"O Homem é um ser social. O ser capaz de viver isoladamente ou é um Deus ou é uma besta, mas não um ser humano." - Aristóteles
“América proibida”, “American History X” no original, conta a história de Derek Vinyard (Edward Norton), que regressa a casa, saído da prisão, onde cumpriu uma pena de três anos por ter assassinado dois negros. Antes de ser preso Derek era racista, achava que nos Estados Unidos da América só havia lugar para os brancos e era o carismático líder de um grupo de skinheads. Mas agora é um homem diferente, a prisão mudou-o. Ao reencontrar o irmão, Danny Vinyard (Edward Furlong), Derek percebe consternado que este seguiu os seus passos e se transformou num skinhead.
Nas aulas de Sociologia analisaremos o filme recorrendo a alguns conceitos leccionados recentemente: cultura, diversidade cultural, etnocentrismo, subcultura, contracultura, socialização, identificação e agente de socialização.
O filme relaciona-se também com outros conceitos sociológicos que serão leccionados mais tarde: migrações, desigualdade, discriminação, reprodução social, controle social, família, etc.
«As ideias que definem o que é importante, útil ou desejável são importantes em todas as culturas. Essas ideias abstractas, ou valores, atribuem significado e orientam os seres humanos na sua interacção com o mundo social. A monogamia – a fidelidade a um único parceiro sexual – é um exemplo de um valor proeminente na maioria das sociedades ocidentais.
As normas são as regras de comportamento que reflectem ou incorporam os valores de uma cultura.
As normas e os valores determinam entre si a forma como os membros de uma determinada cultura se comportam. Em culturas onde se valoriza grandemente a aprendizagem, por exemplo, as normas culturais encorajam os alunos a despender grandes energias no estudo, apoiando os pais que fazem sacrifícios em prol da educação dos filhos. Numa cultura que valoriza a hospitalidade, as normas culturais podem estimular expectativas quanto à dádiva de presentes ou ao comportamento social de convidados e anfitriões.
As normas e os valores variam muitíssimo entre culturas. Algumas valorizam grandemente o individualismo, enquanto outras podem enfatizar as necessidades colectivas. Vejamos um exemplo. A maioria dos alunos britânicos sentir-se-iam indignados se descobrissem um colega a copiar num exame. Na Grã-Bretanha, copiar do colega do lado vai contra os valores fundamentais da realização individual, da igualdade de oportunidades, do trabalho árduo e do respeito pelas regras. No entanto, os estudantes russos sentir-se-iam intrigados com esta noção de ultraje dos seus colegas britânicos. A entreajuda entre colegas num exame é reflexo de quanto os russos valorizam a igualdade e a resolução colectiva de problemas face à autoridade.
Pense na sua reacção face a este mesmo exemplo. O que será que revela acerca dos valores da sua sociedade?
Mesmo no seio de uma sociedade ou comunidade, os valores podem ser contraditórios. Vejamos alguns exemplos. Certos grupos ou indivíduos podem valorizar crenças religiosas tradicionais, enquanto outros podem aprovar o progresso e a ciência. Há pessoas que preferem o sucesso e o conforto material, outras favorecem a simplicidade e uma vida pacata.
Nesta época em que vivemos marcada pela mudança, repleta de movimentos globais de pessoas, bens e informação, não é de estranhar que deparemos com casos de valores culturais em conflito.
As normas e os valores culturais mudam frequentemente ao longo do tempo. Muitas das normas que hoje tomamos como assentes nas nossas vidas – como ter relações sexuais antes do casamento e haver uniões de facto – contradizem valores que até há algumas décadas atrás eram partilhados por muitos.»
«Em toda grande cidade, o abandono de imóveis contrasta com a massa de desalojados. Enquanto sem-tetos buscam abrigo pelas ruas, proprietários mantêm suas posses vazias com a esperança de vendê-las no futuro por um preço vantajoso. Geralmente ignorada pelo poder público, a especulação imobiliária não passa desapercebida pelos squatters. Nascido na contra-cultura européia dos anos 60, este movimento ocupa espaços urbanos ociosos para neles construir verdadeiros centros de resistência cultural.
Formado basicamente por anarquistas, punks, hippies e comunistas, o movimento squatter luta contra aquilo que os pesquisadores chamam de gentrificação. Trata-se de um processo de enobrecimento dos espaços urbanos, que ocorre principalmente em pontos centrais das cidades. A gentrificação ocasiona a remoção dos moradores de áreas consideradas degradadas em prol da recuperação econômica do local.
Por sua vez, os squatters promovem outro tipo de revitalização. Após limpar o prédio abandonado, eles instalam serviços básicos, através de "puxadinhos" de água, luz e gás. No entanto, a ocupação só é completa quando o local passa a ser sede de atividades culturais, como a instalação de bibliotecas, mostras de teatro e poesia e rádios clandestinas. Eis, então, um autêntico squat. A legalidade de seu funcionamento varia de acordo com a legislação do país. Enquanto em muitas regiões a prática é considerada ilegal, na Holanda, por exemplo, prédios abandonados por longos períodos podem ser ocupados sem problemas judiciais.
Os squatters também são conhecidos como okupas. Entre eles, o termo "ocupação" é grafado com K para diferenciar suas intervenções das outras, marcando o caráter políticos de seus atos. A letra remete ainda à cultura punk, que, ao lado do anarquismo, forneceu as diretrizes básicas do movimento squatter. As ocupações são feitas em regime de autogestão, sem chefes ou líderes. Para os squatters, a construção de um espaço alternativo baseado em princípios de solidariedade e respeito mútuo é uma forma de resistir ao pensamento capitalista, centrado nas noções de propriedade privada e na massificação cultural.»
O objectivo deste blogue é partilhar ideias e materiais úteis para o estudo e para o ensino da Sociologia no ensino secundário.
Críticas e sugestões são bem-vindas.
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