domingo, 20 de Junho de 2010

Imagens sociológicas: a violência doméstica

Pedi aos alunos do 12º E para escolherem uma imagem e escreverem um breve texto com uma explicação sociológica. Eis os trabalhos da Vera Massano, nº28, Nance Barracosa, nº 22, e Joana Frederico, nº 15, a quem agradeço.

I

Violência doméstica ameaça O número de queixas e denúncias de violência doméstica (ou intrafamiliar) tem vindo a aumentar de ano para ano. Numa família onde deveria haver afecto, muitas vezes há o contrário. As causas da violência doméstica podem ser externas ou internas. Externas se tiverem a ver com o álcool, droga, etc. Internas se tiverem a ver com a desigualdade de estatutos entre homens e mulheres, ou entre adultos e crianças. Este tipo de violência ainda acontece com muita frequência hoje em dia porque durante muito tempo, a violência doméstica foi tolerada, não tendo grande visibilidade pública. Hoje em dia, a visibilidade pública aumentou, pois a violência doméstica passou a ser um crime público em 2000. Apesar de ser um crime, são poucas as pessoas que denunciam o agressor, pois temem estar a fazer pior: receiam que este se sinta provocado e repita as agressões, receiam as ameaças do agressor, etc. Por isso, muitas vezes as vítimas, e outras pessoas que sabem o que se passa, não contam a ninguém. Nota-se também que hoje em dia os agressores são cada vez mais novos, e o que os motiva para fazerem tal coisa pode ter a ver com a recusa de pedido de divórcio ou do fim do namoro.

Vera Massano

II

mulher agredida

Vivemos numa época em que as desigualdades entre homens e mulheres são bastante reduzidas. No entanto, ainda existe uma submissão da mulher ao homem, que por vezes é invisível aos olhares dos outros.

Ainda existem mulheres que vivem num silêncio sufocante controladas e agredidas pelos maridos ou namorados, que não lhes concedem a liberdade que precisam. Impedidas pelo agressor de o denunciar vivem presas com correntes, correntes essas que só ele tem força para quebrar até ela ganhar força e coragem para finalmente também as quebrar, fazendo assim parte da minoria que teve coragem.

Muitas vezes, no meio do caos onde reina a violência é esquecido, tanto pela vítima como pelo agressor, aquele pequeno ser que está ali na sala ao lado a ver e a ouvir o desespero da mãe, esquecendo que, sem querer, ele pode estar a aprender que é assim que deve ser, que se deve humilhar e maltratar as mulheres ou que estas devem ceder à vontade do homem sem reagir. Quando não é esquecido, é também, espancado e silenciado da mesma forma ou até pior.

Apenas três hipóteses existem para estas mulheres: lutar pela liberdade e nunca desistir; esperar que o agressor mude de atitude e aguentar até lá (o que pode nunca vir a acontecer) ou permitir que o terror continue e ganhar a liberdade tão desejada para sempre, mas da forma mais dolorosa: a morte.

Nance Barracosa

III

Criança assiste a violência doméstica

O caso que podemos ver na imagem, é um dos muito vistos nos dias que correm. Muitas crianças hoje em dia são testemunhas silenciosas de um crime, que é o caso da violência doméstica, podendo condenar-lhes a futura vida enquanto adultos. Estas podem, em idade adulta, reproduzir aquilo que testemunharam ainda em crianças, podem tornar-se agressores ou vítimas. “A maioria destas crianças acaba por viver o drama familiar em silêncio, escondendo o crime por vergonha. Outras são forçadas ao silêncio pelo agressor ou vítima ” Tendem a ser crianças muito reservadas e muitas vezes o seu desempenho escolar é afectado.

 

Joana Frederico

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