Sábado, 31 de Janeiro de 2009

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

Unidos pelo ódio e divididos pela verdade - análise sociológica do filme "América Proibida"

“América proibida”, “American History X” no original, conta a história de Derek Vinyard (Edward Norton), que regressa a casa, saído da prisão, onde cumpriu uma pena de três anos por ter assassinado dois negros. Antes de ser preso Derek era racista, achava que nos Estados Unidos da América só havia lugar para os brancos e era o carismático líder de um grupo de skinheads. Mas agora é um homem diferente, a prisão mudou-o. Ao reencontrar o irmão, Danny Vinyard (Edward Furlong), Derek percebe consternado que este seguiu os seus passos e se transformou num skinhead.

Nas aulas de Sociologia analisaremos o filme recorrendo a alguns conceitos leccionados recentemente: cultura, diversidade cultural, etnocentrismo, subcultura, contracultura, socialização, identificação e agente de socialização.

O filme relaciona-se também com outros conceitos sociológicos que serão leccionados mais tarde: migrações, desigualdade, discriminação, reprodução social, controle social, família, etc.

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

Qual foi, afinal, "a lição de Salazar"?

«Para assinalar os dez anos de governo de Salazar, é editada, em 1938, uma série de sete cartazes intitulada “A Lição de Salazar”, distribuída por todas as escolas primárias do país. Estes cartazes faziam parte de uma estratégia de inculcação de valores por parte do Estado Novo, destinando-se a glorificar a obra feita até então pelo ditador, desde o campo económico-financeiro às obras públicas. Durante muitos anos, estes cartazes didácticos foram utilizados como forma de transmitir uma ideia central: a superioridade de um Estado forte e autoritário sobre os regimes demoliberais.
Para acentuar a importância do Estado Novo enquanto garante da ordem e progresso do país, os cartazes fazem uma comparação sistemática entre a obra do regime salazarista e a 1ª República: à desorganização económica e financeira e ao alheamento do Estado democrático e liberal republicano face aos problemas do país, sucede a organização financeira, a melhoria das vias de comunicação, a construção de portos, o ordenamento e progresso social promovidos pelo Estado Novo. Os cartazes acentuam esta ideia a partir de uma imagem cinzenta e triste da época da 1ª República, enquanto o “depois” da obra salazarista nos aparece colorido, organizado, moderno.»
Leia e veja mais cartazes no site da Escola Secundária Ferreira de Castro.

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

Entrevista a Alice Vieira: “Aconteceu uma coisa terrível na Educação: tudo tem de ser divertido, nada pode dar trabalho”

«É por causa dos seus livros que Alice Vieira é convidada para ir às escolas. Há 30 anos, falava de “Rosa, minha irmã Rosa” aos alunos dos 3.º e 4.º anos, hoje fala sobre o mesmo livro aos estudantes dos 7.º e 8.º. “Alguma coisa está mal.”
A escritora Alice Vieira começa por dizer que de educação percebe pouco. “Nunca fui professora na minha vida!”, justifica. Mas há três décadas que anda pelas escolas e observa o que se passa no mundo da educação. O retrato que faz, reconhece ser “assustador”: professores com fraca formação, alunos que não compreendem o que aprendem. Defende mais disciplina e mais autoridade para a escola.»
Entrevista da escritora Alice Vieira à jornalista Bárbara Wong, no jornal Público de 19.01.2009. Clique aqui para ler mais. Vale a pena.

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

Exemplos da relação entre valores e normas

«Os valores influenciam o comportamento das pessoas e funcionam como critérios para avaliar as acções das outras pessoas. Os valores, as normas e as sanções de uma cultura estão com frequência directamente relacionados.
Por exemplo, se uma cultura valoriza muito a instituição do casamento, poderá ter normas (e sanções rigorosas) que proíbam o acto do adultério ou tornem o divórcio difícil. Se uma cultura considera a propriedade privada um valor básico, ela provavelmente terá leis rígidas contra o roubo e o vandalismo.»
Richard T. Schaefer, Sociologia, 6ª edição, McGraw-Hill, São Paulo, 2006, pág. 66.

Valores e normas

«As ideias que definem o que é importante, útil ou desejável são importantes em todas as culturas. Essas ideias abstractas, ou valores, atribuem significado e orientam os seres humanos na sua interacção com o mundo social. A monogamia – a fidelidade a um único parceiro sexual – é um exemplo de um valor proeminente na maioria das sociedades ocidentais.

As normas são as regras de comportamento que reflectem ou incorporam os valores de uma cultura.

As normas e os valores determinam entre si a forma como os membros de uma determinada cultura se comportam. Em culturas onde se valoriza grandemente a aprendizagem, por exemplo, as normas culturais encorajam os alunos a despender grandes energias no estudo, apoiando os pais que fazem sacrifícios em prol da educação dos filhos. Numa cultura que valoriza a hospitalidade, as normas culturais podem estimular expectativas quanto à dádiva de presentes ou ao comportamento social de convidados e anfitriões.

As normas e os valores variam muitíssimo entre culturas. Algumas valorizam grandemente o individualismo, enquanto outras podem enfatizar as necessidades colectivas. Vejamos um exemplo. A maioria dos alunos britânicos sentir-se-iam indignados se descobrissem um colega a copiar num exame. Na Grã-Bretanha, copiar do colega do lado vai contra os valores fundamentais da realização individual, da igualdade de oportunidades, do trabalho árduo e do respeito pelas regras. No entanto, os estudantes russos sentir-se-iam intrigados com esta noção de ultraje dos seus colegas britânicos. A entreajuda entre colegas num exame é reflexo de quanto os russos valorizam a igualdade e a resolução colectiva de problemas face à autoridade.

Pense na sua reacção face a este mesmo exemplo. O que será que revela acerca dos valores da sua sociedade?

Mesmo no seio de uma sociedade ou comunidade, os valores podem ser contraditórios. Vejamos alguns exemplos. Certos grupos ou indivíduos podem valorizar crenças religiosas tradicionais, enquanto outros podem aprovar o progresso e a ciência. Há pessoas que preferem o sucesso e o conforto material, outras favorecem a simplicidade e uma vida pacata.

Nesta época em que vivemos marcada pela mudança, repleta de movimentos globais de pessoas, bens e informação, não é de estranhar que deparemos com casos de valores culturais em conflito.

As normas e os valores culturais mudam frequentemente ao longo do tempo. Muitas das normas que hoje tomamos como assentes nas nossas vidas – como ter relações sexuais antes do casamento e haver uniões de facto – contradizem valores que até há algumas décadas atrás eram partilhados por muitos.»

Anthony Giddens, Sociologia, 5ª edição, Fundação Calouste Gulbenkian, Lisboa, 2007, pp. 22-23.

Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

Okupas em Portugal

«Em 1997, Paula e o namorado dormiam e comiam na antiga cozinha da casa que ocuparam, em Cascais. O resto do espaço estava dividido por outros jovens, também porta-vozes do movimento “okupa”. Em nome da liberdade ocupavam espaços abandonados nas cidades e recusavam todas as formas de autoritarismo e exploração.
Na casa de Cascais vivia também Zé Pedro. Aos cinco anos de idade, já fumava tabaco e bebia vinho. Foi retirado da família e institucionalizado mas fugiu várias vezes para viver na rua. Há 11 anos, queria tirar o curso de veterinária ou a carta de pesados.
Durante sete meses, Miguel Rosas ocupou uma quinta abandonada, às portas de Sacavém. No edifício chegaram a funcionar salas para ensaio, ateliers para pintura e fotografia em completa auto-gestão.
Onze anos depois, o Perdidos e Achados foi à procura de alguns dos “okupas” que chocaram Portugal nos anos 90. Quisemos saber se desistiram de mudar o mundo.»
Reportagem do Programa "Perdidos e Achados", da SIC

Contracultura: o exemplo dos Okupas

Imagens encontradas aqui.
Okupa é um termo (…) derivado da palavra ocupação sendo que seu equivalente na língua inglesa é squat. O termo faz referência especificamente ao ato de ocupar um espaço ou construção, abandonada ou desabitada, sem permissão de seus proprietários legais, não para transformá-lo numa propriedade privada, a ser alugada ou vendida, mas com o objetivo de criar uma esfera de sociabilidade e vivência libertária. Para os contrários ao movimento, tais ocupações nada mais são que invasões de propriedade.
Okupas são mais comuns nas áreas urbanas do que em espaços rurais, especialmente em áreas de grande especulação imobiliária e deterioração urbana.”
“Okupas”, na Wikipedia

«Em toda grande cidade, o abandono de imóveis contrasta com a massa de desalojados. Enquanto sem-tetos buscam abrigo pelas ruas, proprietários mantêm suas posses vazias com a esperança de vendê-las no futuro por um preço vantajoso. Geralmente ignorada pelo poder público, a especulação imobiliária não passa desapercebida pelos squatters. Nascido na contra-cultura européia dos anos 60, este movimento ocupa espaços urbanos ociosos para neles construir verdadeiros centros de resistência cultural.

Formado basicamente por anarquistas, punks, hippies e comunistas, o movimento squatter luta contra aquilo que os pesquisadores chamam de gentrificação. Trata-se de um processo de enobrecimento dos espaços urbanos, que ocorre principalmente em pontos centrais das cidades. A gentrificação ocasiona a remoção dos moradores de áreas consideradas degradadas em prol da recuperação econômica do local.

Por sua vez, os squatters promovem outro tipo de revitalização. Após limpar o prédio abandonado, eles instalam serviços básicos, através de "puxadinhos" de água, luz e gás. No entanto, a ocupação só é completa quando o local passa a ser sede de atividades culturais, como a instalação de bibliotecas, mostras de teatro e poesia e rádios clandestinas. Eis, então, um autêntico squat. A legalidade de seu funcionamento varia de acordo com a legislação do país. Enquanto em muitas regiões a prática é considerada ilegal, na Holanda, por exemplo, prédios abandonados por longos períodos podem ser ocupados sem problemas judiciais.

Os squatters também são conhecidos como okupas. Entre eles, o termo "ocupação" é grafado com K para diferenciar suas intervenções das outras, marcando o caráter políticos de seus atos. A letra remete ainda à cultura punk, que, ao lado do anarquismo, forneceu as diretrizes básicas do movimento squatter. As ocupações são feitas em regime de autogestão, sem chefes ou líderes. Para os squatters, a construção de um espaço alternativo baseado em princípios de solidariedade e respeito mútuo é uma forma de resistir ao pensamento capitalista, centrado nas noções de propriedade privada e na massificação cultural.»

"Okupar é resistir", no Blogue Porto Alegre