Na sessão de hoje do Clube de Cinema da ESPR pode ver, às 17 horas, o filme "Cães Vadios" de Marziyeh Meshkini. Mais informações aqui, no blogue do clube.
Quarta-feira, 27 de Outubro de 2010
Cinema na ESPR: Cães Vadios
Na sessão de hoje do Clube de Cinema da ESPR pode ver, às 17 horas, o filme "Cães Vadios" de Marziyeh Meshkini. Mais informações aqui, no blogue do clube.
Experimentação
“Uma experiência [ou experimentação] pode ser definida como uma tentativa de testar uma hipótese em condições altamente controladas, estabelecidas pelo investigador.
As experiências são muito usadas nas ciências naturais (…). Quando comparado com as ciências naturais, o campo para esta técnica de investigação em sociologia é muito mais limitado. Só se podem levar pequenos grupos de pessoas para um laboratório e nessa situação as pessoas sabem que estão a ser estudadas e podem comportar-se de modo diferente do normal.
Apesar disso, os métodos experimentais podem de vez em quando ser utilmente utilizados em sociologia [e, sobretudo, em Psicologia]. Um exemplo é uma experiência engenhosa levada a cabo pelo psicólogo Philip Zimbardo, que montou uma prisão simulada, atribuindo a estudantes voluntários o papel de guardas prisionais e de prisioneiros. O seu objectivo era ver até que ponto o desempenho destes papéis diferentes conduzia a mudanças de atitude e de comportamento. Os resultados chocaram os investigadores. Aqueles que faziam de guardas assumiram uma atitude autoritária, demonstrando hostilidade em relação aos “presos”. Começaram a dar-lhes ordens, a agredi-los verbalmente e a maltratá-los. Os “presos”, pelo contrário, demonstraram uma atitude misto de apatia e de rebelião, que se pode identificar muitas vezes em situações reais entre prisioneiros. Estes efeitos foram tão marcados e o nível de tensão tão elevado que a experiência teve de ser cancelada. Apesar disso, os resultados foram importantes. Zimbardo concluiu que o comportamento nas prisões é mais influenciado pela natureza da própria situação de estar preso do que pelas características individuais daqueles que estão envolvidos.”
Anthony Giddens, Sociologia, 3ª edição, Lisboa, 2002, F. C. Gulbenkian, pág. 646.
Domingo, 24 de Outubro de 2010
O modo de perguntar
Sexta-feira, 22 de Outubro de 2010
Na Lua, literalmente
Segundo o Público, a “Lua tem água, muita água escondida nas suas crateras mais escuras, onde a luz do Sol nunca chega, suficiente para sustentar uma colónia humana – se alguma vez ela existir”. Ainda assim, o dia em que um sociólogo poderá estudar as interacções sociais, certamente peculiares, numa tal colónia não parece próximo.
Por isso, o interesse da Lua para a Sociologia continuará, provavelmente durante muito tempo, a ser o seu significado – literal e simbólico - para as diversas sociedades humanas. Como veremos em breve, quando chegarmos ao capítulo da Cultura, a Lua é representada de maneiras muito diferentes pelo mundo fora, tanto no presente como no passado.
Músicas a condizer: “Song to the moon”, de Antonín Dvorák; “Alabama Song (Whisky Bar)”, pelos DOORS.
A fotografia, de Bela Vingler, mostra a Estação Espacial Internacional a passar em frente à lua. (Encontrada aqui.)
Quarta-feira, 20 de Outubro de 2010
Para compreender a crise
Nos tempos que correm, mesmo quem não percebe nada de economia deve prestar-lhe alguma atenção e fazer um esforço de compreensão. Isso não impedirá a crise económica de bater à sua porta, mas permitir-lhe-á ao menos compreendê-la.
O blogue Desmitos, do economista Álvaro Santos Pereira, é um bom sítio para os leigos fazerem esse esforço, pois alia o rigor (reconhecido por especialistas) à clareza da linguagem.
Terça-feira, 19 de Outubro de 2010
Conta comigo
Fotografia: “Me and My Father”, de Phillip Toledano – aqui.
Música a condizer: “Stand by me”, interpretada pelos U2 e por Bruce Springsteen.
Segunda-feira, 18 de Outubro de 2010
Área de Projecto, educação para a cidadania e coisas afins
Uma opinião interessante sobre a educação para a cidadania e sobre disciplinas sem conteúdos como Área de Projecto (que não é oficialmente considerada uma disciplina mas sim uma “área curricular”). Aqui.
Para ajudar a enquadrar não é má ideia ler também aqui e aqui.
Quarta-feira, 13 de Outubro de 2010
Procrastinação à portuguesa
Segundo os Gato Fedorento, a principal causa do “atraso de Portugal”, nomeadamente na educação e na saúde, é a procrastinação.
Hoje, ao sair do Hospital às doze e dez após uma consulta marcada para as nove horas, pensei - muito seriamente - que o valor dessa explicação talvez não seja apenas humorístico.
Se não sabe o que é procrastinar não procrastine mais e veja aqui e aqui.
Agradeço ao João Martins, meu aluno de Sociologia, a sugestão do sketch.
(Vídeo: sketch ‘O procrastinador implacável’, do episódio 8 do programa Zé Carlos, dos Gato Fedorento.)
Domingo, 10 de Outubro de 2010
Histórias de vida: explicação e exemplo
«As histórias de vida consistem a recolha de material biográfico sobre determinados indivíduos, o qual é normalmente narrado pelos próprios. Nenhum outro método de investigação fornece tantos pormenores sobre o desenvolvimento das crenças e atitudes das pessoas ao longo do tempo. No entanto, os estudos baseados nas histórias de vida raramente dependem apenas das recordações das pessoas. Normalmente, recorre-se a fontes documentais – cartas, relatórios contemporâneos ou descrições jornalísticas – para ampliar e verificar a validade da informação fornecida. (…)
As histórias de vida têm sido utilizadas com sucesso em importantes estudos. Um estudo célebre que utilizou muito este material foi The Polish Peasant in Europe and America, de W.I. Thomas e Florian Znaniecki, cujos cinco volumes foram originalmente publicados entre 1918 e 1920. Thomas e Znaniecki conseguiram uma visão mais sensível e subtil da experiência da emigração do que teria sido possível sem as entrevistas, cartas e artigos de jornal que recolheram.»
Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pág. 652.
Mais informação sobre as histórias de vida na Infopédia.
Eis agora um exemplo breve e simples de uma história de vida.
Breve História de Vida -António Manuel Gouveia de Almeida
A “Breve História de Vida de António Manuel Gouveia de Almeida” foi encontrada aqui, algures no site da Universidade de Lisboa.
Sábado, 9 de Outubro de 2010
A saúde mental de alguns portugueses
«Recentemente, ficámos a saber, através do primeiro estudo epidemiológico nacional de Saúde Mental, que Portugal é o país da Europa com a maior prevalência de doenças mentais na população. No último ano, um em cada cinco portugueses sofreu de uma doença psiquiátrica (23%) e quase metade (43%) já teve uma destas perturbações durante a vida. (…)
E hesito em prescrever antidepressivos e ansiolíticos a quem tem o estômago vazio e a cabeça cheia de promessas de uma justiça que se há-de concretizar; e luto contra o demónio do desespero, mas sinto uma inquietação culposa diante destes rostos que me visitam diariamente.»
Pedro Afonso (médico psiquiatra), no jornal Público de 2010-06-21.
Citei o princípio e o fim do texto. Pelo meio o autor refere diversos factores que podem ameaçar a saúde mental dos portugueses, começando na violência da TV e dos videojogos e acabando na miséria e nas desigualdades sociais e económicas. O problema é que a descrição e a compreensão (mesmo que rigorosas) das causas de um problema não diminuem por si só as suas consequências negativas, nomeadamente o sofrimento que provoca. Daí os “antidepressivos e ansiolíticos”.
Pode ler a crónica inteira por exemplo aqui, se é que algum amigo ou colega não lha enviou já por email.
Sexta-feira, 8 de Outubro de 2010
A ONDA – cinema na ESPR
Na próxima quarta-feira, dia 13 de Outubro, o Clube de Cinema da Escola Secundário de Pinheiro e Rosa exibe o filme A ONDA, de Dennis Gansel.
Não vi o filme, mas, a avaliar pelo trailer e pela sinopse, parece ser muito interessante.
A história do filme parece ter alguma relação com a célebre experiência em que o psicólogo social Philip Zimbardo simulou, com um grupo de estudantes universitários, as condições de vida de uma prisão. Os resultados, como pode ver aqui, foram surpreendentes e assustadores.
O filme pode fornecer exemplos úteis para diversos capítulos do programa de Sociologia, nomeadamente a Socialização e a Ordem e Controlo Social.
Sinopse:
Alemanha, nos dias de hoje. No âmbito da Área de Projecto, o professor de liceu Rainer Wenger (Jurgen Vogel) propõe uma experiência, para explicar aos seus alunos como é que funcionavam os governos totalitários. Começa assim um jogo de personagens, cujos resultados serão trágicos. Ao fim de algum tempo, o que começou com inofensivas noções sobre disciplina e vivência em comunidade transforma-se num verdadeiro movimento: "A Onda". Ao terceiro dia, os estudantes começam a ostracizar-se e a ameaçarem-se uns aos outros. Quando o conflito finalmente estala em violência, o professor decide interromper a experiência. Mas é demasiada tarde. "A Onda" está fora de controlo...
Ficha Técnica:
Realização: Dennis Gansel
Com: Jürgen Vogel, Frederick Lau, Max Riemelt
Género: Drama
Distribuição: Ecofilmes/Vitória Filme
Classificação: M/16
Alemanha, 2008
Duração: 101 minutos
Data de estreia nacional: 8 de Janeiro de 2009
Para mais informações contactar os professores André Ramos e Sara Carvalho, do Clube de Cinema.
Entrevistas à escolha
Tarefa: escolher um entrevistado e criar um guião de entrevista. Para escolher o entrevistado analise as imagens e escolha uma: o seu entrevistado será a pessoa referida na legenda.
Que pensará a mãe daquela brincadeira?
Em que terá pensado o fotógrafo?
Guião de entrevista: um exemplo
Guião para entrevista aos pais elaborado pelos Serviços de Psicologia e de Orientação do Agrupamento de Escolas D. Dinis, de Leiria. (Via)
Nota: habitualmente os guiões contêm uma breve introdução onde se explica o que se pretende com a entrevista.
Quarta-feira, 6 de Outubro de 2010
Pode suceder a mim, a ti ou a outra pessoa qualquer
Quando ouvimos alguns especialistas pronunciarem-se acerca da depressão e do desespero, da doença e da pobreza, esses problemas parecem coisas distantes e abstractas que só acontecem a pessoas que não conhecemos. Mas isso é uma ilusão. Viva-se ou não num período de crise económica ou pessoal, os problemas podem cair em cima de mim, dos meus amigos e familiares, do meu vizinho, do meu colega ou da pessoa vagamente familiar que fugazmente vejo na rua quando passo de automóvel. Virar a cara para o lado e fingir que não é nada comigo, não é, portanto, solução.
Virar a cara para o lado e fingir que não é nada connosco não é solução. Quer isso seja feito pelo governo, pela administração de uma instituição ou pela pessoa X ou Y. E só em termos muito imediatos é que é o caminho mais fácil.
Música a condizer: Nocturno nº 7 de Chopin, interpretado por Sequeira Costa.
Desenho e pintura de Vincent Van Gogh. Fotografia encontrada aqui (desconheço o autor).
Terça-feira, 5 de Outubro de 2010
Inquérito por questionário
Um inquérito por questionário é uma técnica de recolha de informação. É constituído por um conjunto estruturado e pré-definido de questões (fechadas, abertas ou semiabertas/semifechadas).
Divide-se habitualmente em duas partes principais:
- Cabeçalho.
- Conjunto de questões.
Esse conjunto de questões costuma por sua vez dividir-se em:
- Questões de caracterização sociográfica.
- Questões temáticas.
É necessário ter diversas precauções na formulação das questões e das instruções. Eis algumas:
1. As instruções devem ser claras e precisas.
2. Tanto quanto possível deve fazer-se perguntas fechadas ou, pelo menos, semifechadas.
3. Evitar perguntas vagas e de interpretação subjectiva.
4. Quando se pede ao inquirido para escolher apenas uma das respostas-tipo estas devem ser mutuamente exclusivas.
5. Evitar linguagem valorativa.
6. Formular as perguntas com clareza e correcção linguística.
7. Evitar perguntas tendenciosas e que induzam as respostas.
8. Evitar incluir na mesma pergunta mais do que um aspecto.
9. Fazer perguntas sobre os principais aspectos do problema em estudo. Não deixar tópicos relevantes de lado.
10. Evitar fazer demasiadas perguntas, para que o questionário não se torne demasiado longo.
11. As questões mais difíceis ou melindrosas devem ser deixadas para o final.
12. Deve incluir-se algumas questões de controlo para verificar a veracidade das respostas noutras partes do questionário.
Há ainda outras precauções, algumas das quais são referidas na página 48 do Manual adoptado na escola: Sociologia em Acção – 12º ano, de António Pombo, João Teixeira Lopes e outros.
Bibliografia:
Pombo, António, e outros, Sociologia em Acção – 12º ano, 2009, Porto, Porto Editora.
Carmo, Hermano, e Ferreira, Manuela, Metodologia da Investigação – Guia para auto-aprendizagem, 1998, Lisboa, Universidade Aberta.
Quivy, Raymond, e Campenhoudt, Luc Van, Manual de Investigação em Ciências Sociais, 1998, Lisboa, Gradiva.
Segunda-feira, 4 de Outubro de 2010
Sábado, 2 de Outubro de 2010
Mais música
Ainda a propósito do Dia Mundial da Música, sugiro a audição do pianista Sequeira Costa, que ontem à noite tocou obras de Chopin em Faro.
Em audição: o Nocturno nº 8 de Chopin, interpretado por Sequeira Costa.
Sexta-feira, 1 de Outubro de 2010
Dia Mundial da Música
Hoje é o Dia Mundial da Música. Para celebrar, a melhor canção de todos os tempos e um poema cheio de música, infelizmente triste.
MEIA IDADE
Agora, em pleno Inverno, o monótono
passeio a pé, Nova Iorque
penetra através dos meus nervos,
enquanto caminho
nas ruas apinhadas.
Aos quarenta e cinco,
e a seguir, a seguir?
Em cada esquina,
encontro o meu Pai,
com a minha idade, ainda vivo.
Pai, perdoa-me
as minhas ofensas,
como eu perdoo
aqueles que
tenho ofendido!
Nunca subiste
ao Monte de Sião, deixaste porém
pegadas
de dinossauro na crosta
onde devo caminhar.
Robert Lowell
Poema descoberto aqui.
Outra celebração do Dia Mundial da Música, aqui.










