domingo, 28 de Setembro de 2008

A homossexualidade na Grécia Antiga

O modo como a homossexualidade era encarada na Grécia Antiga é muito diferente do modo como é encarada actualmente em Portugal e na generalidade dos países ocidentais.

Na Antiguidade a Grécia não constituía um país unificado, pois estava dividida em várias Cidades-Estado. As instituições políticas, as normas morais e os costumes sociais variavam bastante de Cidade para Cidade. Relativamente à homossexualidade também existia uma considerável diversidade de costumes.

Em Esparta, onde a vida militar era muito valorizada e a generalidade dos cidadãos treinava duramente para serem bons soldados, os casais de amantes masculinos eram incentivados como parte do treino e da disciplina militar. Julgava-se que tais práticas dariam coesão às tropas. Em Tebas, colónia espartana, existia o Pelotão Sagrado de Tebas: uma tropa de elite constituída unicamente por casais homossexuais. Eram muito ferozes e lutavam com bravura, para que nada acontecesse aos seus amados e para não ficarem mal vistos aos seus olhos. Por isso, eram quase imbatíveis no campo de batalha.

Em Atenas as relações sexuais entre homens da mesma idade eram consideradas antinaturais, pois implicavam que um dos homens adoptasse uma posição passiva, própria de uma mulher (considerada inferior) e não de um homem.

A relação homossexual que a sociedade ateniense aceitava era a relação amorosa entre um homem mais velho, o erastes (amante), e um jovem, o eromenos (amado). Este não podia ter menos de 13 anos nem mais de 18 anos.

O homem mais velho quando se interessava por um adolescente devia fazer-lhe a corte: oferecer-lhe presentes, fazer-lhe favores, ir ao ginásio vê-lo a exercitar-se (geralmente nu) e depois exercitar-se com ele até ficar exausto e não poder mais. O adolescente devia ser gentil, mas se quisesse podia recusar a relação. Todos esses rituais eram necessários para que a relação fosse socialmente aceite.

Para que essa aprovação social se mantivesse era necessário que o erastes cuidasse da educação e do desenvolvimento do eromenos. Além de afectiva, essa relação era também pedagógica: o homem mais velho e mais experiente devia transmitir os seus conhecimentos ao jovem.

Nessa relação, o eromenos não podia nunca demonstrar qualquer tipo de prazer e tinha de se manter passivo. Só o erastes podia procurar satisfação sexual – através da masturbação ou na posição intrafemural. Embora haja alguma controvérsia entre os historiadores, geralmente considera-se que nesse tipo de relação a sodomia não era permitida e que caso acontecesse seria socialmente reprovada.

Quando o eromenos chegava aos 18 anos, ou antes se adquirisse precocemente traços adultos muito vincados, a relação amorosa transformava-se em simples amizade. Depois o jovem casava com uma mulher e por volta dos 30 anos era a sua vez de se apaixonar por um jovem rapaz e tornar-se erastes.

A imagem (pintura de um vaso grego do séc. V a. C.) representa Aquiles (o erastes) a tratar dos ferimentos de Pátrocolo (o eromenos).

Algumas partes do texto constituem uma adaptação dos seguintes artigos:

Luiz Carlos Pinto Corino, “Homoerotismo na Grécia antiga – homossexualidade e bisexualidade, mitos e verdades”, BIBLOS - Revista do Departamento de Biblioteconomia e História, Vol. 19 (2006): http://www.seer.furg.br/ojs/index.php/dbh/article/view/249

Luiz Augusto de Freitas Guimarães, “Sobre a homossexualidade na Grécia Antiga”, http://www.cav-templarios.hpg.ig.com.br/homossexualidade_na_grecia.htm

1 comentário:

filomeno2006 disse...

Machismo de Platón: Doy gracias a Zeus por haber nacido varón y no hembra......