que algumas expressões emocionais podem ser comuns a toda a espécie humana.
Tal hipótese está de acordo com observações realizadas em crianças cegas de nascença. Essas crianças choram, riem e sorriem em resposta a condições essencialmente iguais àquelas que desencadeiam essas reacções em crianças normais. Na realidade, o mesmo é verdade até em relação a crianças cegas e surdas de nascença. Seria difícil sustentar a ideia de que estas crianças aprenderam as expressões emocionais, uma vez que as suas vias sensoriais (visual e auditiva) nunca estiveram operacionais. (…)

Essas expressões emocionais têm o papel de sinais sociais através dos quais comunicamos aos outros os nossos estados interiores – uma forma de transmitir informação sobre aquilo que é provável que façamos a seguir.
Estes resultados não implicam que o sorriso e outras expressões emocionais não sejam afectados pelas convenções sociais. Segundo certos relatos, os chefes melanésios encaram-se muito carrancudamente quando se encontram em ocasiões festivas e diz-se que as mães dos samurais sorriam ao saber que os filhos tinham morrido em combate. Mas estes factos não infirmam a hipótese de que [pelo menos algumas] expressões faciais são sinais sociais inatos; mostram apenas que esses sinais podem ser disfarçados a posteriori e artificialmente alterados. A criança japonesa é ensinada a manter um sorriso de boa educação, independentemente do que possa sentir. Pelo menos em parte, passou a estar sob controlo voluntário: pode ser voluntariamente apresentado ou suprimido. As condições particulares em que esse artifício entra em jogo dependem da cultura.
Alguns dados empíricos apoiando este ponto de vista provêm de um estudo de Paul Ekman em que se apresentou a sujeitos experimentais japoneses e norte-americanos um filme documental impressionante (com imagens chocantes) sobre um rito de puberdade primitivo, sendo as suas expressões faciais registadas por uma câmara escondida. Os resultados mostraram que, quando viam o filme sozinhos, as reacções faciais dos sujeitos experimentais japoneses e norte-americanos eram essencialmente idênticas. Mas os resultados traduziam a existência de grandes diferenças entre os dois grupos quando os sujeitos viam o filme na companhia de um experimentador de bata branca. Nesta condição experimental, os japoneses mostraram-se mais educados e sorriam mais que os norte-americanos.»
Texto e 2ª e 3ª imagens retirados de:
Henry Gleitman, Psicologia, Gulbenkian, 1993, Lisboa, pp. 458-460.