Domingo, 31 de Maio de 2009

Internet: tão perto e tão longe!

Internet comunicação pais e filhos

Imagem encontrada no blogue Aprendiz de Sociólogo.

Tão perto e tão longe…

Normalmente a Internet é associada à ideia oposta: tão longe e tão perto. Essa associação faz sentido, pois a Internet facilita imenso as comunicações e diminui certamente as distâncias. Como poderão comprovar os leitores deste blogue português  que não vivem em Portugal.

Todavia, o fenómeno ironicamente referido no cartoon é cada vez mais frequente. As horas passadas no computador, nomeadamente na Internet, fazem com que muitas pessoas invistam pouco nas relações interpessoais – com os familiares, amigos, colegas, etc. Relativamente a elas é verdadeiro dizer:  tão perto e tão longe!

É triste, mas parece que Salazar continua por cá…

Persistências do salazarismo na sociedade portuguesa, nomeadamente nas escolas. Aqui.

Sábado, 30 de Maio de 2009

Os limites do ‘Yes, we can!’

Obama dificuldades yes we can

As mudanças sociais são influenciadas por diversos factores: políticos, económicos, culturais, tecnológicos, etc.

Quando de fala de factores políticos tem-se em mente o facto de as decisões das pessoas com poderes políticos poderem provocar, ou pelo menos favorecer, mudanças significativas. Pense, por exemplo, nas medidas tomadas por Abraham Lincoln relativamente à escravatura nos EUA.

Mas, muitas vezes, não são apenas as decisões dos políticos que influenciam a mudança, mas também a própria personalidade destes – aquilo que se costuma designar por “carisma”. O actual presidente dos EUA é um bom exemplo dessa situação. O seu carisma pessoal faz com que seja, para muitas pessoas, o rosto da mudança e da esperança num mundo melhor.

Infelizmente, há problemas tão graves que nem o carisma nem as decisões dos melhores políticos conseguem resolver. A política parece ser insuficiente para conseguir mudanças no que lhes diz respeito.

O que é que falta?

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Esperança de vida dos portugueses aumentou

«A esperança de vida à nascença e aos 65 anos aumentou em Portugal, segundo as Tábuas de Mortalidade para o triénio 2006/2008 hoje divulgadas pelo Instituto Nacional de Estatística (INE).

Os valores definitivos da esperança média de vida à nascença para o referido período foram de 75,49 anos para os homens, 81,74 para as mulheres e 78,70 para ambos os sexos.

Em comparação, os valores indicados pelo INE em 2008 sobre o período de referência anterior, de 2005 a 2007, eram de 75,18 anos para os homens, 81,57 para as mulheres e 78,48 para ambos os sexos.

A esperança média de vida aos 65 anos aumentou igualmente entre 2006 e 2008, sendo de 18,13 anos para ambos os sexos, 16,25 para os homens e 19,61 para as mulheres, quando em 2005-2007 esses valores eram de 17,99, 16,07 e 19,48, respectivamente.»

Leia mais no jornal Público.

Terça-feira, 26 de Maio de 2009

Pobreza, desigualdade e … o sentido da vida

No blogue Dúvida Metódica encontra um post intitulado “Sair para o mundo e fazer algo que mereça a pena”.  Apesar do tema desse post ser o problema filosófico do sentido da vida, este tem interesse sociológico pois também refere temas como a pobreza e a desigualdade na distribuição da riqueza a nível mundial. Inclui dois vídeos e um texto do filósofo Peter Singer sobre esses temas.

As três ordens medievais: Nobreza, Clero e Povo

povo nobreza clero

3 ordens medievais povo nobreza clero

Domingo, 24 de Maio de 2009

Amy Winehouse: um exemplo de preconceito

Amy Winehouse caricature by Stevero

No blogue Dúvida Metódica um exemplo inesperado, mas verídico e claro, de preconceito.

Lila Downs, Caetano Veloso e a globalização

A globalização está a provocar uma homogeneização cultural ou, pelo contrário, a promover a diversificação cultural e o diálogo e as misturas entre culturas diferentes?

Ao tentar responder a essa pergunta não nos devemos esquecer da enorme divulgação e influência da cultura popular anglo-americana (nomeadamente os seus ‘produtos’ mais plastificados: Britney Spears & C.), mas senão quisermos ser intelectualmente desonestos não devemos esquecer outros factos.

Se não fosse a globalização, seria tão fácil ouvir a cantora mexicana Lila Downs na Europa?

Se não fosse a globalização, seria possível um ‘fenómeno’ como o segundo vídeo? Neste, temos um excerto da transmissão que a estação televisiva portuguesa TVI fez da cerimónia americana da entrega dos óscares e em que o cantor brasileiro Caetano Veloso e a cantora mexicana Lila Downs cantaram, em inglês e em espanhol, uma canção que faz parte do filme Frida (co-produção mexicana e americana).

Segunda-feira, 18 de Maio de 2009

Partilha de tarefas domésticas melhora vida sexual!

Os homens que partilham as tarefas domésticas melhoram a harmonia conjugal e podem ter uma vida sexual mais satisfatória, revela um estudo norte-americano.

tarefas domesticas partilhadasSe os homens executarem tarefas domésticas, as mulheres ficam mais felizes e isso melhorará, em termos afectivos e sexuais, o entendimento entre ambos.

A ideia é explicada por Scott Coltrane, sociólogo da Universidade de Riverside, na Califórnia, e co-autor do estudo, cujo resumo foi publicado quinta-feira no portal do Conselho de Famílias norte-americano.

Mas seria mesmo necessário efectuar um estudo para concluir isso? Seja como for, caro leitor, não se esqueça de lavar a loiça depois do jantar!

Leia mais aqui e aqui.

Novos papéis parentais

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A partilha de tarefas domésticas e do cuidado dos filhos entre homens e mulheres é hoje muito maior que há anos atrás.

Mas, como mostram alguns estudos, essa tendência – embora crescente – está longe de ser generalizada.

«As mulheres tratam da roupa, limpam a casa, preparam as refeições e ainda cuidam dos doentes. Os homens fazem pequenas reparações em casa. Esta é a realidade de muitos países europeus, mas em Portugal é particularmente evidente a ausência da partilha das tarefas domésticas. Apesar disso, as portuguesas são as que mais desculpam o companheiro e a maioria acha justo ocupar 19 horas semanais com o trabalho doméstico, enquanto eles apenas gastam três. Estas conclusões fazem parte do estudo «Atitudes Sociais dos Portugueses, Família e Papéis de Género», projecto coordenado por Manuel Villaverde Cabral e Jorge Vala, do Instituto de Ciências Sociais, divulgado na semana passada. O trabalho compara dados de Portugal, França, Reino Unido, República Checa, Suécia, Alemanha Ocidental e Espanha. As mulheres gastam, em média, quase três vezes mais horas com as tarefas domésticas que o parceiro. A Suécia faz a diferença, é onde se verifica uma maior participação dos homens, cinco horas semanais para eles e sete para elas. No lado oposto estão a Espanha (23 para duas) e Portugal. As horas de trabalho feminino em casa diminuem à medida que entram na vida profissional, mas não porque os homens façam mais. O que se passa é que o casal recorre ao trabalho de terceiros (empregadas domésticas) ou elimina tarefas (comida enlatada).»

Sexta-feira, 15 de Maio de 2009

Mudanças na família e a importância da ‘relação’

«Ao longo das últimas décadas, a Grã-Bretanha e outros países ocidentais passaram por mudanças nos padrões familiares, que seriam inimagináveis para gerações anteriores. A grande diversidade de famílias e formas de agregados familiares tornou-se um traço distintivo da época actual. As pessoas têm menos probabilidades de se virem a casar que no passado, e fazem-no numa idade mais tardia. O índice de divórcios subiu significativamente, contribuindo para o crescimento das famílias monoparentais. Constituem-se famílias recompostas através de segundos casamentos, ou através de novas relações que envolvem filhos de relações anteriores. As pessoas optam cada vez mais por viver em coabitação antes do casamento, ou em alternativa ao casamento. Em resumo, o mundo familiar é hoje muito diferente do que era há cinquenta anos atrás. Apesar das instituições do casamento e da família ainda existirem e serem importantes nas nossas vidas, o seu carácter mudou radicalmente.

No entanto, não foi só a família e a composição do agregado familiar que sofreram alterações. A mudança nas expectativas criadas pelas pessoas nas suas relações com os outros foi igualmente importante. O termo ‘relações’, aplicado à vida pessoal, generalizou-se na linguagem corrente há cerca de vinte ou trinta anos, bem como a ideia de que existe uma necessidade de ‘intimidade’ e ‘compromisso’ na vida pessoal. Nos tempos recentes, uma relação é algo de activo – algo em que temos de nos empenhar. Para perdurar no tempo, uma relação depende da confiança entre as pessoas. A maioria dos relacionamentos sexuais são hoje vividos nestes termos, tal como o casamento. As relações dependem cada vez mais da colaboração e comunicação entre os participantes. A comunicação emocional tornou-se central não só no relacionamento que envolve relações sexuais, mas também nas amizades e nas interacções entre pais e filhos.

As transformações mencionadas não se limitam aos países industrializados. Os processos descritos têm vindo a ter lugar – embora de forma desigual – em outras sociedades [por exemplo, na China].»

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pág. 174.

homens na taberna.3 Há anos atrás

casalinho casal na praia Agora

Quinta-feira, 14 de Maio de 2009

Monogamia e poligamia

Casamento Antigo MilosHarem poligamia poliginia

«Nas sociedades ocidentais, o casamento e, por conseguinte, a família, está associado à monogamia. É ilegal que um homem ou uma mulher sejam casados com mais de um indivíduo simultaneamente. Contudo, esta situação não se verifica a nível mundial.

Numa famosa comparação, que envolvia várias centenas de sociedades em meados do século XIX, George Murdock descobriu que a poligamia – que permitia que um homem ou uma mulher tivessem mais de um cônjuge - era permitida em mais de 80 por cento delas.

Existem dois tipos de poligamia: a poliginia, na qual um homem pode ser casado com mais de uma mulher ao mesmo tempo; e a poliandria, muito menos comum, na qual uma mulher pode ter simultaneamente dois ou mais maridos.»

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pág. 175.

A difícil vida doméstica das famílias recompostas

conflitos e interacções dificeis nas famílias reconstituídas

família reconstituída brasileira Família recomposta

Na fotografia anterior: «O diretor José Alvarenga e a atriz Helena Fernandes tiveram juntos Antônio, de 5 anos (de amarelo), e Lucas, de 4 (de verde). O filho de Helena, Yan, de 19 anos (de branco), e o de Alvarenga, Pedro, de 12 (de preto), tiveram de se adaptar. “Vivemos em eterna negociação”, diz a atriz.»

Fonte: Revista Época.

Famílias

familia nuclear Família nuclear

famíla extensa clã Família extensa

familia monoparental mother and daughter Família monoparental

familia recomposta Família recomposta

Na fotografia anterior: “O professor Elton Maravalhas tem três filhos do primeiro casamento: Fernanda, de 15 anos (de verde), Rafaella, de 13 (de preto), e Felipe, de 11 ( de azul). A mulher, Ana Cláudia Vivacqua, tem um menino da primeria união, Gabriel, de 13 anos (de camiseta branca). Eles admitem que a caçula, Rebecca, de 2 anos, fruto da união do casal, desperta ciúme.”

familia gay Família gay

Sábado, 9 de Maio de 2009

O que é realmente imoral?

Muitas pessoas ao ouvirem a afirmação “isto é imoral” não pensam na miséria, na corrupção ou na tortura, mas sim em sexo.

No blogue Dúvida Metódica pode ler a esse respeito dois posts: Imoral não quer dizer sexual e O que é realmente imoral: o sexo ou a miséria extrema?

Segunda-feira, 4 de Maio de 2009

Globalização e desigualdade

“A globalização está a desenrolar-se de forma assimétrica. O impacto da globalização é sentido de forma diferente [nas diferentes partes do mundo], e algumas das suas consequências não são de todo benignas. Lado a lado com o acumular de problemas ecológicos, o aumento das desigualdades entre as várias sociedades é um dos maiores desafios que o mundo enfrenta nos primórdios do século XXI. (…)

A vasta maioria da riqueza mundial está concentrada nos países industrializados ou ‘desenvolvidos’, ao passo que os países do ´terceiro mundo´ sofrem de pobreza generalizada, sobrepopulação, sistemas deficientes de prestação de cuidados de saúde e educação, e pesadas dívidas externas. A disparidade entre o mundo desenvolvido e o mundo em vias de desenvolvimento tem aumentado a um ritmo contínuo durante os últimos vinte anos, sendo hoje [2001] maior que nunca.

O Relatório de Desenvolvimento Humano de 1999, publicado pelas Nações Unidas, revelou que o rendimento médio do quinto da população mundial que vive nos países mais ricos é 74 vezes maior que o rendimento médio do quinto da população mundial que vive nos países mais pobres. No final da década de 90, 20% da população mundial era responsável por 86% do consumo total mundial, 82% dos mercados de exportação e 74% das linhas de telefones. (…) Os bens dos três bilionários mais ricos do mundo ultrapassam a soma dos Produtos Internos Brutos (PIB) de todos os países menos desenvolvidos e dos 600 milhões de pessoas que neles vivem.

Em grande parte do mundo em vias de desenvolvimento, os níveis de produção e crescimento económico registados durante o último século não acompanharam a taxa de crescimento da população, enquanto o nível de desenvolvimento económico nos países industrializados a ultrapassou de longe. Estas tendências contrárias conduziram a uma acentuada separação entre os países mais ricos e os mais pobres do mundo. A distância entre os países mais ricos e os países mais pobres traduzia-se em 1820 na proporção de 3 para 1, de 11 para 1 em 1913, de 35 para 1 em 1950 e de 72 para 1 em 1992. Durante o último século, o rendimento per capita no segmento mais rico da população mundial quase sextuplicou, enquanto no segmento mais pobre o aumento não chegou a triplicar.

A globalização parece exacerbar esta tendência, ao concentrar ainda mais o rendimento, a riqueza e os recursos num pequeno número de países.”

Quota do PIB mundial em 1997:

Países mais ricos (20% do total de países)

86%

Países médios (60% do total de países)

13%

Países mais pobres (20% do total de países)

1%

Quota de utilizadores da Internet em 1997:

Países mais ricos (20% do total de países)

93,3%

Países médios (60% do total de países)

6,5%

Países mais pobres (20% do total de países)

0,2%

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pp. 69-70.

Domingo, 3 de Maio de 2009

‘Chicken a la Carte’: é mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha do que acabar com a fome e a miséria!

Um filme de Ferdinand Dimadura.

No capítulo 19 do Evangelho Segundo Mateus, Jesus diz “é mais fácil passar um camelo pelo buraco de uma agulha do que entrar um rico no reino de Deus”.

Porém, o problema não está certamente na riqueza mas sim na sua distribuição. O problema talvez não esteja sequer na desigualdade da distribuição (que é inevitável e, em certa medida, desejável), mas sim no facto dessa desigualdade ser tão grande.

Mas como combater essa desigualdade excessiva e injusta?

Pocilga global?

globe flu medo mundial peste suína

Os mesmos meios de transporte que permitem que, em Portugal ou na Escócia, se coma mangas do Brasil e peras da África do Sul permitiram que a gripe suína, originária do México, se tenha rapidamente propagado para outros países.

Os mesmos meios de comunicação (televisão, jornais, Internet, etc.) que permitem aos portugueses ou austríacos conhecer a música feita em Cuba, no México ou no Mali permitiram que o medo dessa doença se propagasse mais rapidamente e para mais longe que o próprio vírus.

É assim a globalização. Simplificá-la prejudica o nosso conhecimento do mundo, mas - como se está a ver – pode também prejudicar a nossa saúde.

Cartoon de Hassan Bleibel.

Mount of Oaks: uma comunidade monástica, ecológica e…

cortando legumes mount of oaks

“No final do trilho está uma comunidade que nasceu duma "conversa com Deus". Definem-se como monásticos e têm um grande cariz de intervenção social, sobretudo na aldeia da Póvoa da Atalaia. Aquecem a água do banho com lenha, cozinham bolos com o reflexo do sol, praticam uma agricultura de subsistência, mas, curiosamente, não dispensam o telemóvel e escrevem com regularidade num blogue (mount-of-oaks.blogspot.com). O telemóvel serve "para sabermos quando os nossos amigos no estrangeiro chegam", explicam. O blogue acaba por ser um bom instrumento de divulgação da comunidade. (…)

A procura deste estilo de vida franciscano está intimamente relacionada com a alteração do paradigma económico. Andrew encontra uma solução na "gifty economy" (economia da dádiva), enquanto discursa sobre a exaustão das populações do Norte da Europa em relação ao materialismo. Cada vez mais pessoas encontram em Portugal um país que ainda não está tão corrompido, e onde podem formar comunidades que se mantêm pela caridade das vilas vizinhas. É o que se passa aqui. Bárbara organiza eventos sociais e artísticos na aldeia e todos a adoram e oferecem dinheiro ou alimentos. Aos fins-de-semana preparam ranchos no ringue da aldeia, com artes circenses, que aliciam as tribos assíduas do festival anual Boom, na Idanha-a-Nova. Promovem workshops, uns sobre construção de casa com madeira, outros de permacultura (sistema holístico de planificação de habitats humanos em harmonia com a natureza); vão às escolas incentivar as crianças a debaterem o consumismo e a implantação dum comércio justo, a limparem a cidade e recolherem lixo das matas. ”

«A ‘Terra Prometida’ da Póvoa da Atalaia» – Notícia do jornal Público. Clique para ler mais.