Sábado, 29 de Janeiro de 2011

Espaço pessoal e género

«Existem diferenças culturais na definição do que é o espaço pessoal. Na cultura Ocidental, a maior parte das vezes as pessoas mantêm uma distância de pelo menos um metro quando se envolvem numa interacção focada com outros. Quando se encontram lado a lado, podem permanecer um pouco mais próximas umas das outras. No Médio Oriente, as pessoas geralmente permanecem mais próximas do que é aceitável no Ocidente. Os ocidentais que visitam essa parte do mundo sentem-se provavelmente desconcertados com esta inesperada proximidade física.

Edward T. Hall, que trabalhou extensivamente sobre formas não verbais de comunicação, distingue quatro zonas de espaço privado. A distância íntima (até cerca de meio metro) é reservada a muitos poucos contactos sociais. Somente os envolvidos em relações que permitam o contacto regular com o corpo – como pais e filhos ou amantes – operam nesta zona de espaço privado. A distância pessoal (de cerca de meio metro até metro e meio) é a distância normal em encontros com amigos e conhecidos. É permitida alguma intimidade de contacto, mas tende a ser estritamente limitada. A distância social (de cerca de metro e meio até três metros e meio) é a zona normalmente estipulada para contextos formais de interacção, como entrevistas. A quarta zona é a distância pública (para além dos três metros e meio) preservada por aqueles que actuam perante uma assistência.

(…) As zonas mais sensíveis são as das distâncias íntima e pessoal. Se estas zonas forem invadidas, as pessoas tentam readquirir o seu espaço. Por vezes olhamos para alguém como quem diz ‘saia daqui!’ ou empurramo-lo. Nos casos em que as pessoas são forçadas a uma proximidade maior do que a considerada desejável, pode ser estabelecido um certo tipo de fronteira física, como quando um leitor, numa mesa de biblioteca apinhada, demarca fisicamente o espaço privado, empilhando livros a delimitar o seu espaço.

É preciso notar que as questões de género desempenham aqui um papel, mais ou menos à semelhança do que se passa com outras formas de comunicação não verbal. Os homens gozam tradicionalmente de maior liberdade em relação às mulheres no que diz respeito ao uso do espaço – por exemplo, movimentos no espaço pessoal de mulheres de que podem não ser necessariamente íntimos. Um homem que leva uma mulher pelo braço quando passeiam lado a lado, ou que coloca a mão na cintura da mulher quando a acompanha até à porta, pode ter estes gestos como sinal de cortesia ou boa educação. No entanto, o fenómeno contrário – uma mulher que invade o espaço pessoal de um homem – é muitas vezes visto como um engate ou insinuação sexual.»

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pp. 97-99.

No vídeo pode-se ver “O que tu queres sei eu”, um conhecido sketch dos Gato Fedorento , que ilustra humoristicamente a ideia de que as mulheres têm menos liberdade que os homens na gestão do espaço pessoal.

3 comentários:

Anónimo disse...

http://www.thefinnishingtouches.com/wp-content/uploads/2010/11/finnish-at-a-bus-stop.jpg
finlandeses na paragem de autocarro

Sofia disse...

Que tipo de distância é que uma mulher que vai ao ginecologista tem com o médico?

Sofia disse...

Que tipo de distância é que uma mulher que vai ao ginecologista tem com o médico?