sexta-feira, 26 de junho de 2009

A secularização: o declínio social da religião

«A religião costumava desempenhar um papel mais importante na vida das pessoas. O que explica o declínio? A explicação é seguramente complicada e ninguém conhece a história toda. Um factor, pelo menos nos ‘países desenvolvidos’, pode ser o prestígio da ciência e o predomínio crescente da visão científica do mundo. Outro factor pode ser a menor importância da vida familiar e das tradições sociais em geral. Porém, seja qual for a causa, parece claro que mesmo nos Estados Unidos as pessoas e as instituições religiosas estão hoje numa posição diferente do que estavam ainda há pouco tempo. Beneficiam de uma forte posição social e política, sem dúvida, mas a religião é hoje uma entre muitas forças que competem pela atenção e já não define a visão da sociedade. Quando os líderes políticos invocam as suas crenças religiosas para justificar políticas públicas, muitas pessoas ficam irritadas(*).»

James Rachels, Problemas da Filosofia, tradução de Pedro Galvão, Gradiva, Lisboa, 2009, pp.28-29.

Biblia O fenómeno descrito por James Rachels costuma ser chamado “secularização”. De acordo com a Infopédia, “a secularização é um processo através do qual a religião perde a sua influência sobre as variadas esferas da vida social.”

O termo deriva de “secular”: numa perspectiva religiosa, aquilo que é secular ou temporal (nomeadamente, o poder do Estado)  distingue-se do que é religioso ou intemporal (nomeadamente, a fé em Deus e os objectivos da Igreja).

Por vezes, também se usa a palavra “laicização” para designar esse fenómeno.  (Laico significa não religioso. Nesse sentido, um Estado laico é um estado sem religião oficial e cujas instituições são totalmente distintas das instituições religiosas.)

A palavra “laicização” tem um significado semelhante a “secularização”, embora alguns autores utilizem a primeira para referir sobretudo a questão (jurídica, institucional e política) da separação entre o Estado e as Igrejas e a segunda para referir a diminuição  da influência da religião na vida quotidiana das pessoas.   

(*) Nos EUA o número dessas pessoas é inferior ao que sucede noutros ‘países desenvolvidos’.  Daí que James Rachels tenha antes utilizado a expressão “mesmo nos Estados Unidos”.  Embora se trata de um país institucionalmente laico, existe uma religiosidade considerável e que se manifesta em diversos aspectos da vida social e política. A esse respeito, veja neste blogue o post “A importância da religião nos EUA” e no blogue Dúvida Metódica o post “Estudo da religião: a parte da Sociologia e a parte da Filosofia”.

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