Domingo, 27 de Setembro de 2009

Elogio do voto

Hoje há eleições legislativas em Portugal. Em diversas eleições passadas a percentagem de eleitores que se absteve foi elevada. Por exemplo: 35,7% nas últimas eleições legislativas e 63,5% nas últimas eleições para o Parlamento Europeu. No primeiro caso a abstenção foi superior à percentagem obtida pelo segundo partido mais votado. No segundo caso a abstenção foi muito superior à percentagem obtida pelo partido que venceu as eleições.

Taxas tão elevadas de abstenção são prejudiciais para a “saúde” da democracia. Escrevi no blogue Dúvida Metódica um pequeno texto (Defesa do voto e crítica da abstenção) defendendo a ideia de que os democratas nunca se deviam abster: deviam votar sempre, nem que seja em branco.

Espero que daqui a algumas horas se descubra que a abstenção foi tão pequena que, se a transformassem em votos, não elegeria nenhum deputado. Porque viver numa democracia é muito melhor que viver numa ditadura.

manifestação de sufragistas Suffrage parade NewYork City May 6 1912

Na fotografia: parada das sufragistas americanas, realizada em Nova Iorque a 6 de Maio de 1912.

(A respeito de eleições veja também aqui e aqui.)

3 comentários:

Justine disse...

Enquanto não chegarmos a uma democracia participativa, o mímino que podemos fazer é ir votar. Portanto hoje é mesmo "visita de médico", que tenho de sair para ir exercer o meu direito e obrigação cívica!:))
(e à tarde vou descobrir o Matsuo Bashô, que não conheço...obrigada)

Carlos Pires disse...

Justine:

A questão é:
será possível chegar a uma democracia participativa?
Tenho muitas dúvidas:

as democracias participativas que existiam nalgumas Cidades-Estado da Grécia Antiga só eram possíveis devido à pequena dimensão desses estados e a restrições muito pouco democráticas: as mulheres não tinham direitos políticos e só um pequeno número de homens os possuíam;
as tentativas de criar democracias participativas nos tempos mais recentes originaram os estados comunistas totalitários; as tentativas de desenvolver experiências locais de democracia participativa (como sucedeu em Portugal a seguir ao 25 de Abril com as Comissões de Moradores, as cooperativas e outras instituições do género) falharam sempre: vítimas do cansaço da meia dúzia de entusiastas e do esmorecer do seu voluntarismo, vítimas também da inércia que governa a vida de quase toda a gente e da valorização quase universal do interesse imediato e pessoal - eu diria: vítimas da natureza humana.

Não há um único indício de que as coisas possam mudar:
as conversas sobre consciencialização disto ou daquilo são mero misticismo.

O melhor é tentarmos aperfeiçoar um pouco esta democracia representativa e "burguesa" (como dizem os místicos da extrema-esquerda) - que é o pior sistema político com excepção de todas os outros.
Por isso, em vez de expressões rutilantes mas quiméricas como "democracia participativa" é melhor optarmos por expressões terra a terra como "democracia mais participada" e "...maior participação".
Para as "almas" ansiosas por uma transformação revolucionária da sociedade ("almas" religiosas, no fundo) talvez pareça ser uma ideia cinzentona, só que... é concretizável.

cumprimentos

Carlos Pires disse...

Lido no jornal Público:

"As eleições legislativas 2009 ficaram marcadas por uma abstenção recorde de 39,4 por cento, tendo votado menos cerca de 55 mil eleitores do que em 2005. Os votos em branco registaram 1,75 por cento e os votos nulos,1,31 por cento."

Enfim...