
«Pergunte a jovens de 13 anos o que é mais importante em suas vidas e eles provavelmente responderão “amigos”. À medida que a criança fica mais velha, a família se torna menos importante no desenvolvimento social. Em vez disso os “grupos de amigos” (*) assumem o papel dos outros significativos [de que falava Margaret] Mead. Nesse grupo os jovens associam-se a pessoas com aproximadamente a mesma idade e que com frequência têm um status social semelhante.
Os “grupos de amigos” facilitam a transição para as responsabilidades de adulto. Em casa, os pais tendem a dominar; na escola, os adolescentes têm de lidar com professores e administradores. Mas no “grupos de amigos” cada um dos membros do grupo pode-se afirmar de uma maneira que não seria possível em outro lugar.
Mesmo assim, quase todos os adolescentes na cultura norte-americana continuam dependentes, em termos financeiros, dos seus pais e a maioria deles é dependente também emocionalmente. (…)
Os amigos podem ser fonte de apoio mas também de perseguição [como sucede no caso do bullying].»
Richard T. Schaefer, Sociologia, 6ª edição, McGraw-Hill, São Paulo, 2006, pp. 93 e 94.
(*) “Amigos” num sentido muito lato, sem implicar necessariamente relações afetivas fortes. Neste contexto, a expressão por vezes significa apenas “conhecidos de idade semelhante”.
«O grupo dos iguais (ou pares) é um importante fator de socialização, exercendo uma particular influência no fim da infância e na adolescência. Trata-se de fases em que os indivíduos conquistam uma identidade relativamente estável, muitas vezes através de uma reação negativa perante os modelos apreendidos na família e na escola. O grupo dos iguais é então importante, porque propõe novas normas e valores, no seio de uma dinâmica interativa entre pares. Em tal dinâmica a socialização desenvolve-se fora de qualquer desígnio preordenado: as crianças e os rapazes podem descobrir os amigos e dialogar com eles sobre temas e assuntos quase sempre inabordáveis na família e na escola, destacando-se assim da influência destas.
Estas relações são mais democráticas do que as que existem entre progenitores e filhos. O termo “pares” indica sujeitos “iguais” e as relações de amizade entre crianças tendem a ser razoavelmente igualitárias. Estando baseadas no mútuo consenso, mais do que na dependência, como é típico da situação familiar, as relações entre pares preveem uma intensa troca de dar e receber, num contexto de interação em cujo seio as regras de conduta podem ser postas à prova e exploradas.
As relações entre pares permanecem, muitas vezes, importantes para toda a vida.»
Lucia DeMartis, Compêndio de Sociologia, Edições 70, Lisboa, 2006, pág. 54. (adaptado)