Segunda-feira, 6 de Setembro de 2010

Swing indígena

Amigos apihi-pihã. Foto de Eduardo Viveiros de Castro Fotografia de amigos apihi-pihã, de Eduardo Viveiros de Castro, 1982.

Entre os Araweté, o «novo casal começa imediatamente a ser visitado por outros casais, seu pátio é o mais alegre e bulhento à noite; ali se brinca, os homens se abraçam, as mulheres cochicham e riem. Dentro de alguns dias, nota-se uma associação freqüente entre o recém-casado e um outro homem, bem como entre sua mulher e a mulher deste. Os dois casais começam a sair juntos à mata, a pintar-se e decorar-se no pátio do casal mais novo. Está criada a relação de apihi-pihã.

A marca característica da relação apihi-pihã é a "alegria": tori. Os apihi-pihã (amigos de mesmo sexo) mantêm um convívio de camaradagem jocosa, sem nenhuma conotação agressiva; eles oyo mo-ori, "alegram-se reciprocamente": estão sempre abraçados, são companheiros assíduos na mata, usam livremente dos bens do outro. Quando os homens da aldeia saem para as caçadas coletivas, as mulheres apihi-pihã vão dormir na mesma casa. Na formação da dança do cauim, é esse o laço focal entre os homens. Os amigos de sexo oposto (a apihi e o apino) recebem o epíteto de tori pã: "alegrador".

O cimento dessa relação é a mutualidade sexual. Os apihi-pihã trocam de cônjuges temporariamente, segundo dois métodos: oyo iwi ("morar junto"), pelo qual os homens vão à noite à casa das apihi, ocupando a rede do amigo, e de manhã retornam para as esposas; e oyo pepi ("trocar"), pelo qual as mulheres passam a residir por alguns dias na casa dos apino. Em ambos os casos, porém, o quarteto é sempre visto junto, no pátio de um dos casais. Os casais trocados costumam sair à cata de jabotis, tomando direções diversas; à noite se reúnem para comer o que trouxeram. Essa mutualidade sexual, assim, é uma alternância, não um sistema de 'sexo grupal'.»

Informação retirada do site Povos Indígenas no Brasil.

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