Sexta-feira, 30 de Abril de 2010

A desigualdade de oportunidades no trabalho: má sorte ser mulher!

“Oferta de emprego” é um pequeno filme acerca da desigualdade entre homens e mulheres no mundo do trabalho e da discriminação de que as mulheres ainda são alvo. Foi produzido pela CITE – Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego e pode ser encontrado aqui.

Agradeço ao meu aluno Eurico Graça, do 12º E, que me falou do filme e o colocou no YouTube – facilitando assim a incorporação do vídeo no blogue e promovendo a sua divulgação. Obrigado, Eurico!

Quarta-feira, 28 de Abril de 2010

O que nunca é dito quando se fala de multiculturalismo ou interculturalidade

Mulher lapidada lapidação Lapidação de homem Somália

«Lapidação ou apedrejamento é uma forma de execução de condenados à morte. Meio de execução muito antigo, consistente em que os assistentes lancem pedras contra o réu, até matá-lo. Como uma pessoa pode suportar golpes fortes sem perder a consciência, a lapidação pode produzir uma morte muito lenta. (…) Até hoje essa pena ainda é praticada em alguns países muçulmanos. Apesar de o Corão não mencionar a lapidação como pena, a Lei islâmica aplicada em certos países justifica essa prática por relatos da vida de Maomé.»

Wikipédia, Lapidação.

Clique aqui para ler uma opinião relevante sobre essa prática.

Não consegui descobrir a origem da primeira fotografia, que mostra uma mulher a ser lapidada. A segunda fotografia mostra um homem, acusado de adultério, a ser lapidado na Somália, em 2009.

Violência doméstica: as crianças vêem

Segundo o jornal Público, «mais de 13 mil crianças assistiram no ano passado a actos de violência entre os pais. São testemunhas silenciosas de um crime que lhes pode condenar o futuro: em adultos transformam-se muitas vezes em agressores ou vítimas, repetindo o que viram na infância.

Em quase metade dos casos de violência doméstica participados às autoridades no ano passado estava presente, pelo menos, um menor. As contas apontam para mais de 13.800 crianças e jovens, mas a investigadora Ana Sani lembra que os números da violência doméstica são apenas “indicadores” de uma realidade mais dramática. “Se não se conhece ao certo quantas são as vítimas, muito mais difícil é saber quantas são as crianças que assistem”, disse. (No ano passado, as forças de segurança receberam 30.543 queixas de violência doméstica.)

A observação destes episódios deixa marcas graves e pode replicar o fenómeno: “Há um processo de aprendizagem em que se identificam com uma das figuras parentais, tornando-se mais tarde vítimas ou agressores. Normalmente verifica-se uma transferência de geração para geração”, explica Helena Sampaio, psicóloga da Associação Portuguesa de Apoio à Vítima (APAV).

A maioria destas crianças acaba por viver o drama familiar em silêncio, escondendo o crime por vergonha. Outras são forçadas ao silêncio pelo agressor ou vítima, sublinha a psicóloga. No entanto, alertam as especialistas, os sinais estão lá e é preciso estar atento. Na escola, essas crianças tendem a ter problemas de relacionamento: umas tornam-se mais reservadas, outras mais agressivas. O fraco rendimento escolar ou o absentismo são indícios que também não devem ser ignorados.
“Muitas vezes não querem estar na escola porque sentem que se estiverem em casa a agressão será menor. O que pode parecer fobia escolar muitas vezes é ausência de concentração, porque os pensamentos estão em casa”, conta Ana Sani.»

Terça-feira, 27 de Abril de 2010

A partilha de tarefas domésticas: muito longe da igualdade

Estudo sobre partilha de tarefas domésticas entre homens e mulheres em Portugal

estudo sobre partilha de tarefas

Este estudo sobre a partilha de tarefas domésticas entre homens e mulheres em Portugal foi realizado em 1999. Foi coordenado pela socióloga  Anália Torres, do Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE-IUL). Pode ser lido na íntegra aqui.

Relativamente à partilha de tarefas domésticas entre homens e mulheres vale também a pena ver o post Mas… e a divisão de tarefas?, onde se refere um estudo feito em vários países europeus. Segundo esse estudo, nos países considerados, no que diz respeito partilha de tarefas domésticas entre homens e mulheres, pior que Portugal só a Espanha.

O quadro foi retirado de: Maria João Pais e outros, Sociologia – 12º Ano, Texto Editores, Lisboa, 2009, pág. 215.

Domingo, 25 de Abril de 2010

Sócrates, Salgueiro Maia e o 25 de Abril

Celebra-se hoje o 25 de Abril e a implementação da democracia e da liberdade política em Portugal. Salgueiro Maia foi um dos protagonistas da revolução e é justo recordá-lo e elogiá-lo. No blogue Dúvida Metódica escrevi um pequeno post onde, a propósito de dois versos de Sophia de Mello Breyner Andresen,  o comparo a Sócrates (o filósofo grego e não o actual primeiro-ministro português, note-se). Clique aqui para ler o post e o poema inteiro. Os dois versos referidos são:

“Aquele que amou os outros e por isso
Não colaborou com a sua ignorância ou vício”.

25 Abril salgueiro-maia

Sexta-feira, 23 de Abril de 2010

Empregada e doméstica: o 2º turno

mulher trabalhando «Uma das mudanças de maior alcance, ocorridas no último quartel do século XX nos países industrializados, foi o aumento da ocupação feminina. A ocupação de ambos os progenitores no mundo do trabalho pode também comportar tensões fortes na família. Rhona e Robert Raport chamam a este processo o ‘conflito da sobrecarga’. Por exemplo, um marido ou uma mulher que voltam do trabalho e encontram uma casa desarrumada, as crianças que gritam e o frigorífico vazio estão sujeitas a notáveis tensões. Marido e mulher são, cada vez mais, presas de um ‘conflito de identidade’ na tentativa de desempenhar os seus papéis tradicionais. De facto, embora os   matrimónios com duas carreiras estejam a tornar-se cada vez mais comuns, a divisão do trabalho com base no sexo [em prejuízo da mulher] está profundamente radicada na vida familiar ocidental, embora seja menos rígida nas famílias onde a mulher é mais instruída que o homem. No entanto, a crescente participação das mulheres no mundo do trabalho aumentou a pressão feminina para a conquista de um estatuto igual na família [e têm-se registado alguns progressos, embora na maioria das famílias subsista alguma desigualdade].»

Lucia DeMartis, Compêndio de Sociologia, Edições 70, Lisboa, 2006, pp. 146-147.

Alguns autores chamam “2º turno” à sobrecarga de trabalhos domésticos que muitas mulheres têm de efectuar depois de saírem do emprego.

Quinta-feira, 22 de Abril de 2010

A sede de amor

Kissing-in-the-rain-with-umbrella beijo à chuva «Em The Normal Chaos of Love (1995), Ulrich e Elisabeth Beck-Gernsheim examinam a natureza tumultuosa das relações pessoais, os casamentos e padrões de família num mundo em rápida mudança. Os autores argumentam que as tradições, regras e linhas de orientação que governam as relações pessoais já não se aplicam, e que os indivíduos são actualmente confrontados com uma série interminável de escolhas, que fazem parte do processo de construção, ajustamento e melhoramento, ou dissolução, das uniões que formam com os outros. O facto dos casamentos serem actualmente uniões voluntárias e não relacionamentos que obedecem a motivos económicos ou que são impostos pela família, acarreta tanto novas liberdades como novos constrangimentos, exigindo um grande empenho em termos de esforço e dedicação.

Para esses autores a nossa época está repleta de interesses conflituosos entre a família, o trabalho, o amor e a liberdade para prosseguir objectivos individuais. A colisão é sentida de uma forma mais incisiva nas relações pessoais, particularmente quando existem duas “biografias de mercado de trabalho” em vez de uma. Os autores querem dizer com esta expressão que (…) um número crescente de mulheres tem carreiras profissionais no decurso das suas vidas. Outrora existia uma maior tendência por parte das mulheres para trabalhar a tempo parcial fora de casa, ou retirar um tempo significativo às suas carreiras para o dedicar à criação dos filhos. Estes padrões são hoje em dia menos fixos que antigamente; tanto os homens como as mulheres dão hoje uma importância enorme às suas necessidades pessoais e profissionais. Os autores concluem que as relações na nossa época moderna são, por assim dizer, muito mais que relações. Não só o amor, o sexo, os filhos, o casamento e os deveres domésticos são tópicos de negociação nas relações, mas também o são os tópicos que têm a ver com o trabalho, a política, a economia, as profissões, e a desigualdade. Os casais modernos enfrentam um conjunto variado de problemas, que vão dos mais mundanos aos mais profundos.

Sendo assim, talvez não seja surpreendente que o antagonismo entre homens e mulheres se encontre em crescimento. Ulrich e Elisabeth Beck-Gernsheim defendem que a “batalha entre os sexos” é o “drama central dos nossos tempos”, como o mostram o crescimento da indústria de aconselhamento matrimonial, os tribunais de família, os grupos de auto-ajuda marital, e os índices de divórcio. Todavia, embora o casamento e a vida familiar pareçam muito mais débeis do que antigamente, ainda são muito importantes para as pessoas. Os divórcios são cada vez mais comuns, mas os índices de novos casamentos são elevados. A taxa de natalidade pode estar em declínio, mas existe uma grande procura de tratamentos de fertilidade. Menos pessoas podem desejar casar-se, mas o desejo de viver com outra pessoa e fazer parte de um casal continua certamente firme [como é confirmado, por exemplo, pelo aumento das uniões de facto]. O que é que poderá explicar estas tendências opostas?

De acordo com estes autores, a resposta é simples: o amor. Ulrich e Elisabeth Beck-Gernsheim argumentam que a “batalha dos sexos” a que se assiste hoje em dia é o mais claro indicador da “sede de amor” sentida pelas pessoas. As pessoas casam-se por causa do amor e divorciam-se por causa do amor; as pessoas empenham-se num interminável ciclo de esperança, arrependimento e novas tentativas. Enquanto por um lado as tensões entre homens e mulheres tendem a aumentar, por outro lado permanece uma grande fé e esperança na possibilidade de encontrar um grande amor que conduza a uma maior realização pessoal.

Pode-se pensar que o ‘amor’ é uma resposta muito simplista para responder às complexidades da época actual. Mas Ulrich e Elisabeth Beck-Gernsheim argumentam que é precisamente por o nosso mundo se ter tornado tão opressivo, impessoal, abstracto e em mudança constante, que o amor se tornou cada vez mais importante. De acordo com estes autores, o amor é o único lugar onde as pessoas podem verdadeiramente encontrar-se e ligar-se a outras. Num mundo de incerteza e risco como o nosso, o amor é real:

“O amor é a procura de nós próprios, é o desejo ardente de realmente entrar em contacto comigo e contigo, partilhar os corpos, os pensamentos, encontrar-se um ao outro sem nada a esconder, fazer confissões e ser perdoado, é compreensão, confirmação e suporte no que foi e no que é, é o anseio por um lar e pela confiança para contrabalançar as dúvidas e ansiedades geradas pela vida moderna. Se nada é certo e seguro, se até mesmo é arriscado respirar num mundo poluído, então as pessoas seguem os sonhos sedutores do amor até estes se transformarem em pesadelos.”

Segundo estes autores, o amor é ao mesmo tempo desesperante e doce. É uma “força poderosa que obedece às suas próprias regras e que inscreve as suas mensagens nas expectativas, ansiedades e padrões de comportamento das pessoas”. No nosso mundo flutuante o amor tornou-se uma nova fonte de fé.»

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pp. 180-182.

Segunda-feira, 19 de Abril de 2010

Dados sobre a natalidade em Portugal

 

Ano

Índice Sintético de Fecundidade

Taxa Bruta de Reprodução

1960

3,20

1,56

1970

3,00

1,46

1971

2,99

1,46

1972

2,85

1,39

1973

2,76

1,35

1974

2,69

1,31

1975

2,75

1,34

1976

2,81

1,37

1977

2,68

1,31

1978

2,45

1,20

1979

2,31

1,13

1980

2,25

1,10

1981

2,13

1,04

1982

2,08

1,02

1983

1,96

0,96

1984

1,91

0,93

1985

1,73

0,84

1986

1,67

0,81

1987

1,63

0,80

1988

1,62

0,79

1989

1,58

0,77

1990

1,57

0,77

1991

1,57

0,77

1992

1,53

0,75

1993

1,51

0,74

1994

1,44

0,70

1995

1,41

0,69

1996

1,44

0,70

1997

1,47

0,72

1998

1,48

0,72

1999

1,51

0,74

2000

1,56

0,76

2001

1,46

0,71

2002

1,47

0,72

2003

1,44

0,70

2004

1,40

0,68

2005

1,41

0,69

2006

1,36

0,66

2007

1,33

0,65

2008

1,37

0,67

 

Ano

Taxa Bruta de Natalidade

1960

24,1

1961

24,4

1962

24,5

1963

23,5

1964

24,0

1965

23,4

1966

23,2

1967

22,8

1968

22,1

1969

21,7

1970

20,8

1971

21,0

1972

20,2

1973

20,0

1974

19,6

1975

19,8

1976

20,0

1977

19,1

1978

17,5

1979

16,6

1980

16,2

1981

15,4

1982

15,2

1983

14,5

1984

14,3

1985

13,0

1986

12,6

1987

12,3

1988

12,2

1989

11,8

1990

11,7

1991

11,7

1992

11,5

1993

11,4

1994

10,9

1995

10,7

1996

11,0

1997

11,2

1998

11,2

1999

11,4

2000

11,7

2001

11,0

2002

11,0

2003

10,8

2004

10,4

2005

10,4

2006

10,0

2007

9,7

2008

9,8

Glossário:

Índice Sintético de Fecundidade:

Número médio de crianças vivas nascidas por mulher em idade fértil (dos 15 aos 49 anos de idade), admitindo que as mulheres estariam submetidas às taxas de fecundidade observadas no momento. O número de 2,1 crianças por mulher é considerado o nível mínimo de substituição de gerações nos países mais desenvolvidos.

Taxa Bruta de Reprodução:

Número médio de crianças do sexo feminino vivas nascidas por mulher em idade fértil (dos 15 aos 49 anos de idade), admitindo que as mulheres estariam submetidas às taxas de fecundidade observadas no momento.  O número de 1 criança do sexo feminino por mulher é considerado o nível mínimo de substituição de gerações, nos países mais desenvolvidos.

Taxa Bruta de Natalidade:

Número de nados-vivos ocorrido durante um determinado período de tempo, normalmente um ano civil, referido à população média desse período (habitualmente expressa em número de nados-vivos por 1000 habitantes).

Fonte: Pordata.

ISF e TBR aqui.

TRN aqui.

Dados sobre o divórcio em Portugal

 

Ano

Número de divórcios

Taxa bruta de divorcialidade

(por mil habitantes)

1962

743

0,1

1967

722

0,1

1972

616

0,1

1973

604

0,1

1974

777

0,1

1975

1.552

0,2

1976

4.875

0,5

1977

7.773

0,8

1978

7.043

0,7

1984

7.034

0,7

1985

8.988

0,9

1989

9.657

1,0

1990

9.216

0,9

1991

10.619

1,1

1992

12.429

1,2

1997

13.927

1,4

1998

15.098

1,5

1999

17.676

1,7

2000

19.104

1,9

2001

18.851

1,8

2002

27.708

2,7

2003

22.617

2,2

2004

23.161

2,2

2005

22.576

2,1

2006

22.881

2,2

2007

25.120

2,4

2008

26.110

2,5

Fonte: Pordata.

Número de divórcios aqui.

Taxa bruta de divorcialidade aqui.

Segunda-feira, 12 de Abril de 2010

Poliginia e poliandria

poligamia poliginia casamento zulu Casamento de um homem zulu (África do Sul) com quatro mulheres

«O matrimónio é poligâmico quando uma pessoa é casada ao mesmo tempo com duas ou mais pessoas do outro sexo. O casamento poligâmico denomina-se poliginia, se é o homem a ter mais de uma mulher; se, pelo contrário, for a mulher que tem mais de um marido, chama-se poliandria.

Embora na maior parte das sociedades domine a poliginia (…), a maioria dos homens tem uma só mulher, quer porque as sociedades que adoptam a monogamia abrangem a massa da população mundial, quer porque o número de mulheres não é suficiente para permitir a prática da poliginia em larga escala, nem sequer nas sociedades que adoptam esta forma de casamento.

A poliginia está cada vez menos difundida nos países muçulmanos (onde é expressamente permitida pelo Alcorão, cujo texto diz: “Desposa mulheres à tua escolha, duas, três ou quatro”), sendo hoje praticada, quase sempre, por aqueles que detêm as posições sociais mais elevadas.

A poliginia está, pelo contrário, amplamente difundida em muitas regiões da África subsariana, onde a proporção dos homens casados que têm mais de uma mulher vai dos 12% aos 40% do total, conforme os países.

Um dos factores que torna possível a poliginia nesta área é a forte diferença (cerca de 10 anos) que decorre entre a idade do casamento dos homens e das mulheres: à volta dos vinte e cinco anos e dos quinze anos, respectivamente. Além disso, por causa da forte diferença de idade e da elevada taxa de mortalidade presente nessas sociedades, as mulheres ficam viúvas muito cedo.

Nessas sociedades a poliginia difundiu-se também porque oferece algumas vantagens económicas e sociais. Para um homem dessa região, desposar mais mulheres significa ter mais filhos e mais prestígio. E permite produzir mais bens agrícolas, uma vez que o cultivo de plantas alimentares concerne quase sempre às mulheres. Por outro lado, visto que as mulheres se devem dedicar ao cultivo ou aos trabalhos domésticos, a chegada de uma nova mulher pode ser vista com agrado pelas outras mulheres, porquanto isso comporta a redução da sua carga de trabalho.

São poucas as sociedades que adoptam a poliandria. As mais conhecidas e estudadas são as do Tibete e da Índia [bem como do Butão, do Sri Lanka e algumas sociedades esquimós]. Em tais sociedades difundiu-se a família poliândrica fraterna, que se forma quando uma mulher desposa ao mesmo tempo dois ou mais irmãos e com eles vive; uma vez casados, os irmãos têm os mesmos direitos e as mesmas obrigações para com a prole e a mulher comum: os irmãos devem todos trabalhar para sustentar a família, enquanto a mulher deve cumprir as tarefas domésticas para todos e, no tocante às relações sexuais, deve passar, à vez, uma noite com um dos irmãos.

A poliandria ocorre em sociedades em que o infanticídio feminino faz com que existam bastante menos mulheres que homens [como sucede, ou sucedia, nalgumas zonas da Índia] ou em sociedades com poucos recursos. No Tibete, por exemplo, a propriedade fundiária de uma família é transmitida a todos os filhos em comum, e não dividida em lotes que poderiam não ser suficientemente grandes para manter a família de cada um; por isso, os irmãos têm em comum a terra e também a mulher.»

Lucia DeMartis, Compêndio de Sociologia, Edições 70, Lisboa, 2006, pp. 139-141.

Domingo, 11 de Abril de 2010

A família já não é o que era

«Ao longo das últimas décadas, a Grã-Bretanha e os outros países ocidentais [nomeadamente Portugal] passaram por mudanças nos padrões familiares, que seriam inimagináveis para gerações anteriores. A grande diversidade de famílias e formas de agregados familiares tornou-se um traço distintivo da época actual. (…) O mundo familiar é hoje muito diferente do que era há cinquenta anos atrás. Apesar das instituições do casamento e da família ainda existirem e serem importantes nas nossas vidas, o seu carácter mudou radicalmente.»

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª Edição, 2007, Lisboa, F. C. Gulbenkian, pág. 172.

O vídeo e os cartoons apresentam, de modo irónico, alguns dos aspectos dessa mudança.

gay marriage cartoon racismo

gay marriage cartoon casamento homossexual

Vídeo: “Coisas de família”.

Sábado, 10 de Abril de 2010

Biblioburro: se Maomé não vai à montanha…

Na Colômbia o professor Luis Humberto Soriano coloca dezenas de livros em cima de um burro e vai de aldeia em aldeia emprestar livros. Uma peculiar, mas eficaz, biblioteca itinerante.

Em Portugal, contudo, quer os livros cheguem de burro ou num carro topo de gama a maioria das pessoas, incluindo a maioria dos alunos do ensino básico e secundário, acha que ler é chato e inútil.

Sexta-feira, 9 de Abril de 2010

Cem mil visitas e…uma competição feroz entre o muito pouco e o nada!

O contador de visitas registou há horas atrás a visita nº 100000. Agora regista mais umas quantas (duzentas e tal). Mas nada disso é especialmente relevante. Tenho dúvidas acerca do comentário mais adequado: “pois…” ou “pois é!”?

Segunda-feira, 5 de Abril de 2010

Desgoverno

“Há nos confins da Ibéria um povo que nem se governa nem se deixa governar.”

Caio Júlio César

Segundo o jornal Público de hoje (5 de Abril de 2010), Caio Júlio César (100 a.C.- 44 a.C.) foi, além de um observador lúcido e perspicaz, um político e general romano. Não sei o suficiente de História para avaliar a qualidade dos governantes romanos dos “confins da Ibéria”, mas dificilmente seriam piores que os actuais. Que não são romanos.

Quinta-feira, 1 de Abril de 2010

Adivinha

o que queres o estado dá

O que pode haver de comum entre um gestor público que se atribui a si mesmo prémios de gestão no valor de muitos milhares de euros apesar da sua empresa apresentar prejuízos, um empresário privado cuja actividade empresarial é em grande parte constituída por contratos com o Estado (acertados por “ajuste directo” e não por concurso público) e um desempregado a receber há vários anos o Rendimento Mínimo e a viver numa casa oferecida pela Câmara Municipal?

Fácil! Todos eles têm a mesma ideia acerca do papel do Estado!

Agora uma pergunta mais difícil: Em que país europeu, supostamente civilizado e desenvolvido, é que isso se passa todos os dias e nunca muda, por muitas e graves que sejam as crises económicas?