sábado, 30 de Agosto de 2008

Imaginação sociológica

“Na tentativa de entender o comportamento social, os sociólogos se baseiam em um tipo incomum de pensamento criativo. Um importante sociólogo, C. Wright Mills, descreve tal pensamento como a imaginação sociológica – uma consciência da relação entre o indivíduo e a sociedade mais ampla. Essa consciência permite que todos nós (não apenas os sociólogos) compreendamos as ligações existentes entre o nosso ambiente social pessoal imediato e o mundo social impessoal que nos circunda e que colabora para nos moldar. (...)
Um elemento-chave da imaginação sociológica é a capacidade de uma pessoa poder ver a sua própria sociedade como uma pessoa de fora o faria, em vez de fazê-lo apenas da perspectiva das experiências pessoais e dos preconceitos culturais. Tomemos como exemplo algo bem simples, os esportes. No Brasil, centenas de milhares de pessoas de todos os níveis sociais vão semanalmnete aos estádios torcer por seus times de futebol e gastam milhares de reais em apostas. Em Bali, Indonésia, dezenas de espectadores se juntam ao redor de um ringue para apostar em animais bem-treinados que participam das rinhas de galos. Em ambos os exemplos os espectadores exaltam os méritos dos seus favoritos e apostam nos melhores resultados das competições que são consideradas normais em uma parte do mundo, mas pouco comuns em outra.
A imaginação sociológica nos permite ir além das experiências e observações pessoais para compreender temas públicos de maior amplitude. O divórcio, por exemplo, é um fato pessoal inquestionavelmente difícil para o marido e para a esposa que se separam. Entretanto, (...) o uso da imaginação sociológica [permite ver] o divórcio não apenas como problema pessoal do indíviduo, mas sim como uma preocupação da sociedade. Usando essa perspectiva, podemos notar que um aumento da taxa de divórcio na verdade redifine uma instituição fundamental – a família. Os lares hoje com frequência incluem padrastos, madrastas e meios-irmãos cujos pais se divorciaram e casaram novamente.
A imaginação sociológica é uma ferramenta que nos proporciona poder. Ela nos permite olhar para além de uma compreensão limitada do comportamento humano, ver o mundo e as pessoas de uma forma nova, através de uma lente mais potente que o nosso olhar habitual. Pode ser algo tão simples como entender por que um colega de quarto prefere música sertaneja ao hip-hop, ou essa outra forma de olhar as coisas poderá revelar uma maneira completamente diferente de entender as outras populações do mundo.”
Richard T. Schaefer, Sociologia, 6ª edição, McGraw-Hill, São Paulo, 2006, pp. 3 e 6.

4 comentários:

Tiago Cesar disse...

Muito legal... Rapidinho você conseguiu trazer muito da essência do livro do Mills... Parabéns!

Carlos Pires disse...

Obrigado Tiago.

Fabiana disse...

Bom dia, gostaria que me ajudasse a fazer uma "imaginação sociologica" da SOJA,

Obrigada


Fabi

HELSON disse...

Muita rica sua contribuição. Estamos discutindo exatamente a imaginação sociológica-MILLS aqui na UESC ITABUNA, 1º Semetre de FILOSOFIA e tenho por certo que as suas pontuações, segundo Mills, nos serão bastante úteis.