Quarta-feira, 29 de Abril de 2009

O preço da liberdade

Conversa com Margarida Tengarrinha acerca do 25 de Abril e da resistência (nomeadamente por parte das mulheres) à ditadura do Estado Novo.

conversas_feminino

No Auditório da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa, às 10.20, no dia 30 de Abril.

(Organização do subdepartamento de Filosofia (professor António Silva) em colaboração com a Biblioteca Escolar, no âmbito da comemoração dos 35 anos do 25 de Abril.)

Terça-feira, 28 de Abril de 2009

Globalização do medo: sete países com casos confirmados de gripe mexicana

Notícia do jornal Público: “Sete países com casos confirmados de gripe mexicana”. Clique para ler mais.

Esperemos que a globalização do medo seja injustificada e não haja, afinal, um perigo global.

Reflexos da crise económica

evolução da crise económica

Imagem retirada da Internet, sem indicação do autor.

Segunda-feira, 27 de Abril de 2009

Globalização cultural: imperialismo ou diversidade?

Titanic beijo “O impacto cultural da globalização foi alvo de muita atenção. Imagens, ideias, produtos e estilos disseminam-se hoje em dia pelo mundo inteiro de uma forma muito mais rápida. O comércio, as novas tecnologias de informação, os meios de comunicação internacionais e a migração global fomentaram um fluxo sem restrições de cultura que transpõe as fronteiras das diversas nações. Muitas pessoas defendem que vivemos hoje numa única ordem de informação – uma gigantesca rede mundial, onde a informação é partilhada rapidamente e em grande quantidade. (…)

Segundo estimativas, centenas de milhões de pessoas do mundo inteiro assistiram ao filme Titanic, em salas de cinema ou em vídeo. Estreado em 1997, o Titanic conta a história de um jovem casal que se apaixona a bordo do fatídico navio transoceânico, e é um dos filmes mais populares de sempre. O Titanic quebrou todos os records de bilheteira, acumulando mais de 1,8 mil milhões de dólares de receitas provenientes de salas de cinema em cinquenta e cinco países diferentes. Aquando da estreia do filme, formaram-se em muitos países filas de centenas de pessoas para comprar bilhete, e as sessões estavam permanentemente esgotadas (…)

masai e mulher ocidental O filme é um dos muitos produtos culturais que conseguiu quebrar as fronteiras nacionais e dar origem a um fenómeno de verdadeiras proporções internacionais. (…)

Uma razão que explica o sucesso de Titanic é o facto do filme reflectir um conjunto particular de ideias e valores com que as assistências pelo mundo fora conseguiam identificar-se. Uma das temáticas centrais do filme é a da possibilidade do amor romântico vencer as diferenças de classe social e as tradições familiares. Embora este ideal seja, de uma forma geral, aceite na maior parte dos países ocidentais, ainda não prevalece em muitas outras regiões do mundo. O sucesso de uma película como o Titanic reflecte a mudança de atitudes em relação a relacionamentos pessoais e casamentos, por exemplo, em partes do mundo onde os valores mais tradicionais têm prevalecido. No entanto, pode dizer-se que o Titanic, tal como muitos outros filmes ocidentais, contribui para essa mudança de valores. Os filmes e programas de televisão produzidos no Ocidente, que dominam os media mundiais, tendem a avançar uma série de agendas políticas, sociais e económicas que reflectem uma visão do mundo especificamente ocidental. Alguns preocupam-se com o facto da globalização estar a conduzir à criação de uma ‘cultura global’, em que os valores dos mais ricos e poderosos – neste caso, os estúdios de cinema de Hollywood – se sobrepõem à força dos hábitos e das tradições locais. De acordo com esta perspectiva, a globalização é uma forma de ‘imperialismo cultural’, em que os valores, os estilos e as perspectivas ocidentais são divulgados de um modo tão agressivo que suprimem as outras culturas nacionais.

Outros autores, pelo contrário, associaram os processos de globalização a uma crescente diferenciação no que diz respeito a formas e tradições culturais. Ao contrário dos que insistem no argumento da homogeneização cultural, estes autores afirmam que a sociedade global se caracteriza actualmente pela coexistência lado a lado de uma enorme diversidade de culturas. Às tradições locais, junta-se um conjunto de formas culturais adicionais provenientes do estrangeiro, presenteando as pessoas com um leque estonteante de opções de escolha de estilos de vida. Estaremos a assistir à fragmentação de formas culturais, e não à formação de uma cultura mundial unificada. As antigas identidades e modos de vida enraizados em culturas e em comunidades locais estão a dar lugar a novas formas de ‘identidade híbrida’, compostas por elementos de diferentes origens culturais. Deste modo, um cidadão negro e urbano da África do Sul actual pode permanecer fortemente influenciado pelas tradições e perspectivas culturais das suas raízes tribais, mas simultaneamente adoptar um gosto e um estilo de vida cosmopolitas – na roupa, no lazer, nos tempos livres, etc. – que resultam da globalização.”

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pp. 64-65.

1. Descreva em poucas palavras a globalização cultural.

2. Dê exemplos ilustrativos da globalização cultural diferentes dos exemplos dados pelo autor.

3. Relacione a globalização cultural com a aculturação.

4. Relacione a distinção entre aculturação por assimilação e aculturação por destruição com a divergência entre os autores que defendem que a globalização cultural leva à homogeneização cultural e os autores que defendem que leva à diferenciação cultural.

5. Na sua opinião, quem tem razão nessa divergência. Porquê?

Globalização alimentar: diferenciação ou homogeneização?

chinese_food_comida chinesa Frango com Curry e Leite de Coco

sushi comida Japão taco de carne México

pasta comida italianaervilhas com ovos Frango_favas hamburguer

Nas fotografias pode ver: comida chinesa, indiana, japonesa, mexicana, italiana, portuguesa e um hambúrguer “internacional” (mas originariamente americano).

Actualmente, em qualquer pequena cidade europeia (Faro, por exemplo) podemos encontrar restaurantes com comida típica dos mais diversos países, lado a lado com inúmeros restaurantes dedicados à fast-food. Estes últimos são, na sua grande maioria, pertencentes a cadeias internacionais – servindo os mesmos pratos nos mais diversos pontos do mundo.

No que diz respeito à alimentação, a globalização originou duas tendências opostas: a diferenciação e a homogeneização (ou massificação). Qual das duas tendências será mais forte?

Sem a globalização seria possível conhecer Ali Farka Touré ou Ibrahim Ferrer fora dos seus países?

Ali Farka Touré (1939 – 2006) era do Mali. Ibrahim Ferrer (1927 – 2005) era cubano, tal como Omara Portuondo (nascida em 1930) – ambos se tornaram conhecidos fora de Cuba graças ao projecto Buena Vista Social Club). Deram diversos concertos e venderam muitos discos na Europa e nos EUA.

Sábado, 25 de Abril de 2009

25 de Abril: Portugal futuro com o passado à perna

O portugal futuro é um país aonde o puro pássaro é possívelmapa-portugal e sobre o leito negro do asfalto da estrada as profundas crianças desenharão a giz esse peixe da infância que vem na enxurrada e me parece que se chama sável Mas desenhem elas o que desenharem é essa a forma do meu país e lhe chamem elas o que lhe chamarem portugal será e lá serei feliz Poderá ser pequeno como este ter a oeste o mar e a espanha a leste tudo nele será novo desde os ramos à raiz À sombra dos plátanos as crianças dançarão e na avenida que houver à beira-mar pode o tempo mudar será verão Gostaria de ouvir as horas do relógio da matriz mas isso era o passado e podia ser duro edificar sobre ele o portugal futuro

Ruy Belo, "Portugal Futuro", Palavra[s] de Lugar, in Homem de Palavra[s]

Quinta-feira, 23 de Abril de 2009

Globalização cultural: homogeneização ou diferenciação?

Veja aqui a lista dos 20 filmes mais vistos de sempre no mundo inteiro.

Veja aqui as canções mais tocadas em Portugal no ano de 2008.

Veja o site “Música do Mundo”, especializado em “World Music e fusões de ritmos nativos originais com o jazz e o rock e outros géneros contemporâneos”.

O que se pode concluir?

Blog da Má Língua

O Blog da Má Língua é uma iniciativa dos alunos Eurico Graça e Patrícia Modesto (da turma F do 11º ano) - representantes dos alunos no Conselho Geral da Escola Secundária de Pinheiro e Rosa.

Os principais objectivos do Blog são: fornecer informações aos alunos da escola sobre as reuniões e decisões do Conselho Geral, bem como sobre outros temas do seu interesse; permitir que os alunos possam exprimir as suas opiniões sobre a vida da escola (nomeadamente os temas discutidos no Conselho Geral) e a educação em geral.

O Caderno de Sociologia espera que os alunos da escola aproveitam a oportunidade.

Boa sorte para o Eurico e para a Patrícia.

Segunda-feira, 20 de Abril de 2009

As empresas transnacionais

“Entre os muitos factores que fazem avançar a globalização, destaca-se o papel especialmente importante das empresas transnacionais – empresas que produzem bens ou serviços comerciais em mais do que um país. Estas podem ser firmas relativamente pequenas, com uma ou duas fábricas fora do país onde estão sediadas, ou gigantescos empreendimentos internacionais, cujas operações abrangem todo o globo. Algumas das maiores empresas transnacionais são empresas bem conhecidas em todo o mundo: Coca-Cola, General Motors, Colgate-Palmolive, Kodak, Mitsubishi, e muitas outras. (…) As empresas transnacionais têm como objectivo conquistar mercados e lucros mundiais.

As transnacionais estão no cerne da globalização económica: são responsáveis por dois terços de todo o comércio mundial, são cruciais para a difusão de novas tecnologias em todo o mundo, e são actores decisivos nos mercados financeiros internacionais. (…) Ao mesmo tempo que mais de 400 transnacionais realizaram em 1996 vendas anuais para cima de 10 mil milhões de dólares, apenas 70 países tinham um produto nacional bruto de pelo menos esse valor. Por outras palavras, as principais transnacionais têm uma dimensão económica maior do que a maior parte dos países.

Por exemplo, comparando o total de vendas das empresas com o produto nacional bruto no ano de 1997:

General Motors: 164 mil milhões de dólares.

Tailândia: 154 mil milhões de dólares.

Noruega: 153 mil milhões de dólares.

Cadeia Wal-Mart: 105 mil milhões de dólares.

Malásia: 98 mil milhões de dólares.

Israel: 98 mil milhões de dólares.

Colômbia: 96 mil milhões de dólares.

Filipinas: : 82 mil milhões de dólares. (…)”

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pp. 57-58 (Adaptado).

“Uma empresa transnacional é uma entidade autónoma que fixa as suas estratégias e organiza sua produção em termos internacionais, ou seja, sem vínculo directo com as fronteiras nacionais.

Uma empresa transnacional não tem o seu capital originado especificadamente num país. Um certo produto pode, dentro deste sistema, ter os seus componentes produzidos em diversas regiões do mundo e montados depois noutro lugar do mundo.

Isto acontece principalmente devido à globalização, em que as empresas buscam a redução de seus custos (de mão-de-obra, de impostos, etc.) com o objectivo de se tornarem mais competitivas e de dominarem uma maior percentagem do mercado a que se destinam os seus produtos ou serviços.”

Adaptado a partir da Wikipedia.

Economia do conhecimento

“A integração da economia mundial [é um dos factores que] está a fazer avançar a globalização. Ao contrário de épocas mais antigas, a economia global já não assenta primordialmente na agricultura ou na indústria. Ao invés é cada vez mais dominada por actividades ‘leves´ e intangíveis. Esta economia ‘light’ define-se como uma economia em que os produtos se baseiam na informação, como é o caso do software informático, dos produtos multimédia e de entretenimento e dos serviços Online. Este novo contexto económico já foi descrito de várias formas: ‘sociedade pós-industrial’, ‘era da informação’; a definição mais comum hoje em dia talvez seja ‘economia do conhecimento’. A emergência deste tipo de economia está relacionada com o aparecimento de uma vasta gama de consumidores tecnologicamente instruídos e que integram avidamente nas suas vidas quotidianas novos avanços nos campos da informática, do espectáculo e das telecomunicações.

A economia global reflecte no seu modus faciendi as mudanças que ocorreram na era da informação. Muitos aspectos da economia processam-se hoje em dia através de redes internacionais, não se limitando às fronteiras de um país. Para se tornarem competitivas nas condições que a globalização impõe, as firmas e as empresas tiveram de se reestruturar, no sentido de uma maior flexibilização e de uma menor hierarquização. As práticas de produção e os padrões organizacionais tornaram-se mais flexíveis, as parcerias entre empresas tornaram-se comuns, e a participação em redes mundiais de distribuição tornou-se essencial para negociar neste mercado global em mudança rápida. (…)

Um dos aspectos dessa economia do conhecimento (e que muito contribui para a globalização económica) é a ‘economia electrónica’. Bancos, empresas, gestores de capitais e investidores em nome individual podem fazer transferências internacionais de fundos com um simples clique de rato do computador. Contudo, esta nova capacidade de poder mover ‘dinheiro electrónico’ de forma instantânea acarreta grandes riscos. A transferência de grandes somas de dinheiro pode desestabilizar as economias, fazendo despoletar crises financeiras internacionais, como a que alastrou das economias asiáticas à Rússia e a outros países em 1998. À medida que a economia mundial se torna cada vez mais integrada, um colapso financeiro numa determinada zona do mundo pode ter enormes consequências em economias distantes.”

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pp. 54 e 58.

Um outro aspecto da chamada economia do conhecimento são as compras através da Internet.

“Um estudo produzido pela Ernest & Young revela claramente a crescente atenção que produtores, retalhistas e consumidores do mercado norte-americano dedicam ao comércio electrónico.

No último semestre de 1998 as vendas Online subiram 200% e prevê-se que o volume de negócios Online no ano de 1999 ronde entre os 10 e 13 biliões de dólares. (…)

10% dos lares inquiridos nesse efectuam compras Online e 57% desses lares utilizam com frequência a Internet para procurar e comparar produtos e serviços que depois vêm a adquiri pelos meios mais tradicionais.”

Observatório do Comércio, citado em: António Pombo e outros, Sociologia em Acção – 12º ano, Porto Editora, 2009, pág. 135.

“Dados da Marktest indicam que entre 2000 e 2008, as compras através da Internet em Portugal aumentaram cerca de 670%. E quando fazem compras online, os portugueses preferem páginas nacionais – durante o mesmo período, as aquisições em portais de compras portugueses aumentaram 925%.

Para Helena Barbas, da Marktest, estes dados demonstram que os portugueses estão cada vez mais interessados na Internet enquanto meio para aquisição de produtos e serviços. De facto, entre os consumidores que já realizaram compras online, 90% diz tencionar repetir a experiência. No entanto, ainda há nesta área muito mercado por explorar, uma vez que 65% dos cibernautas portugueses nunca realizou qualquer compra pela Internet – apesar de a percentagem de consumidores que recorre a este meio para obter informações sobre produtos e serviços que posteriormente adquire ser consideravelmente mais elevada.”

Informação retirada do site elojas.

Há crianças que, para não morrer de fome, comem lixo

O BICHO

Vi ontem um bicho
Na imundície do pátio
Catando comida entre os detritos.

Quando achava alguma coisa,
Não examinava nem cheirava:
Engolia com voracidade.

O bicho não era um cão,
Não era um gato,
Não era um rato.

O bicho, meu Deus, era um homem.

Manuel Bandeira

crianças comendo restos no lixo    menino_jakarta_favela_sacos_plasticos

Domingo, 19 de Abril de 2009

"É obrigatório duplicar produção agrícola mundial até 2050", apela agência da ONU

fome_no_mundo criança esfomeada gatinhando criança esfomeada mamando

Notícia do jornal Público, do dia 19-04-2009:

“O presidente do Fundo Internacional para o Desenvolvimento Agrícola (FIDA), uma agência da ONU, Kanayo Nwanze, declarou hoje que é "obrigatório" duplicar a produção alimentar agrícola até 2050 para assegurar a segurança alimentar no mundo. "É obrigatório duplicar a produção [agrícola mundial] porque, em 2050, a população mundial terá crescido enormemente", indicou.”

mãe e filho com fome crianca com fome comendo lixo

Mas, como mostram as imagens, mesmo sem aumento populacional, também é urgente um aumento da produção agrícola actual – ou, então, uma melhor distribuição dessa produção.

Apesar de nenhuma das fotografias ter sido tirada em 2009 ou sequer em 2008, é sabido que em diversos sítios do mundo - no Darfur, por exemplo - continuam hoje em dia a morrer pessoas devido à fome.

Estendal sevilhano

estendal sevilhano

“Uma varanda de uma casa na cidade de Málaga, no sul de Espanha, é decorada com vestidos de sevilhanas, típicos de uma dança tradicional do país, muito viva e colorida. Fotografia: Jon Nazca/Reuters

Jornal Público, 19-04-2009.

Sábado, 18 de Abril de 2009

Exemplo de etnocentrismo relacionado com costumes religiosos

No blogue “Dúvida Metódica” pode encontrar – no post “Qual é a ironia?” - um cartoon que ilustra muito bem o conceito de etnocentrismo, no caso relacionado com costumes religiosos.

No mesmo blogue pode também ler um post relacionado com o problema do etnocentrismo - “Será intolerante criticar os ‘crimes de honra´?” Embora explore aspectos filosóficos e não sociológicos desse problema, tem, mesmo assim, interesse para quem estuda ou ensina Sociologia.

Sexta-feira, 17 de Abril de 2009

Globalização: comunicação global

“A explosão a que se assistiu na comunicação a nível global foi possível graças a importantes avanços na tecnologia e nas infra-estruturas das telecomunicações mundiais. A stelefone antigo eguir ao pós-guerra deu-se uma profunda transformação no âmbito e intensidade do fluxo de telecomunicações. O sistema tradicional de comunicação telefónica, baseado em sinais analógicos enviados por fios e por cabos, foi substituído por sistemas integrados onde grandes quantidades de informação são comprimidas e transferidas digitalmente. A tecnologia por cabo tornou-se mais eficiente e menos dispendiosa; o desenvolvimento de cabos de fibra óptica aumentou gigantescamente o número de canais que podem ser suportados. Enquanto os primeiros cabos transatlânticos instalados na década de 50 do século XX eram capazes de transportar menos de cem canais de voz, em 1997 a capacidade de um único cabo transoceânico elevava-se já a cerca de 600 000. [A capacidade dos actuais é superior a um milhão.] A banalização do recurso a satélites de comunicação, fenómeno que teve início na década de 60, foi também importante para a expansão das comunicações internacionais. Hoje em dia, está em funcionamento uma rede de mais de 200 satélites, facilitando a transferência de informação pelo mundo inteiro.

O impacto destes sistemas de comunicação tem sido extraordinário. Hoje em dia, os lares e os escritórios dos países mais desenvolvidos do ponto de vista das telecomunicações têm múltiplas ligações ao exterior, incluindo telefones (fixos e móveis), máquinas de fax, televisão digital e por cabo, correio electrónico e Internet. Esta última afirmou-se como a ferramenta de comunicação de maior crescimento de sempre – em 1998, havia cerca de 140 milhões de utilizadores de Internet no mundo inteiro. Em 2001, são mais de 700 milhões. [Em 2009 já são mais de mil milhões de utilizadores.]

Estas formas de tecnologia facilitam a ‘compressão’ do tempo e do espaço: dois indivíduos situados em dois lados opostos do planeta – em Tóquio e Londres, por exemplo – não só podem ter uma conversa em ‘tempo real’, como podem também enviar documentos e imagens um ao outro com a ajuda da tecnologia de satélite. O uso corrente da Internet e dos telemóveis aprofunda e acelera os processos de globalização. Um número crescente de pessoas ficam ligadas entre si graças ao recurso a estas tecnologias, e fazem-no em lugares antigamente isolados ou deficientemente abrangidos pelo sistema tradicional de comunicações.

Embora as infra-estruturas de telecomunicações não se tenham desenvolvido de igual forma em todo o mundo, um número cada maior de países pode ter acesso às redes internacionais de comunicação, de um modo que anteriormente não era possível.”

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pp. 52-53.

Internet já tem mais de 1000 milhões de utilizadores

Em todo o Mundo, mais de mil milhões de pessoas utilizam a Internet. Leia mais aqui.

Quinta-feira, 16 de Abril de 2009

Globalização: muito mais que a economia

TV e computador“Há uma década, o termo ‘globalização’ era relativamente desconhecido. Hoje, toda a gente parece usá-lo constantemente. Por globalização entendemos o facto de vivermos cada vez mais num ‘único mundo’, pois os indivíduos, os grupos e as nações tornaram-se mais interdependentes.

Fala-se frequentemente de globalização como se se tratasse apenas de um fenómeno económico. Muitas vezes a análise centra-se no papel das transnacionais, cujas gigantescas operações ultrapassam as fronteiras dos países, influenciando os processos globais de produção e distribuição internacional do trabalho. Outros apontam para a integração económica dos mercados financeiros e para o enorme volume de transacção de capitais a um nível global. Outros ainda centram-se no âmbito inédito do comércio mundial, que em relação ao que se passava antigamente envolve hoje em dia uma gama muito maior de bens e serviços.

Embora constituam parte integrante do fenómeno, é errado pensar que as forças económicas fazem por si só a globalização – que na realidade é o resultado de uma conjugação de factores económicos, políticos, sociais, tecnológicos e culturais. O seu progresso é devido sobretudo ao d esenvolvimento das tecnologias de informação e comunicação, que vieram intensificar a velocidade e o âmbito das interacções entre os povos do mundo inteiro. Tome-se, como exemplo, o campeonato do mundo de futebol que teve lugar em França em 1998. Graças às redes mundiais de difusão televisiva, alguns jogos foram vistos por cerca de 2 mil milhões de pessoas em todo o mundo.”

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pág. 52.

Globalização: o mundo numa montra de supermercado

“Poderá pensar que o supermercado não tem muita relevância para o estudo da Sociologia, mas (…) o supermercado é um local que nos pode dizer muito sobre fenómenos sociais de grande interesse para os sociólogos no início do século XXI: o ritmo vertiginoso da mudança social e o aprofundar da sociedade global.

Na próxima vez que for ao supermercado preste atenção à grande variedade de produtos expostos nas prateleiras. Se, como muitas pessoas fazem, iniciar as compras pela secção de produtos frescos, é provável que encontre ananases do Hawai, uvas de Israel, maçãs da África do Sul e abacates de Espanha. No corredor seguinte, poderá dar de caras com uma vasta gama de pastas de caril e de especiarias para a cozinha indiana, variadíssimos ingredientes para a cozinha do Médio Oriente, como cuscuz e falafel, bem como leite de coco enlatado para a cozinha tailandesa. Continuando as compras, tome atenção ao café proveniente do Quénia, da Indonésia ou da Colômbia, à carne de ovelha da Nova Zelândia, às garrafas de vinho da Argentina ou do Chile. Se prestar atenção a um pacote de bolachas ou a uma tablete de chocolate, notará que os ingredientes vêm descritos em oito ou dez línguas diferentes.

Que dimensões sociológicas estão associadas a esta curta ronda pelo supermercado? (…) A enorme variedade de produtos que nos habituámos a ver nos supermercados ocidentais depende de laços económicos e sociais complexos que ligam as pessoas e os países do mundo inteiro. (…)

Os sociólogos usam o termo globalização quando se referem aos processos que intensificam cada vez mais a interdependência e as relações sociais a nível mundial. Trata-se de um fenómeno social com vastas implicações (…). Não deve pensar-se na globalização apenas como o desenvolvimento de redes mundiais – sistemas económicos e sociais afastados das nossas preocupações individuais. É também um fenómeno local, que afecta a vida quotidiana de todos nós. (…)

[Essa interdependência significa que] o que fazemos tem consequências na vida dos outros e que os problemas mundiais têm consequências para nós.”

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, F. C. Gulbenkian, 2007, Lisboa, pp. 50-51.

Quarta-feira, 15 de Abril de 2009

A relatividade do vestuário... e do decoro

Decoro e mini-saia relatividade do vestuário

Os fenómenos sociais são relativos, ou seja, variam temporalmente (consoante a época histórica) e espacialmente (de sociedade para sociedade). A imagem (retirada do blogue Sorumbático) ilustra muito bem a relatividade temporal.

Se o leitor conhecedor do caso da Loja do Cidadão de Faro (para se informar veja aqui e aqui) quiser tirar alguma ilação, faça o favor de não se coibir.

DOMÍNIO PÚBLICO – biblioteca digital (grátis!)

"Domínio Público" é uma biblioteca digital (desenvolvida em software livre), disponibilizada pelo governo brasileiro.

Para saber mais dê uma espreitadela no blogue “Dúvida Metódica”.

Quarta-feira, 8 de Abril de 2009

Strange Fruit - Uma denúncia bela e irónica do racismo

“Strange Fruit”, escrita por Lewis Allen e cantada por Billie Holiday

Southern trees bear strange fruit, Blood on the leaves and blood at the root, Black bodies swinging in the southern breeze, Strange fruit hanging from the poplar trees.

Pastoral scene of the gallant south, The bulging eyes and the twisted mouth, Scent of magnolias, sweet and fresh, Then the sudden smell of burning flesh.

Here is fruit for the crows to pluck, For the rain to gather, for the wind to suck, For the sun to rot, for the trees to drop, Here is a strange and bitter crop.

Segunda-feira, 6 de Abril de 2009

Exemplo de anomia

No blogue Dúvida Metódica pode ler dois posts de Sara Raposo que ilustram muito bem o conceito de anomia, proposto por Émile Durkheim. Clique aqui e aqui para aceder.

Nesses posts é apresentada a descrição feita pelo jornalista polaco Ryszard Kapuscinski de uma guerra civil no Congo, no início dos anos 60.

Ryszard Kapuscinski mostra que no Congo sucedeu exactamente aquilo que o filósofo Thomas Hobbes disse que sucederia se não existisse Estado: «dada a inexistência de ordem e de lei, impera a “lei do mais forte”, vive-se num “estado de guerra permanente”, há um medo constante, pois a vida de cada pessoa encontra-se permanentemente em perigo».

Quarta-feira, 1 de Abril de 2009

O que é a globalização? - Uma resposta irónica mas verdadeira

"Pergunta: Qual é a mais correta definição de Globalização?
Resposta: A Morte da Princesa Diana.
Pergunta: Por quê?
Resposta: Uma princesa inglesa com um namorado egípcio, tem um acidente de carro dentro de um túnel francês, num carro alemão com motor holandês, conduzido por um belga, bêbado de whisky escocês, que era seguido por paparazzis italianos, em motos japonesas. A princesa foi tratada por um médico americano, que usou medicamentos brasileiros.
E isto é enviado a você por um brasileiro, usando tecnologia americana -(Bill Gates), e, provavelmente, você está lendo isso em um computador genérico que usa chips feitos em Taiwan, e um monitor coreano montado por trabalhadores de Bangladesh, numa fábrica de Singapura, transportado em caminhões conduzidos por indianos, roubados por indonésios,descarregados por pescadores sicilianos, reempacotados por mexicanos e, finalmente, vendido a você por judeus, através de uma conexão paraguaia.
Isto é GLOBALIZAÇÃO!!!"
Texto encontrado no blogue BRASILEIRO “Escola Jerônimo Coelho”.