domingo, 12 de outubro de 2008

Corto Maltese e a representação social da leitura

Hugo Pratt, Corto Maltese
Segundo o sociólogo Serge Moscovici, "as representações sociais são o conjunto de explicações, crenças e ideias que nos permitem evocar um dado acontecimento, pessoa ou objecto. Estas representações são resultantes da interacção social, pelo que são comuns a um determinado grupo de indivíduos".
Ou seja: uma representação social é uma ideia vulgarizada numa sociedade acerca de um certo fenómeno social, é o modo como num certo momento da vida dessa sociedade a maioria das pessoas encara esse fenómeno.
Corto Maltese é um herói, um homem de acção. Mas é também uma pessoa inquieta e capaz de reflectir acerca da vida e do sentido das suas acções. Esta imagem, em que surge a ler um livro com manifesto prazer, está de acordo com a personalidade que Hugo Pratt (o autor da BD) lhe foi conferindo ao longo de muitas histórias e aventuras.
Todavia, será essa a actual representação social da leitura? Na sociedade em que vivemos existirá essa visão positiva da leitura? Seria possível os heróis dos filmes que actualmente têm sucesso aparecerem a ler, em vez de surgirem a conduzir carros muito sofisticados ou a utilizar os mais recentes telemóveis?
Dificilmente. Na sociedade em que vivemos a maioria dos alunos e até alguns professores não lê livros, quanto mais os heróis dos filmes de acção. (De resto, é significativo que a comparação com Corto Maltese não possa ser feita com um actual herói da literatura ou da BD, mas apenas com heróis de filmes.) A actual representação social da leitura não é positiva. Corto Maltese é um herói do passado.

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