Segunda-feira, 31 de Agosto de 2009

Post infelizmente sociológico

No blogue Dúvida Metódica encontra um post intitulado  Aproveitar ou desperdiçar a vida - uma escolha aparentemente fácil que, embora possa parecer apenas de carácter filosófico, tem muito interesse sociológico. Inclui um inteligente cartoon de Stivers.

Escrevi “infelizmente” pois o tema é a nefasta influência dos jogos de computador na vida individual e social das pessoas.

Já agora, a esse respeito também vale a pena ler este texto recente (de 29 de Agosto de 2009): Agarrados à internet: porque é que eles preferem uma vida virtual?, no jornal i. Descreve alguns casos impressionantes. Portugueses.

Por exemplo: «Morena e de olhos azuis, Sofia Ramos, de 23 anos, passava por bodyboarder. Na verdade surfa, mas é pelos jogos de roleplaying. No World of Warcraft (WoW) é Eriene, uma "night elf" (como os elfos de "O Senhor dos Anéis") do 68º de 80 níveis. Para aqui chegar precisou de 80 horas, indica o programa. Nada, se comparado com as 1177 horas e 26 minutos que passou online para chegar ao nível 71 com Gifted Night, a primeira das nove personagens que criou. "Isto assusta-me. Umas horas aqui, outras ali, e de repente são 49 dias da minha vida", admite».

Quanto menos me bates mais gosto de ti

violência doméstica «As denúncias de violência doméstica registadas pela PSP, em 2008, aumentaram 35%. A polícia explica que a maior confiança das vítimas nas forças de segurança e a menor vergonha em expor casos do foro íntimo contribuíram para a subida do número de casos apresentados. ’Actualmente as vítimas de violência doméstica denunciam a agressão com mais facilidade, pelo que os números não representam um aumento de casos’, de acordo com a subcomissária Jesuína Correia. Segundo os últimos dados da PSP, o número de casos de violência doméstica tem subido nos últimos três anos, tendo sido registados 17.647 processos em 2008, mais 4597 que no ano anterior. Porém, no entender da oficial, ‘não há um aumento do crime, mas um maior número de denúncias resultante de um maior à-vontade das vítimas’, na sua grande maioria mulheres entre os 20 e os 40 anos. Um maior conhecimento e divulgação e uma constante chamada de atenção da opinião pública para este tipo de crimes ajudam também as vítimas a denunciar os seus agressores.»

Clique aqui para ler mais, no jornal Público.

Cartoon de David, encontrado aqui.

Domingo, 30 de Agosto de 2009

Água mole em pedra dura…

«O número de mulheres eleitas para as autarquias locais triplicou nos últimos 30 anos, havendo actualmente 20 presidentes de Câmara em 308 concelhos do país, que se recandidatam às próximas autárquicas entre mais de uma centena de candidatas.

(…) O número de mulheres eleitas para as Autarquias Locais tem vindo a aumentar gradualmente. Em 1982 apenas 5 por cento dos autarcas eram mulheres, um número que triplicou até às eleições de 2005.»

Clique aqui para ler mais, no jornal i.

condicão feminina cartaz patriótico We can do it

Encontrei a primeira imagem algures na Internet, sem referência ao autor. A segunda imagem é um célebre cartaz norte-americano do tempo da Segunda Guerra Mundial, apelando ao empenho de todos os cidadãos, nomeadamente das mulheres, no esforço de guerra.

Sexta-feira, 28 de Agosto de 2009

Beleza interior

beleza interior de glasbergen

Cartoon de Randy Glasbergen, retirado do blogue Today’s Cartoon.

Agora que estamos à beira de dois actos eleitorais e que o país vai mergulhar nas respectivas campanhas eleitorais,  seria interessante que os políticos portugueses adoptassem a maneira de pensar referida no Cartoon (o aspecto não é tudo, o que realmente conta é o que temos cá dentro) e, nas suas propostas políticas, se preocupassem mais  com a substância das coisas do que com a aparência mediática.

Seguindo a lógica do Cartoon, mas sem a sua ironia, seria também interessante que os eleitores portugueses adoptassem a atitude do professor de Biologia que disseca a rã e dissecassem as propostas dos candidatos, de modo a avaliarem o seu conteúdo e não se deixarem levar pelas reluzentes promessas em que vem embrulhado.

Quinta-feira, 27 de Agosto de 2009

Consumismo: comprar o que não se precisa

grandes para quê

Cartoon de Randy Glasbergen, retirado do blogue Today’s Cartoon.

O consumismo é a tendência para consumir exageradamente e adquirir produtos de que muitas vezes não se necessita.

Muitas pessoas consomem exageradamente por razões sociais: querem seguir as modas divulgadas na televisão e noutros meios de comunicação social, não querem ficar atrás das outras pessoas e, por isso, procuram exibir publicamente os mesmos produtos.

Mas, nalguns casos é uma atitude compulsiva, sendo considerada uma doença psicológica: “uma perturbação da ansiedade manifestada pela incapacidade ou dificuldade de controlar as suas necessidades de aquisição de determinado tipo de bens. Normalmente, são bens não essenciais, que visam melhorar a auto-estima. Neste processo o indivíduo perde a capacidade de controlar o impulso da compra. Perde a capacidade para gerir o seu dinheiro”. (Palavras do psicólogo Nélson Lima, que pode encontrar aqui.)

Segundo algumas estimativas, em Portugal existem mais de 400 mil pessoas com essa perturbação.

Numa época de crise económica como a actual (em que o consumo tende, como é natural, a diminuir) não deve ser nada fácil viver com esse impulso constante de comprar coisas.

As inúmeras vantagens de saber Matemática

multiplicação dos dólares   aumento de ordenado

Cartoons de Randy Glasbergen, retirados do blogue Today’s Cartoon.

Quarta-feira, 26 de Agosto de 2009

Um exército não se faz apenas com generais

descanso do trabalhador “Em 2007, os trabalhadores portugueses mantinham uma estrutura de qualificações muito semelhante à verificada duas décadas atrás. Os trabalhadores pouco qualificados eram 31 por cento da força de trabalho e, quase vinte anos depois, representavam a mesma percentagem do universo total.

Os trabalhadores qualificados descerem de 42,7 para 41 por cento.

A boa notícia é que os trabalhadores com elevadas formações subiram significativamente. Os quadros superiores passaram de 2,3 por cento para 6,9 por cento do total do pessoal ao serviço. E o mesmo parece ter acontecido aos quadros médios - de 1,9 para 4,7 por cento do total dos trabalhadores - ou aos quadros altamente qualificados - de 4,3 para 7,5 por cento.

Estas conclusões foram retiradas dos dados referentes aos quadros de pessoal entregues pelas empresas e foram compiladas pela CGTP.”

A “boa notícia” referida nesta notícia do jornal Público é muito relativa, pois os “trabalhadores pouco qualificados” continuam a representar cerca de 1/3 do total, os “trabalhadores qualificados” diminuíram ligeiramente e a soma dos “trabalhadores com elevadas formações” não chega aos 20%. Ora, um exército não pode ser feito só com generais, por muito competentes que sejam – é preciso haver oficiais de patente inferior também competentes e, sobretudo, é preciso haver muitos soldados rasos competentes.

Se a formação profissional a sério fosse algo generalizado em Portugal, os “trabalhadores qualificados” (que, como é natural, já são o maior grupo) , em vez da diminuição sofrida veriam o seu número aumentar - à custa, precisamente, da diminuição dos “trabalhadores pouco qualificados”.

Pelo que se vai sabendo dos Cursos de Educação e Formação, dos Cursos Profissionais e das Novas Oportunidades, não parece ser daí que virá essa formação profissional a sério.

Nem sempre é fácil uma pessoa colocar-se no lugar de outra

your-shoes

“Your shoes”, cartoon de Dave Walker, retirado do We Blog Cartoons.

Muitos conhecimentos das Ciências Sociais, nomeadamente de Sociologia, da Antropologia e da Psicologia, não teriam sido alcançados se os cientistas não tivessem feito um esforço para entenderem o ponto de vista de outras pessoas e de outras sociedades.

O nome desse esforço é objectividade. E, como o cartoon ironicamente sugere, não é fácil de alcançar.

Disfuncionalidade social e religiosidade: correlação ou causalidade?

“Portugal, disfuncionalidade social e religião” é um interessante post de Carlos Fiolhais no blogue De Rerum Natura. Diz que um artigo da revista Newsweeek “refere Portugal como um país próximo dos Estados Unidos, por ser ao mesmo tempo socialmente muito disfuncional (medido por taxas de homicídios, abortos, gravidez de adolescentes, doenças sexualmente transmissíveis, desemprego e pobreza) e muito religioso (medida pela auto-afirmação da fé, frequência da igreja, hábitos de oração, etc.)”.

Carlos Fiolhais chama a atenção para o facto de a existência de uma correlação entre dois factores não implicar necessariamente a existência de uma relação de causalidade entre eles. Seja como for, são dados que fazem pensar.

No post existem também outras informações sobre a disfuncionalidade social em Portugal e vários links para sítios com dados e reflexões acerca dos temas mencionados.

Terça-feira, 25 de Agosto de 2009

Novo e diferente, mas pouco

internet novos e velhos relacionamentos

Cartoon de Randy Glasbergen, encontrado aqui.

A Internet e diversas outras novas tecnologias podem influenciar bastante os relacionamentos humanos. Mas as motivações das pessoas parecem ser as de sempre. Ou não?

A estranha matemática da falta de amor

presentes grátis

Cartoon de Randy Glasbergen, encontrado aqui.

Domingo, 23 de Agosto de 2009

Apareço na Comunicação Social, logo existo

Quino suicidio em directo.jpg “Jean Baudrillard considera que o impacto dos modernos meios de comunicação de massa é muito diferente, e muito mais profundo, do que o de qualquer outra tecnologia. O advento dos mass media, em particular dos meios electrónicos como a televisão, transformou a própria natureza das nossas vidas. A televisão não nos ‘representa’ só o mundo, mas, de uma forma gradual, define o que é, realmente, o mundo em que vivemos.”

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pp. 466.

É por isso que os políticos marcam muitas vezes as conferências de imprensa e outros anúncios públicos para as 20.00 horas, para coincidir com o início dos telejornais, e criticam frequentemente a cobertura jornalística das suas actividades, alegando por exemplo que os adversários de outros partidos tiveram mais tempo de antena. É como se aquilo que não é noticiado pelos jornais e, principalmente, pela televisão não tivesse acontecido.

CartoonBlogs(E a cada dia que passa torna-se mais necessário acrescentar a Internet, nomeadamente os blogues, à lista dos meios de comunicação que vão definindo o que o mundo é.)

Por outro lado, a distinção entre a vida privada e a vida pública torna-se muitas vezes difícil de estabelecer. A Comunicação Social torna públicos factos da vida pessoal de políticos, desportistas, artistas, figuras do chamado Jet Set e de diversas outras pessoas famosas (muitas vezes com a cumplicidade dos próprios). Pessoas anónimas expõem na televisão (em programas como o Big Brother e similares) ou na Internet (a maioria dos blogues têm um carácter meramente pessoal, intimista) os seus problemas, as suas alegrias e os seus desejos – obtendo assim os 15 minutos da fama que Andy Warhol prometeu a todos.

Para terminar, um exemplo recente, mas inesperado, dessa exposição mediática voluntária. O filósofo suíço Alain De Botton está a escrever um livro no aeroporto de Heathrow. Para escrever o livro foi viver para o aeroporto, o de maior tráfego na Europa, e o caso foi noticiado em diversos órgãos de comunicação social. Trata-se de um caso curioso. Como a Filosofia costuma ser associada a atitudes críticas e racionais, esperar-se-ia que os filósofos resistissem à mediatização em vez de se entregarem a ela. Esta espécie de Big Brother filosófico protagonizado por Botton é, sem dúvida, um sinal dos tempos. (Leia mais acerca desse caso aqui.)

As mudanças referidas por Baudrillard estão em curso, mas o novo aspecto do mundo talvez ainda não seja perceptível. Onde é que isto irá parar?

(O primeiro cartoon é da autoria de Quino. O segundo foi encontrado na Internet e não consegui apurar o autor.)

O desemprego e o papel dos Centros de Emprego

desempregados manifestação «Não há empregos. Procura-se e não se encontra. Para os jovens, sucedem-se os contratos a prazo que nunca se transformam em mais. Os adultos vivem entre um emprego barato e a reforma ainda longe. "Velho demais para trabalhar, mas novo demais para a reforma", repete-se aos desempregados com mais de 40 anos.

A sensação de cair no desemprego começa a ser vivida por cada vez mais pessoas. Os dados do Instituto Nacional de Estatística revelam que o emprego está a retrair-se desde o terceiro trimestre de 2008, mas caiu a pique desde o início de 2009. E continua. Num ano, perderam-se mais de 150 mil postos de trabalho.»

Notícia do jornal Público. Clique aqui para ler mais.

trabalho a tempo inteiro e parcial

Sexta-feira, 21 de Agosto de 2009

A invenção da ideologia

A invenção da ideologia de Wiley a invenção da ideologia em português

Publiquei no blogue Dúvida Metódica um post chamado O que é a ideologia? em que, além de colocar este genial cartoon de Wiley Miller, tentei distinguir o sentido positivo e o sentido negativo da palavra “ideologia”: um conjunto de ideais e princípios e um conjunto de preconceitos, respectivamente.

Invasão da privacidade sociológica

estudar o comportamento  Cartoon de Jason Love.

Quando as pessoas sabem que estão a ser observadas não se comportam naturalmente. Por outro lado, observá-las às escondidas e sem o seu consentimento coloca problemas éticos. Que fazer?

Quinta-feira, 20 de Agosto de 2009

Retratos do futuro

Portimão Gerard Castelo Lopes Montanhas de ep

Ontem, 19 de Agosto, foi o Dia Mundial da Fotografia. Para assinalar o facto, eis duas fotografias muito diferentes: a primeira de Gérard Castello-Lopes e a segunda, encontrada sabe-se lá onde na Internet, da autoria de uma pessoa que assina E.P.

A cidade e as montanhas, o preto-e-branco e a cor, o passado e, talvez, o presente. Em ambas, um pouco do futuro.

Segunda-feira, 17 de Agosto de 2009

Nalguns lugares a escola é um refúgio apetecido

crianças refugiadas da Birmânia

Crianças refugiadas numa "aula"

“Crianças Rohingya refugiadas da Birmânia escrevem durante as aulas na escola num campo de refugiados em Cox’s Bazaar (Bangladesh). Os Rohingyas, não reconhecidos como uma minoria étnica pela Birmânia, alegam violação dos direitos humanos por parte das autoridades, dizendo-se privados de livre circulação, educação e um emprego justo. O Ministro dos Negócios Estrangeiros do Bangladesh, Dipu Moni, disse que a contínua entrada ilegal de brimaneses estava a causar enormes danos às terras do país, florestas e outros recursos. Fotografia: Andrew Biraj/Reuters.

Notícia do jornal Público de 17-08-2009.

Tradição, superstições e ditadura – uma mistura trágica

“Chegam pela noite, vestidos com túnicas vermelhas decoradas com espelhos e conchas marinhas e circulam entre as casas pobres do interior da Gâmbia como fantasmas. Ao fundo, o som dos tambores. De uma só vez, centenas de gambianos são escolhidos de maneira aleatória e levados de autocarro para centros de detenção secretos, onde são despidos, espancados e obrigados a beber e a banhar--se numa poção fedorenta. Exorcismo em massa para forçar confissões de bruxaria e magia negra.”

Tudo isso porque o presidente da Gâmbia, Yahya Jammeh, ouviu “num sonho que as bruxas tinham ido matá-la [uma tia sua, que faleceu] e que agora deviam pagar o preço."

Leia mais no jornal i.

Domingo, 9 de Agosto de 2009

Simon's Cat : Quem é que, nesta sociedade, precisa de dizer 'Let Me In!'?

Fica a pergunta.

Crónica Visual nº 2: o Inferno são os outros, por vezes ajudados pelo próprio

pôr em baixo

sad - gundega dege burka - ali khan

Legenda:

Porque é que as pessoas cuja vida é parecida à vida destas senhoras não se vão simplesmente embora? Porque é que não metem os pés à estrada e se afastam das causas do seu sofrimento? Não é preciso filosofar muito para responder. A Psicologia e a Sociologia (sozinhas ou em conjunto, conforme os casos) explicam facilmente porquê. Note-se que explicar não é o mesmo que solucionar. O conhecimento por si só não muda o mundo.

Cartoon: Lela Lee, Angry Litle Girls. Fotografias de Gundega Dege e Ali Khan, encontradas aqui.

Nota: A frase “ o Inferno são os outros” é da autoria do filósofo francês Jean-Paul Sartre.

Sábado, 8 de Agosto de 2009

Crónica Visual nº 1: mais um que não se soube organizar!

administration desorganização   godbye - irina no

Legenda:

Quem não se organiza pode ser despedido – da empresa, do grupo de amigos, do namoro, do casamento… Mas, e se a desorganização for apenas uma desculpa, um mero pretexto? Pois é, os papéis sociais têm algumas semelhanças com os papéis teatrais.

Cartoon de Dave, retirado do We Blog Cartoons.

Fotografia de Irina No, retirada já não sei donde.

Quarta-feira, 5 de Agosto de 2009

Qual é a melhor estação do ano?

campo flores primavera         Quarteira anos 60
A autêntica estação

É verão. Vou pela estrada de sintra
por sinal pouco misteriosa à luz do dia
ao volante de um carro que não é um chevrolet
e nesse ponto apenas se perdeu a profecia
Não há luar nem sou um pálido poeta
que finja fingir a sua mais profunda emoção
Chove uma chuva que me molha os olhos
e me leva a sentir as saudades do inverno. Talvez lá faça sol
e eu sinta aflitivas saudades do verão:
uma estação na outra é a autêntica estação.

Ruy Belo

jardim no outono       casal passeando num dia de chuva

A fotografia da praia foi encontrada aqui e representa a praia de Quarteira, no Algarve, nos anos 60 do século XX. As outras fotografias foram encontradas na Net sem referência aos autores.

Terça-feira, 4 de Agosto de 2009

Imagens quase perfeitas de um mundo muito imperfeito

Sinais inúteis - numa vida, perdão, num Centro Comercial perto de si…

Moa_estacionamento_

Com Hansel and Gretel a estratégia funcionou, mas as florestas e as bruxas más da vida urbana actual são bastante mais complicadas que as das histórias…

Cartoon retirado do Moa Blog.

Não basta ter as coisas

Ter tecnologia não significa necessariamente ter desenvolvimento. É preciso reunir outras condições – como, por exemplo, educação. Será que Portugal as reúne? Leia esta notícia do jornal i antes de responder.

«Os portugueses estão entre os europeus que menos utilizam a Internet apesar de o país estar bem coberto e oferecer possibilidades de ligação acima da média europeia, revela um estudo da Comissão Europeia divulgado hoje em Bruxelas.

O relatório de 2009 da Comissão Europeia sobre a competitividade digital mostra que o sector digital europeu fez "fortes progressos" desde 2005, com 56 por cento dos europeus a utilizarem regularmente a Internet em 2008.

Em Portugal, apenas 38 por cento utilizam a Internet regularmente (pelo menos uma vez por semana), o que coloca o país em vigésimo segundo lugar entre os 27 Estados-membros.

Simultaneamente, apenas 29 por cento dos portugueses usam a Internet todos os dias, para uma média europeia de 43 por cento.

O relatório mostra que "Portugal é um dos países com a taxa mais baixa de utilizadores regulares e frequentes, e tem uma quota elevada de população que nunca utilizou a Internet" (54 por cento).

Segundo o estudo, 95 por cento da população portuguesa tem a possibilidade de utilizar uma ligação DSL (alta velocidade), um valor acima da média europeia (92,7), o que coloca o país na décima segunda posição entre os 27.»

As crianças fazem o que vêem

 

Campanha da National Association for Prevention of Child Abuse and Neglect (NAPCAN), Austrália.

Segunda-feira, 3 de Agosto de 2009

Porquê? Foi a sociedade, a natureza ou ambas?

"Enquanto os Gregos produziram luminares matemáticos como Arquimedes, Diofanto, Euclides, Eudoxo, Pitágoras e Tales, os Romanos não produziram um único matemático. Na cultura romana eram o conforto e a guerra, e não a verdade e a beleza, que ocupavam o centro do palco."

Leonard Mlodinow, O Passeio do Bêbado, Editorial Bizâncio, Lisboa, 2009, pág. 45.

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O caro leitor faça o favor de acrescentar esta pergunta às perguntas do título: As afirmações de Mlodinow acerca dos gregos e dos romanos não serão falsas generalizações?

É sempre difícil fazer afirmações verdadeiras acerca de um povo inteiro. Na maioria das vezes o rigor manda fazer afirmações particulares e não universais: em vez de dizer “todos os gregos valorizavam a verdade e a beleza” e “todos os romanos valorizavam a guerra e o conforto” deve antes dizer-se “muitos os gregos valorizavam a verdade e a beleza” e “muitos os romanos valorizavam a guerra e o conforto”. Não é preciso que todas pessoas de uma sociedade valorizem determinadas ideias, coisas ou actividades para elas serem socialmente significativas. Para isso é suficiente que muitas pessoas o façam.

Creio que é isso que Mlodinow queria dizer (pese embora a imprecisão – infelizmente frequente nas Ciências Sociais - das expressões “os Gregos” e “os Romanos”, que em termos lógicos estritos significam “todos os Gregos” e “todos os Romanos”) e, portanto, as suas afirmações acerca da cultura grega e da cultura romana são verdadeiras. Parecem falsas generalizações mas afinal não são.  A crítica que Mlodinow  merece deve-se à imprecisão e não à falsidade.

(Clique na capa do livro se quiser obter informações úteis acerca do mesmo.)