segunda-feira, 10 de Maio de 2010

Castas: a desigualdade hereditária

Um dos sistemas de estratificação existentes é a estratificação por castas. O sistema de castas mais conhecido é o da Índia. Este existe há cerca de 1500 anos e, apesar de algumas mudanças ocorridas nas últimas décadas, continua implantado na sociedade indiana.

Uma casta é um agrupamento social hereditário, em que o estatuto do indivíduo passa de pai para filho. As castas caracterizam-se pela endogamia, ou seja, as pessoas só podem casar-se com pessoas da mesma casta. As várias castas dispõem-se na sociedade de forma hierárquica. (Em cada uma das castas existem muitas subcastas - no total, são mais de dois milhares.) Comparativamente com outros sistemas de estratificação, como as classes sociais e mesmo as ordens, o sistema de castas apresenta divisões muito nítidas e rígidas. A mobilidade social vertical é, portanto, muito reduzida.

pirãmide sistema de castas As castas indianas estão intimamente relacionadas com o hinduísmo, a principal religião indiana. Segundo uma lenda hindu, no princípio dos tempos as pessoas nasceram a partir do corpo de um deus e a zona do corpo de onde emergiram determinou que tivessem níveis de pureza e valor muito distintos. As diferentes castas exprimem esses diferentes níveis de pureza e valor e é por isso que algumas são superiores a outras.

A casta superior é a dos brâmanes, pois estes nasceram da cabeça do deus. A segunda casta mais importante é a dos xátrias, que nasceu dos braços do deus. Em terceiro lugar vem a casta dos vaisias, que nasceu das pernas do deus. Em quarto lugar encontra-se a casta dos sudras, que nasceu dos pés do deus. Por último, temos um agrupamento de pessoas chamadas intocáveis ou dalit, que não nasceram do próprio deus mas da poeira por ele pisada e que, por isso, são consideradas os seres mais inferiores da sociedade. Os intocáveis são tão desprezados que não constituem uma casta propriamente dita - são párias, excluídos.

A cada casta encontram-se associadas certas profissões, cuja hierarquia de pureza e valor acompanha a hierarquia das castas. Os brâmanes são sacerdotes, professores, etc. Os xátrias são guerreiros, políticos, etc. Os vaisias são comerciantes. Os sudras são artesãos e camponeses. Aos intocáveis cabem as profissões e actividades mais desvalorizadas, nomeadamente as que implicam contacto físico com sangue, cadáveres e excrementos: coveiros e cremadores de corpos, curtidores de couro, varredores, etc.

A hierarquização religiosa das castas em termos de pureza e impureza reflecte-se, portanto, numa hierarquização económica e política.

Como foi dito, os intocáveis são os membros da sociedade indiana mais desfavorecidos. Antes da constituição democrática de 1950, estavam proibidos de entrar nos templos e de frequentar as escolas. As leis não sancionavam as discriminações de que eram alvo. Num jardim ou noutro local público não se podiam sentar perto das pessoas de outras castas. Não podiam ir buscar água aos mesmos poços das pessoas de outras castas. Sucedeu (e por vezes ainda sucede) a muitos intocáveis serem insultados, espancados ou até mortos por motivos tão triviais como dirigirem a palavra a pessoas de castas superiores ou deixar a sua sombra tocar a sombra de uma pessoa de casta superior.

brâmane Brahmin boy ritual dalit1-1

Fotografias: brâmane a executar ritual religioso e mulher dalit com o filho.

Bibliografia:

A Enciclopédia, vol. 5, Editorial Verbo / jornal Público, Lisboa, 2004.

Anthony Giddens, Sociologia, 3ª edição, F.C. Gulbenkian, Lisboa, 2002.

Jean Cazeneuve, Dez grandes noções de Sociologia, Moraes Editores, Lisboa

Richard T. Schaefer, Sociologia, 6ª edição, McGraw-Hill, São Paulo, 2006.

1 comentário:

Emanuel Souza disse...

Olá,

Também sou professor de sociologia no ensino médio (no Brasil) e criei um blogue para trabalhar a disciplina.

Fiz do seu blogue uma das minhas dicas de leitura para meus alunos.

Mas estou usando alguns dos seus textos o meus blogue. Na verdade gostaria de convidá-lo a visitar o meu blogue (www.prosouza.blogstpot.com) e na oportnidade quero confirmar se há algum problema em usar seus textos no meu blogue, sempre com a devida indicação da autoria e da fonte.

Atenciosamente,

Emanuel Souza