Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

Quase, quase pobres

Aproximadamente um terço das famílias portuguesas, vivem numa espécie de “limbo”: não são pobres mas não têm o suficiente para viver bem.

Foi agora feito um estudo sobre o fenómeno, de acordo com uma notícia do jornal Público.

«São gente vulgar. Não estão classificados oficialmente como pobres, a maioria ainda não perdeu o emprego, têm filhos a cargo e uma dificuldade comum em conseguir chegar ao fim do mês sem percalços de maior.
Um estudo da Tese - Associação para o Desenvolvimento, que será hoje apresentado em Lisboa, mostra quem são e como vivem estas "famílias-sanduíche" - uma noção aplicada a agregados que beneficiam de "demasiados recursos para aceder a prestações sociais", mas que experimentam particulares dificuldades" em conseguir responder às despesas usuais.
Os adultos que integram estes agregados ganham por mês entre 379 e 799 euros - estão por isso acima do limar da pobreza, uma linha que separa quem ganha mais ou menos do que 60 por cento do rendimento médio - e representam 31 por cento dos agregados residentes em Portugal. Outros 20,1 por cento estão classificados como pobres.»

Infelizmente essa situação de quase pobreza pode afectar famílias com rendimentos superiores aos 800 euros, caso tenham contraído empréstimos para pagar a casa e o carro ou tenham despesas fixas de saúde.

Ver também aqui.

Domingo, 20 de Junho de 2010

Imagens sociológicas: amizade, amor e… felicidade

Pedi aos alunos do 12º E para escolherem uma imagem e escreverem um breve texto com uma explicação sociológica. Eis os trabalhos do Eurico Graça, da Kelly Salgado, nº 18, do Ricardo Pinto, e da Daniela Pinto , nº 8, a quem agradeço.

I

grupo de amigos

Eurico Graça

II

casal de recém casados

Esta imagem representa um casal recém-casado a sair de uma igreja. Estão contentes por terem contraído o matrimónio e por se terem ligado emocional e sexualmente um ao outro. O amor é - sem aprofundar muito - uma atracção física e psicológica que dois indivíduos sentem um pelo outro.

O amor romântico nem sempre esteve presente na nossa sociedade. Surgiu nas Cortes europeias no século XVIII e era quase sempre uma relação extra-matrimonial, e só recentemente se generalizou no mundo ocidental.

Kelly Salgado

 

 

 

III

casal de namorados

 

A noção de amor romântico é uma noção popularizada principalmente desde o século XIX, na cultura ocidental. Até então podemos dizer que o amor conjugal raramente existia. Os casamentos tinham um carácter quase contratual, geralmente para obter benefícios económicos e, por isso, as pessoas procuravam o amor e a felicidade em relações adúlteras ou viviam sem isso. Actualmente, dá-se muito mais importância às emoções e à ligação que se cria entre o casal, sendo que os casamentos são uniões livres. Presentemente, em Portugal e nos outros países ocidentais, o romance está por toda a parte: nos filmes que vemos, nos livros que lemos, na música que ouvimos e nos sonhos que temos.

(Foto: Emmily Shaw)

Ricardo Pinto

IV

casamento de Ellen DeGeneres

A Família é um importante tema estudado em Sociologia; com diferentes estruturas e dimensões, como as famílias monoparentais ou reconstituídas. Ao longo do tempo, estas têm vindo a mudar devido à alteração de hábitos e mentalidades. Actualmente, surgem novos conceitos de família, como a família homossexual, por exemplo, que é constituída por duas pessoas do mesmo sexo. Este é, ainda, um tema controverso, mas que já atingiu um maior reconhecimento na nossa sociedade. Hoje em dia o casamento homossexual é legal, embora ainda não seja completamente aceite por todos, nota-se já alguma mudança de mentalidades.

Na imagem podemos ver um célebre caso de um casal lésbico que finalmente conseguiu casar (Ellen DeGeneres, uma famosa comediante e a sua mulher Portia).

Daniela Pinto

Imagens sociológicas: discriminação e pobreza

Pedi aos alunos do 12º E para escolherem uma imagem e escreverem um breve texto com uma explicação sociológica. Eis os trabalhos da Patrícia Modesto, nº24, do André Jesus, nº 3, da Adriana Formosinho, nº 1, e da Tatiana Maia, nº 26, a quem agradeço.

I

mulher indiana pobre

O sistema de castas na Índia é actualmente um tipo de estratificação social que melhor representa a desigualdade entre as populações. Embora inexistente nas grandes cidades, as zonas rurais ainda constituem âmagos de descriminação e exclusão social devido à hierarquização feita pela sociedade através deste sistema.

Por ser considerado endogâmico, ou seja, as pessoas só podem casar-se com pessoas da mesma casta, é muito rara a mobilidade social, verificando-se mais descendências do que ascendências.

Os dalits, também denominados por “intocáveis”, constituem a base da hierarquia da sociedade Hindu e por não serem considerados filhos do deus Brahma, desempenham os mais indignos trabalhos: limpadores de fossas sanitárias, coveiros e carniceiros.

Vivendo em condições precárias e sem qualquer tipo de saneamento, a fome torna-se um flagelo inimigo da sobrevivência.

Foto

Patrícia Modesto

II

 

menino negro chorando

Uma das realidades mais tristes, mas ainda assim marcadamente presente na nossa sociedade, é a discriminação racial. Num mundo que se tem vindo a transformar bastante nas últimas décadas, a diversidade cultural é um fenómeno com que todos nós lidamos no nosso quotidiano. Apesar da evolução das mentalidades ter vindo a sofrer alterações positivas, ainda existe muita discriminação racial por esse mundo fora.

O exemplo clássico da aculturação por destruição aplicada pelos norte-americanos brancos aos índios, eliminando por completo os valores e tradições destes, foi um acto de puro racismo, que se relaciona com o chamado etnocentrismo cultural (uma cultura considerar-se superior a todas as outras), uma das principais vertentes do racismo.

Também a socialização e a influência que a sociedade tem nos nossos comportamentos podem explicar este horror. Exemplificando, um americano branco nascido na década de 30/40 tinha grandes probabilidades de se tornar racista, influenciado pelas características da cultura da sociedade em que estava enquadrado.

Igualmente a reprodução social (transmissão, sem alterações significativas, dos mesmos valores e normas culturais, de geração em geração) constitui um factor de peso nas atitudes racistas. Um pai racista pode facilmente transmitir essa sua característica para os filhos, podendo esta transmissão ir-se continuamente realizando, de família em família, de geração em geração!

Saber ser tolerante e respeitar os outros, independentemente da sua raça, é uma virtude que ainda nem todos possuem. Numa luta incessante contra um flagelo universal, o fim, apesar de mais perto, está ainda muito longe de ser alcançado.

André Jesus

III

 

menino

Esta imagem retrata o racismo, sendo este um preconceito ridículo da sociedade. As pessoas racistas dão demasiada importância à existência das raças humanas, discriminando os grupos ou povos que não possuem certas características, consideradas “ideais”, ou que não pertencem aos grupos étnicos considerados “superiores”.

Este preconceito persiste há séculos apesar de estar a diminuir geração após geração. Esta imagem pretende ainda mostrar que somos todos iguais (em direitos, apesar das características distintas) e é assim que nos devemos comportar, deixando a discriminação para trás.

Adriana Formosinho

 

IV

clip_image002[8]Hoje em dia fala-se de pobreza em Portugal e muitas pessoas dizem que passamos por dificuldades. A verdade é que a maior parte da população portuguesa tem o privilégio de poder ter uma casa em condições, comida em cima da mesa à hora da refeição, o que em certos pontos do Mundo não é possível de acontecer. Como sabemos, em África muitas das pessoas não têm casa, nem uma refeição, vivem com a pobreza como se fosse a sua casa sem ter para onde fugir, onde se esconder do mal do mundo. Acima de tudo, estas crianças esperam conseguir fugir durante o maior tempo possível da sua pior inimiga: a morte. Esta chega silenciosa sem que ninguém dê por ela, demorada e dolorosa para os que sofrem. No entanto, para o resto do Mundo industrializado esta realidade é apenas uma coisa entre outras, tendo a insensibilidade de assistir sem fazer nada.

Tatiana Maia

Imagens sociológicas: direitos humanos

Pedi aos alunos do 12º E para escolherem uma imagem e escreverem um breve texto com uma explicação sociológica. Eis o trabalho da Maria Elisa Diogo, nº 20, a quem agradeço.

Presos da Penitenciária Maula World Press Photo 06 – Fotografia: João Silva

[Presos da Penitenciária Maula em Lilongwe, Malawi (África do Sul) a dormir no chão. (World Press Photo 06 – Fotografia: João Silva).]

Nesta fotografia são bem visíveis as condições precárias em que os presidiários dormem. A prisão de Maula encontra-se sobrelotada de tal que forma que a única maneira dos presidiários dormirem é esta que vemos na fotografia: amontoados, utilizando os corpos uns dos outros como cama.

Esta fotografia representa um claro exemplo de um problema social universal que é a violação dos direitos humanos. Os direitos humanos são conjuntos de leis que exprimem os direitos e liberdades de um ser Humano para que este possa ter uma vida digna, ou seja, que não seja considerado inferior ou superior aos outros porque é de um sexo diferente, porque pertence a uma etnia ou religião diferente, ou até mesmo por pertencer a um determinado grupo social.

Através da curta definição acima escrita (ou até mesmo através do nosso senso comum), podemos facilmente perceber que os direitos humanos daqueles homens na fotografia são claramente violados. Com recurso à Carta Universal dos Direitos Humanos, podemos ver mais pormenorizadamente os artigos que são infringidos: Ninguém será submetido a tratamento desumano ou degradante, Todas as pessoas têm o direito à privacidade, entre outros.

Infelizmente a violação dos Direitos Humanos é um problema social comum hoje em dia. Embora se tenham feito evoluções positivas nas últimas décadas, definitivamente ainda há muito a fazer e prova disso é esta foto tirada recentemente (2006) e muitas outras fotos que encontrei relativamente a este tema.

Maria Elisa Diogo

Imagens sociológicas: socialização e reprodução social

Pedi aos alunos do 12º E para escolherem uma imagem e escreverem um breve texto com uma explicação sociológica. Eis os trabalhos da Ana Filipa Santos, nº30, da Carla Caboz, nº 5, e do Jailson Embaló , nº 14, a quem agradeço.

I

“Ajudem-nos a crescer para concretizar os nossos sonhos”

Ajudem-nos a crescer para concretizar os nossos sonhos

A socialização é o processo de aprendizagem da cultura (costumes, normas e valores) da sociedade em que estamos inseridos, bem como dos modelos de comportamentos, e a integração na mesma. Neste processo, são inculcados modos de pensar, de agir e de sentir, adoptados por quem os aprende, como se pode verificar na imagem: as crianças sonham em ser o que conhecem, o que os pais, em conjunto com outros agentes de socialização, lhes ensinaram. Esta imagem representa também, por isso, a reprodução social, ou seja, a transmissão e aquisição de valores, normas e costumes sem alterações significativas e, por outro lado, a reprodução da estrutura social existente, com todas as suas desigualdades.

Ana Filipa Santos

II

Dani Davanso: pai mãe e bebé

A socialização primária é uma das fases mais importantes do ser humano. Acontece durante a infância e a família tem como principal função ensinar às crianças as regras mais básicas da sociedade, como falar correctamente a nossa língua, hábitos de higiene, ser educado e respeitar os outros, entre outras coisas.

Nem todos os pais ensinam os filhos da mesma maneira, cada pai escolhe o caminho que pensa ser o mais certo: se uns ensinam os filhos a ser civilizados, há outros pais que dão pouca importância a isso. São estes pequenos detalhes, estas pequenas aprendizagens, que marcam e ajudam a definir a personalidade da criança.

A socialização primária é extremamente importante para toda a vida, é o primeiro contacto com a sociedade e cabe à família a difícil tarefa de ajudar a criar um ser humano completo.

Carla Caboz

III

Tal pai tal filho

Tal pai tal filho: Tony e Mickael Carreira

Quando se fala de reprodução social tem-se em mente a transmissão de normas e valores culturais de geração em geração.

Uma reprodução é uma repetição da mesma coisa. A reprodução social consiste na transmissão e aquisição de valores, normas e costumes sem proceder a alterações significativas, sem inovar, sem mudar o legado recebido. Diz-se que os seres humanos são produtos e produtores da cultura. O conceito de reprodução social significa que muitos indivíduos não são produtores mas meros reprodutores da cultura que adquiriram no processo de socialização.

Um exemplo que ilustra essa ideia poderá ser o caso de Mickael Carreira, filho do cantor Tony Carreira. Este cresceu a ouvir as músicas do pai, acompanhou a sua carreira até o dia em que decidiu também pegar no microfone e “seguir as pisadas do pai”. Actualmente, conquistou tanta ou mais fama do que o próprio pai.

Jailson Embaló

Imagens sociológicas: cultura e contracultura

Pedi aos alunos do 12º E para escolherem uma imagem e escreverem um breve texto com uma explicação sociológica. Eis os trabalhos da Liliana Cavaco, nº19, e do Emanuel Castelo , nº 10, a quem agradeço.

I

mulher Mursi da Etiópia

Esta fotografia está relacionada com um tema sociológico que é a cultura (conjunto de costumes e normas que são aprendidas no seio de uma determinada sociedade). A mulher que está presente na fotografia faz parte da Tribo Mursi, na Etiópia. O costume desta tribo que é todas as mulheres devem cortar o lábio inferior para introduzir um disco até que o lábio chegue a uma extensão máxima. Costumam também fazer o mesmo no lóbulo da orelha. Com o passar dos anos, vão mudando o tamanho do prato e este é visto como um símbolo de beleza: quanto maior mais bonita é considerada a mulher. As pessoas desta tribo interiorizaram este costume e caso alguma não o siga fica mal vista aos olhos das outras pessoas da tribo.

Liliana Cavaco

II

 

HippiesDentro da cultura dominante da sociedade onde vivemos podemos encontrar várias subculturas que participam activamente na primeira, mas têm traços e formas de comportamento únicos. A par destas subculturas temos as contraculturas, cujos valores e comportamentos vão contra certos valores da cultura maior, podendo  gerar alguns conflitos.

O movimento Hippie é um dos melhores exemplos de contracultura: os membros desta comunidade rejeitavam os valores consumistas praticados pela sociedade onde estavam inseridos e lutavam por uma sociedade mais humana e mais preocupada com os problemas ecológicos.

Emanuel Castelo

Photo by: Alice Foxxx, Effects: Emanuel Castelo.

Imagens sociológicas: a violência doméstica

Pedi aos alunos do 12º E para escolherem uma imagem e escreverem um breve texto com uma explicação sociológica. Eis os trabalhos da Vera Massano, nº28, Nance Barracosa, nº 22, e Joana Frederico, nº 15, a quem agradeço.

I

Violência doméstica ameaça O número de queixas e denúncias de violência doméstica (ou intrafamiliar) tem vindo a aumentar de ano para ano. Numa família onde deveria haver afecto, muitas vezes há o contrário. As causas da violência doméstica podem ser externas ou internas. Externas se tiverem a ver com o álcool, droga, etc. Internas se tiverem a ver com a desigualdade de estatutos entre homens e mulheres, ou entre adultos e crianças. Este tipo de violência ainda acontece com muita frequência hoje em dia porque durante muito tempo, a violência doméstica foi tolerada, não tendo grande visibilidade pública. Hoje em dia, a visibilidade pública aumentou, pois a violência doméstica passou a ser um crime público em 2000. Apesar de ser um crime, são poucas as pessoas que denunciam o agressor, pois temem estar a fazer pior: receiam que este se sinta provocado e repita as agressões, receiam as ameaças do agressor, etc. Por isso, muitas vezes as vítimas, e outras pessoas que sabem o que se passa, não contam a ninguém. Nota-se também que hoje em dia os agressores são cada vez mais novos, e o que os motiva para fazerem tal coisa pode ter a ver com a recusa de pedido de divórcio ou do fim do namoro.

Vera Massano

II

mulher agredida

Vivemos numa época em que as desigualdades entre homens e mulheres são bastante reduzidas. No entanto, ainda existe uma submissão da mulher ao homem, que por vezes é invisível aos olhares dos outros.

Ainda existem mulheres que vivem num silêncio sufocante controladas e agredidas pelos maridos ou namorados, que não lhes concedem a liberdade que precisam. Impedidas pelo agressor de o denunciar vivem presas com correntes, correntes essas que só ele tem força para quebrar até ela ganhar força e coragem para finalmente também as quebrar, fazendo assim parte da minoria que teve coragem.

Muitas vezes, no meio do caos onde reina a violência é esquecido, tanto pela vítima como pelo agressor, aquele pequeno ser que está ali na sala ao lado a ver e a ouvir o desespero da mãe, esquecendo que, sem querer, ele pode estar a aprender que é assim que deve ser, que se deve humilhar e maltratar as mulheres ou que estas devem ceder à vontade do homem sem reagir. Quando não é esquecido, é também, espancado e silenciado da mesma forma ou até pior.

Apenas três hipóteses existem para estas mulheres: lutar pela liberdade e nunca desistir; esperar que o agressor mude de atitude e aguentar até lá (o que pode nunca vir a acontecer) ou permitir que o terror continue e ganhar a liberdade tão desejada para sempre, mas da forma mais dolorosa: a morte.

Nance Barracosa

III

Criança assiste a violência doméstica

O caso que podemos ver na imagem, é um dos muito vistos nos dias que correm. Muitas crianças hoje em dia são testemunhas silenciosas de um crime, que é o caso da violência doméstica, podendo condenar-lhes a futura vida enquanto adultos. Estas podem, em idade adulta, reproduzir aquilo que testemunharam ainda em crianças, podem tornar-se agressores ou vítimas. “A maioria destas crianças acaba por viver o drama familiar em silêncio, escondendo o crime por vergonha. Outras são forçadas ao silêncio pelo agressor ou vítima ” Tendem a ser crianças muito reservadas e muitas vezes o seu desempenho escolar é afectado.

 

Joana Frederico

Imagens sociológicas: a desigualdade entre homens e mulheres

Pedi aos alunos do 12º E para escolherem uma imagem e escreverem um breve texto com uma explicação sociológica. Eis os trabalhos da Brígida Martins, nº 4, da Diana Silva, nº9, e da Jacinta Rocha, a quem agradeço.

I

submissão à mulher

A discriminação sexual é um assunto que levanta polémica há várias décadas e que ainda assim não assentou por completo. Talvez um dia na nossa sociedade se consiga uma situação de igualdade entre homens e mulheres. Há sinais de que essa mudança social está de facto a acontecer e um dia todas as mulheres saberão impor realmente a sua igualdade perante os homens. Igualdade e não uma mera inversão de posições, como se vê nesta irónica imagem.

Brígida Martins

 

II

 

braço de ferro entre homem e mulher

A situação da mulher no trabalho foi sempre inferior à do homem.

Normalmente aos homens atribuem-se cargos mais elevados e funções de maior responsabilidade, ligadas a desempenhos menos rotineiros e aos quais correspondem melhores renumerações.

No caso das mulheres, um dos maiores obstáculos à sua progressão profissional é a maternidade, por esse motivo actualmente, a maior parte das mulheres tende a optar por uma maternidade mais tardia para poderem evoluir profissionalmente, de modo a poderem trabalhar em empregos renumerados fora de casa.

Embora, as funções tradicionalmente atribuídas aos homens tenham tendência para se abrir cada vez mais à mulheres, o que é certo é que ainda hoje existem diferenças muito significativas, não só a nível profissional mas também a nível social e político.

Diana Silva

III

 

senhora idosa fumando

Ao longo das últimas décadas, o papel da mulher tem sofrido uma grande evolução. Passou de doméstica e dona de casa a uma mulher mais autónoma e capaz de assegurar e reivindicar os seus direitos enquanto cidadã, procurando igualdade em relação aos homens na forma de estar, nos hábitos, na carreira profissional, entre outros aspectos.

A ideia de que “as mulheres só se querem na cozinha” foi mudando dia após dia. Começaram a frequentar locais públicos que antes eram unicamente frequentados por homens, como os cafés, clubes, etc. Passaram a conhecer novas formas de estar e até novos vícios, como o tabaco e o álcool.

As mulheres progrediram de tal forma que, nos dias de hoje, algumas ocupam os melhores cargos profissionais no mercado de trabalho, onde antigamente sofriam uma enorme discriminação, ainda que muitas delas fossem melhor qualificadas.

No entanto, ainda precisam de acontecer mais mudanças até se alcançar a igualdade.

Jacinta Rocha

Quarta-feira, 16 de Junho de 2010

Exigência, minha amiga

É, já foi ou vai ser, aluno do 12º ano? Quer ir para para a Universidade? Quer arranjar um emprego interessante e bem pago? Já lamentou a existência de exames? Já se congratulou pelo facto de em Portugal existirem pouquíssimos exames? Já se alegrou com o facto de nos últimos anos os exames nacionais se terem tornado muito mais fáceis do que eram?

Então clique aqui, leia e pense um pouco: talvez descubra que a exigência é melhor amiga que o facilitismo.

Segunda-feira, 7 de Junho de 2010

Diversidade: folclore português, ucraniano e romeno

A diversidade cultural que caracteriza as sociedades humanas tem múltiplas manifestações. O folclore é uma delas. Os alunos  Dahir Bauer, Joana Apolónia, Marta Ivanchyshyn e Alexandra Strat, do 12º E, escreveram acerca de danças folclóricas dos seus países e escolheram vídeos em que estas  são apresentadas por grupos folclóricos de méritos reconhecidos.

Este é um trabalho enquadrado no projecto BIA.

Folclore português

O Corridinho Algarvio - ‘Alma Algarvia’

O corridinho é a expressão máxima das danças populares algarvias. É através dele que os bailadores dos grupos folclóricos mostram as suas habilidades nas diversas escovinhas, peões, florestrias e sapateados.

O Folclore traduz-se na preservação das artes e ofícios, danças e cantares, etnografia e tradições de um dado povo ou região, e é através das danças que os grupos folclóricos se mostram às demais culturas, numa forma de difusão das artes tradicionais nos países por onde passam. O Folclore mostra, portanto, uma cultura que ainda hoje perdura, passando por diversas gerações.

Dahir Bauer, nº 6, 12ºE

 

O Baile Mandado

O Baile mandado é uma música tipicamente portuguesa e faz parte de um conjunto de músicas chamado “bailes de roda”.

A particularidade desta dança é o facto de ser guiada pelo mandador (cantor principal). Antigamente a dança podia prolongar-se por tempos indeterminados visto tudo depender da resistência da pessoa que dança e da inspiração de quem “manda”. Hoje em dia, os versos cantados, os passos, ou a ordem dos passos podem variar de grupo para grupo. O “mandador” dá instruções aos “bailadores” como por exemplo: “palminhas mãos ao ar” ou “a roda vamos formar”.

Na versão do Grupo Folclórico de Faro a dança começa com o par guia a formar roda, seguidamente forma-se uma roda que gira primeiramente para a direita e depois para a esquerda, depois bate-se palmas. Faz-se frente com o par (passo típico do “Baile Mandado”), os homens seguem em frente, passam uma mulher e agarram a seguinte. Ouve-se as palmas de novo, volta-se a formar roda, é nesta altura em que homens dão as mãos aos homens e mulheres dão as mãos ás mulheres formando um enredo de braços (este passo é exclusivo do “Baile Mandando”, não é executado em absolutamente mais nenhuma música), o objectivo deste entrelaçar é para que os homens consigam levantar as mulheres no ar, estas sentam-se nos respectivos braços. Batem-se palmas outra vez. Nesta altura o “mandador” diz: “Palminhas acabou e ninguém se enganou. A roda formou e em passeio a levou”, o homem dá o braço à mulher e a roda segue em frente. O par guia alinha os pares no meio do palco, os pares fazem frente e abrem um arco pelo qual todos os pares vão passar. Os pares continuam alinhados e batem palmas, os homens afastam-se para trás e as mulheres fazem exactamente o mesmo, formando duas linhas, uma de cada lado do palco. Um a um os pares unem-se e voltam-se a separar, agarrando-se de novo e formando fundo em meia-lua. Os pares batem palmas e a música termina.

Como uma forma de manifestação social, a dança, representa aspectos característicos da sociedade de onde é originária. No folclore português as características variam nos trajes, nos movimentos, na música e nos passos.

Em Portugal, eram organizados grandes arraiais com o objectivo de reunir toda a comunidade e de aproximar a população. Estes eventos serviam muitas vezes para encontros amorosos ou arranjos entre futuros noivos. Estas danças tradicionais eram efectuadas em cerimónias de todo o tipo.

As crianças, por sua vez, tinham também bailes de roda específicos, o que possibilitava uma interacção educativa entra as crianças.

Joana Apolónia, nº16, 12ºE

 

Folclore da Ucrânia: a dança Hopak

Do folclore fazem parte, além de muitas outras tradições e práticas, as danças tradicionais. Metaforicamente, pode-se dizer que o folclore é a “cara” do seu país.

A Ucrânia, tal como Portugal ou qualquer outro país, tem várias danças folclóricas características.

O folclore ucraniano engloba várias danças tais como Pryvit, Vétchir Ú Poli, Tchumak, Lavrivska Polka, Kozatchók, Bukovenskii u Vesilha, Hopak.

Contudo, Hopak é a mais conhecida e a mais caracterizadora do país. Esta é conhecida pela destreza e habilidade com que os rapazes executam os seus passos, mas também pela beleza e suavidade dos passos femininos. É esta conjunção que torna esta dança tão popular e admirada, dando imenso orgulho ao país.

Marta Ivanchyshyn, nº 21, 12ºE

 

Folclore da Roménia

O folclore faz parte da cultura romena há mais de 500 anos, mas com o passar dos anos sofreu várias mudanças ao nível de vestuário, da dança e das músicas. É verdade que as mais antigas tradições e os mais antigos costumes populares foram transmitidos de geração em geração, no entanto para a maioria dos jovens de hoje em dia o folclore pertence ao passado.

O grupo apresentado no vídeo chama-se “Calusarii” e é proveniente do sul da Roménia. É composto por 9-11 rapazes e é organizado hierarquicamente. Tem um capataz que conduz a dança e os outros obedecem-lhe. Durante a dança, há uma pessoa disfarçada, que não fala e não dança, mas sanciona aqueles que erram os passos e, às vezes, faz alguns gestos cómicos. É chamado “o mudo”. Em algumas ocasiões, os rapazes usam sinos nas pernas e um pau nas mãos para espantar os maus espíritos.

Por trás da dança, também existe uma parte espiritual. Os mais velhos criaram os fatos de acordo com as lendas populares, nas quais ainda hoje acreditam. Os mais novos, por seu turno, criaram passos mais difíceis e mais rápidos.

O próprio nacionalismo é expresso através dos fatos e dos versos das canções. Normalmente, o folclore é presente nas festas nacionais onde as pessoas manifestam o quanto estão orgulhosas de poderem mostrar algo que os antepassados transmitiram.

Alexandra Strat,nº2, 12ºE

Domingo, 6 de Junho de 2010

O Véu Pintado: uma análise sociológica

Começámos as aulas de Sociologia vendo o filme O Véu Pintado, de John Curran, baseado no romance homónimo de Somerset Maugham. Pedi aos alunos para o analisarem de um ponto de vista sociológico. O melhor trabalho foi da Daniela Pinto, do 12º E.

No filme é retratada a vida de Kitty, que, tendo crescido na sociedade britânica dos anos 20 do século XX, onde o papel da mulher era casar, servir o marido, e nunca trabalhar, é educada exclusivamente para tal.o véu pintado Edward Norton, Naomi Watts Era a irmã mais velha, portanto tinha o dever de casar primeiro que as suas irmãs. Mas isso acabou por não acontecer, transformando-a num fardo para os pais. Sentindo-se nessa obrigação, aceita o pedido de casamento de Walter Fane, um bacteriologista, que a amava.  Apesar de o amor de Walter não ser correspondido por Kitty acabam por se casar. A partir deste caso pode-se ver como a sociedade influencia os nossos comportamentos, pois Kitty casa-se na esperança de fugir dos pais e das suas críticas e represálias, ou seja, da pressão que estes exerciam para que ela formasse uma família e saísse de casa. Com efeito, nessa época, as mulheres que não se casavam eram mal vistas, pois acreditava-se que tinha que ser o marido - e não os pais ou elas próprias - a sustentá-las e que estas deviam ficar em casa a fazer as tarefas domésticas e a cuidar das crianças. Como tal, a sua educação foi baseada nessa ideia, sendo-lhe inculcado que os seus interesses e necessidades eram diferentes dos do marido.

Pode-se dizer que Kitty caiu numa ratoeira, pois ela própria interiorizou a ideia de que uma mulher tem de ser uma esposa dedicada ao marido e fazer tudo por ele, mesmo que para isso tenha que abdicar dos seus sonhos e gostos. Essa ideia aparece no filme quando eles se mudam para uma aldeia remota da China devastada pela cólera, e a própria Kitty afirma que aquele lugar não era para uma mulher. Mesmo sendo o seu casamento uma farsa, Kitty continua a seguir Walter, apenas para evitar o escândalo do divórcio. Aí podemos ver até onde vai a influência que os costumes de uma sociedade podem exercer sobre as pessoas. A pressão social sobre Kitty tornou-se tal que, mesmo não amando Walter, se acomoda a uma vida sem amor.

Na altura, o casamento podia ser uma forma de ascensão social, na medida em que, se duas pessoas de classes diferentes se casassem, a da classe inferior ascendia à classe superior, mas tal era raro acontecer. Kitty foi mais uma das “vítimas” dessa influência, embora tivesse consciência do seu erro: casou com alguém que não amava e, por isso, todo o seu casamento tinha sido uma farsa.

Depois da morte de Walter, Kitty regressa a Londres, onde retoma a sua vida com o filho, mas mostra-lhe agora o caminho certo, tentando contrariar um pouco os costumes da época. Pois nem sempre os costumes de uma sociedade são os mais correctos, mesmo que uma grande maioria de pessoas os siga.

Na minha opinião o filme é um bom retrato da época e dos costumes com que se regia a população. Mostra como as mulheres eram “manipuladas” pela sociedade, como isso diminuía as suas possibilidades relativamente aos homens e como uma das poucas maneiras de se afirmarem na sociedade era através do casamento. Mostra também como os bailes e outros eventos sociais eram importantes para os cidadãos, e como estes podiam mudar os comportamentos dos indivíduos. Outro aspecto exibido no filme é a grande diversidade cultural que existia (assistimos em muitos momentos ao confronto entre os valores e costumes ingleses e os valores e costumes chineses). O filme mostra, em suma, a enorme importância da sociedade na nossa vida.

Por último, o filme tem também uma importante componente histórica (pois a sua narrativa cruza-se com acontecimentos da história política da China).

Daniela Pinto

Porque é que sou quem sou?

Num dos testes fiz esta pergunta aos alunos: “Porque é que é a pessoa que é? Responda a essa pergunta tendo em conta os conceitos sociológicos que considerar relevantes.”

A melhor resposta foi dada pela aluna Ana Filipa Santos, do 12º E. Ei-la:

A pessoa que sou é resultado da socialização que tive e que ainda tenho. A socialização é a aprendizagem da cultura de uma sociedade, ou seja, é a aprendizagem dos costumes, das normas e dos valores de uma sociedade e a posterior integração nessa sociedade.

A socialização é a interiorização que cada indivíduo faz das normas e dos valores de uma determinada sociedade ou de um determinado grupo, bem como dos modelos de comportamento; é a inculcação que o indivíduo faz das formas de pensar, de agir e de sentir da sociedade ou do grupo em que está integrado. Ora, eu sou uma rapariga portuguesa, que reconhece e segue frequentemente as normas, ou seja, as regras que me foram incutidas: tento sempre ser pontual e assídua, e irrita-me saber que vou chegar atrasada a algo, devido a forças exteriores a mim, por exemplo. Também me foram transmitidos valores, ideais, como a honestidade ou a justiça e tento sempre ser o mais justa e possível, apesar de não querer nem gostar de magoar as pessoas. As normas e os valores que me foram maioritariamente incutidos na infância, pela minha família e pelos educadores de infância, bem como pela televisão, fazem parte da socialização primária: a aprendizagem dos elementos mais básicos e menos específicos de uma cultura. As aprendizagens que fiz da minha língua materna, o Português, e das regras de vestuário e de higiene, aconteceram durante a socialização primária. Depois, ao longo do meu crescimento, deparei-me com outras situações mais específicas, como a entrada numa escola nova ou, até mesmo, a memorização de um novo horário escolar: esta é a socialização secundária, ou seja, é a aprendizagem de situações menos elementares e mais concretas ao longo da vida, a partir da infância, apesar de também poder ocorrer durante a infância – como aprender se se deve ou não vestir bata no infantário, por exemplo.

Continuando, todas as coisas que aprendi, foram aprendidas através dos mecanismos de socialização: a aprendizagem e a identificação. Desde pequena que me ensinaram o correcto e o errado, as normas e os valores da minha cultura, que deviam e devem inspirar os meus comportamentos. Aprendi também a imitar, a copiar o que as outras pessoas fazem: se via alguém fazer algo, normalmente, fazia o mesmo que a outra pessoa, como lavar os dentes ou comer com talheres. O outro mecanismo de socialização que referi, é a identificação: identificar-se com alguém é querer ser como ela; ao identificar-me com a minha mãe, aprendi o que é ser mulher e mãe, entre outras coisas; também aprendi com o meu pai o que é ser homem, visto que ele é representativo desse estatuto e papel social, embora me identifique de forma diferente com cada um (sou uma rapariga, não um rapaz).

Os agentes de socialização também influenciaram e influenciam bastante quem eu sou, principalmente, os meios de comunicação e o grupo de pares. Os meios de comunicação transmitem imensos valores (bons e maus), bem como imensa informação que adquiro e sigo. A televisão traz-nos imensas séries, maioritariamente americanas, que me influenciam: gosto das personagens, do que representam, quero ser como elas, além de que me ensinam determinados valores e determinadas normas e, consequentemente, algumas sanções. A imagem e a beleza são muito valorizadas pelos meios de comunicação e é algo que me afecta, por vezes, negativamente. O grupo de pares obviamente que me influencia, uma vez que é com ele que troco ideias, valores e visto que é com os meus amigos que discuto, aprendo e vivo.

Concluindo, a pessoa que sou, depende da aprendizagem que me “enfiaram” na cabeça e essa aprendizagem já faz parte de mim, sendo determinante para a minha integração social.

Ana Filipa Santos